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Showing posts from July, 2017

Manutenção - honestidade e desonestidade

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Sempre que se insiste e luta para manter uma situação fica claro o quanto a mesma é aderente, ilegítima e sem veracidade para ser mantida. Lutar para juntar o que já foi separado, o que já se provou indevido, é uma atitude inautêntica e desonesta.

Honesto é o legítimo e legitimidade não exige luta, nem prova. No tempo dos Reis-Juízes, o Rei Salomão deixou um grande exemplo do que é julgar e do que é legítimo ao terminar com uma disputa entre duas mulheres que reivindicavam a mesma criança como filho próprio. Ele chamou as mulheres com a criança e anunciou que contentaria às duas, afirmando que iria dividir a criança ao meio para dar uma parte a cada uma. Nesse momento, uma das mulheres gritou que não, que entregasse a criança inteira para a outra. Salomão, então, disse que essa era a verdadeira mãe e entregou-lhe a criança, pois mãe salva, não mata o próprio filho. A legitimidade da maternidade foi expressa naquele ato de desistência da mulher e o justo foi feito no reconhecimento di…

Oportunismo

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A habilidade de tampar incapacidades, transformando-as em pseudocapacidades, se constitui no que chamamos de oportunismo.

Não ter condições, não ter conhecimento, não ter dinheiro, não ter mobilidade para realizar propósitos e objetivos, desejos ou necessidades, pode levar o indivíduo a transformar o outro, os recursos alheios, em instrumentos úteis para superar suas próprias incapacidades. Essa apropriação é sempre um oportunismo pois é resultado do uso do outro.

Não ter condições de realizar o que se propõe, ou o que é necessário, implica em admitir essa impossibilidade. Não se deter na impossibilidade e querer superá-la, sem recursos nem condições, estabelece redes de empréstimos, de utilizações que vão desde plágio e roubo até expoliações escusas. Engendrar mentiras, criar máscaras, criar imagens para conseguir expressar o que é necessário à realização de objetivos, é manipular fatos, manipular acontecimentos e realizações em função de objetivos diferentes dos que se expõe e ex…

Constatação

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Perceber o que está em volta e constatar a existência de impossibilidades e limites, desanima. Esse desânimo cria questionamentos e restabelece a dinâmica, permitindo aceitação das impossibilidades e limites.

Quando o desânimo não possibilita questionamentos o indivíduo fica entregue às situações que o limitam. Nada é feito, apenas espera que aconteça o estabelecido. Essas vivências são frequentes quando se sabe não ter condições “de virar a mesa”, de “mudar o rumo do barco”.

Constatar a impotência é aniquilante, mas, por outro lado, possibilita a liberdade do não agir, do esperar não esperar. É um antagonismo estruturante, desde que percebido e respeitado. A constatação da impotência e de limites, alivia, permite desviar o rumo, recriar saídas, pois configura mudanças necessárias às manutenções de expectativas falhadas. Constatar é desatar o nó de impossibilidades, tanto quanto entender o enunciado de possibilidades.

Aceitar a perda, o limite (a morte, a doença, o abandono) é consta…

Inconsequência

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Vivências pontualizadas dos acontecimentos - do que ocorre - são típicas de posicionamentos autorreferenciados. Pessoas que vêem o mundo, o outro e a si mesmas a partir dos próprios e únicos referenciais e critérios, não percebem as malhas relacionais, tampouco as implicações das mesmas.

Reduzir tudo aos próprios desejos, medos e frustrações, tanto quanto acondicionar tudo nas caixas da experiência, aglutina disparidades, instalando caos, confusão e, assim, criando os únicos habitantes possíveis para estas atmosferas: os impulsivos, os inconsequentes, os irresponsáveis e imediatistas. É o “bateu, levou”, o “deixa comigo”, o “resolvo agora” que povoa este universo.

Atitudes inconsequentes são autorreferenciadas e pontualizadas. Existem quase como equivalentes de onipotência. O outro, o mundo causa sempre surpresa, assusta, exige interjeições, gritos, urros. Tudo é extravasado pois nada é refletido, questionado, continuado. Sem questionamento não há percepção das implicações, tudo é in…