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Showing posts from July, 2014

Resumos

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Resumos facilitam a globalização ou instalam fragmentação, manipulação, poder.
Todo "faça você mesmo", "pronto para usar”, “não desista nunca” funciona como incentivo para pular etapas, para entender processos como fins úteis, pontes para transpor descontinuidades e vazios. A importância da ligação, dos resumos, geralmente se explica por vivências funcionais ditadas por outras estruturas e motivações diferentes das configuradas como impasses.
Resumos de processos dedicados à ampliação de necessidades, habilidades e pontuações são responsáveis pela Babel relacional que vai desde a exaltação das qualidades do novo detergente, até às viradas de opinião graças às habilidades de pessoas demagógicas, as pontuações destacadas pelos selos de qualidade, o IBOPE, as vitórias e resultados conseguidos. Esta manipulação dos processos, estes resumos, criam clichês, estereótipos, geram divisões, preconceitos, fragmentando o processo vital e social. Referências de bom, de ruim, de fo…

Propaganda

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Ao longo das épocas, o que se buscou através dos reclames do século retrasado, da propaganda do século passado e da mídia atual foi criar motivações, transformando-as em ferramenta de captação necessária para manutenção e ampliação de mercados (capital - economia), de ideologias (política), assim como criação de paraísos alcançáveis pelo sacrifício, esforço e catequese (religião).
Toda vez que a motivação é transformada em vetor, toda vez que ela é desviada para alguma direção alheia aos seus estruturantes, ela é solidificada como instrumento de manobra, perde portanto, a função motivacional - intrinsecamente curiosa, questionante -, virando caminho, trilha para benefício, alívio e satisfação.
Imaginemos se no mundo, nas telinhas e telonas, Facebook, Twitter e outras redes, o que aparecesse fossem questionamentos, toques denunciantes do que se escondeu e arrumou? Em outras palavras, imaginemos se em lugar do melhor perfume, cerveja ou iogurte, tivéssemos embates sobre deslocamentos …

Reflexões sobre o medo

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Datas e eventos às vezes são referenciais, marcos que levam a reflexões e constatações.
A vitória da Alemanha neste Mundial de futebol de 2014, me lembrou que setenta anos atrás - 1944 - a guerra matava e destruía; a monstruosidade dirigida pelo partido nazista alemão ceifava vidas e exercia bárbara crueldade contra milhões de pessoas. Os objetivos genocidas eram abrigados pelo mesmo povo que hoje celebra a vitória e confraterniza no Mundial. Derrotado e extirpado o nazismo, foi possível recuperação e superação da destruição e medo, o horror foi superado pelo povo alemão anteriormente cooptado.
Vítimas de violência, de agressões físicas e morais, desenvolvem medos que podem ser superados de maneiras diversas, seja através do questionamento, seja aumentando o desejo de segurança, de proteção a todo custo, mesmo que destruindo o que ameaça. Inseguros e medrosos são manipuláveis, presas fáceis de ideologias fascistas como observamos tanto na Alemanha dos anos trinta e quarenta, quanto e…

Sistema de referência

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Perceber é uma relação, um comportamento decorrente de relações estruturais que configuram um Fundo (contexto) e um dado, uma situação (Figura). As decorrentes e contínuas percepções são os contextos que possibilitam constatação (percepção da percepção) que é o conhecimento, criando valores e significados e também classificação e nomeação do percebido.
Os sistemas de referência são formados desde os primeiros anos de vida, tanto quanto as estruturas de aceitação ou de não aceitação do outro, dos limites, de si mesmo. Os sistemas de referência são modais por excelência, desde que estão também imersos em horizontes culturais, sociais, econômicos. Os elos de fixação desta impermanente e anônima atmosfera são mantidos pelo outro. Estar com o outro, ser por ele criado, educado é o que permite constatar e integrar ou desconstruir sistemas de referência: o próprio corpo aceito ou não, assim como as referências culturais e sociais.
Através do outro, geralmente pai e mãe, aprendemos uma língu…

Natureza

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Spinoza dizia que a natureza é Deus ou Deus é a natureza. Com esta afirmação, ele situou o clássico dualismo entre corpo e alma de Descartes - denso e sutil - em outra dimensão; ultrapassou o dualismo cartesiano, mas, gerou outro: natureza incriada e natureza criada ou infinita e finita ou metafísica e objetiva. Natureza, em Spinoza, é o que está aí e existe por si mesmo, é a divindade infinita, eterna. Pensar natureza como prévio é o que possibilita o dualismo criado/incriado (originado/Deus) e as repercussões destas colocações são inúmeras nas metodologias científicas.
Esta idéia de natural como não criado foi responsável pelo estabelecimento de conceitos reducionistas e arbitrários dentro da psicologia: talento, dom, instinto, por exemplo. Freud, como homem do século XIX, herdeiro de tradições biológicas mecanicistas do século XVIII, só podia pensar o homem (sua humanidade, referencial psicológico) como algo complexo, mágico, mas sempre determinado e estabelecido por condições bio…