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Showing posts from May, 2017

A ignorância é um sistema

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Podemos pensar em ignorância e em ignorante como sinônimos de não conhecimento e daquele que não conhece. Nesse sentido, ignorância, ignorar significa não perceber.

Frequentemente, a palavra ignorante é usada para quem não foi ensinado, não aprendeu, daí o ignorante ser também sinônimo de estúpido e grosseiro. Quando a questão é assim colocada, é clara a necessidade de ensino, de escola, de educação para mudar, neutralizar e transformar o estado de ignorância e os seus detentores: os ignorantes.

A situação não é tão simples, envolve outras dimensões, envolve várias camadas que configuram uma rede, um sistema a partir do qual são estruturados e mantidos os ignorantes e a ignorância. Perceber o que ocorre enquanto evidência, implica em estar diante de. Nem sempre esta dimensão presente é mantida, é vivenciada enquanto presente. A vivência do presente enquanto tal, supõe o presente (Figura) estruturado no presente (Fundo). Se há alteração, se o presente é vivenciado em outros contextos…

Vazio e ambição

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Preocupados em atingir, em conseguir o que não têm, os indivíduos que não aceitam seus limites, suas histórias e vivências, disparam para realizar objetivos e desejos, disparam para realizar metas. Viver em expectativa é viver no depois, no futuro; é não viver no presente, é reduzí-lo a pequenos pontos onde os pés tocam. Perder espaço é perder o tempo. A não vivência do presente, estando o mesmo pontualizado nos apoios sobreviventes, deixa o indivíduo exaurido pela ansiedade. Nessas condições é preciso ter sempre alguma coisa para lutar, para conseguir ou para esperar. A ansiedade tem que ser alimentada. Sem a luta e a espera, o vazio se instala, surgindo, assim, o medo de morrer, de não conseguir chegar onde tem que chegar, medo de perder “o trem da história”, o “cavalo selado” da boa oportunidade. Pessoas vazias são ansiosas, medrosas e se mantêm pelo faz de conta. A mentira estabelece perfis, performances nas quais tudo fica resolvido. A incapacidade, a variação de atitude, o ir e…

Prudência

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Infelizmente, a prudência, um dos bons aspectos configuradores de autonomia, ou seja, a percepção de limites, dificuldades, flexibilidade e rigidez, pode ser transformada em medo, em desconfiança. Muitos indivíduos se sentem prudentes por amealhar (dinheiro, poder), por esconder recursos, por despistar, esconder do outro, que é sempre visto como diferente, como estranho. Ser prudente é ser autônomo, é ser capaz de perceber limites, não os negar para que possa aceitá-los ou transformá-los. Nos indivíduos autorreferenciados, a vivência de suas não aceitações e conflitos - gerados por compromissos e projetos frustrados - transforma a prudência em ferramenta de verificação, utilidade e sucesso. Prudência passa a ser entendida como cuidado, como desconfiança, como não ter disponibilidade, espontaneidade, como estar sempre com o “pé atrás” para ter recursos e não cair em armadilhas. Prudente, então, não é mais o que constata e se relaciona com limites, prudente é o que antecipa, se resguar…

Aprisionamentos doentios

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Diante de muitas vicissitudes, doenças constantes e inúmeras, por exemplo, o ser humano se sente incapaz, prejudicado, doente, sozinho. Permanecesse neste sentimento, questionasse este momento, muito seria transformado. Acontece que quando se chega neste estado, geralmente ocorre não aceitação do mesmo. Começam a surgir deslocamentos, caracterizados principalmente pelo medo, pela carência, pela necessidade de ser aceito e cuidado pelos outros mais próximos, como familiares e amigos. Exigir cuidados constantes para justificar as próprias doenças, mazelas e impedimentos cria um contínuo estado de vitimização. Não pode haver melhora neste processo aguilhoante. Mais cuidados, mais amargura, mais desespero. Compreender que a realidade da doença aí está, que a mesma tem que ser suportada e que existem outras coisas saudáveis e válidas, é uma verdade. Esta reação é bem-vinda, causa tranquilidade, mas para ser mantida exige um mínimo de aceitação das situações limitadoras. Exatamente aí reco…