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Showing posts from July, 2015

Ziguezagues

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Toda dificuldade, toda insatisfação, todo problema não enfrentado, disfarçado ou postergado cria deslocamentos. Esses deslocamentos, desvios de tensão, impõem modificações ao cotidiano, chegando a criar novos hábitos capazes de absorver os resíduos criados pelos desgastes e fragmentações dos desejos não atendidos. É muito comum encontrarmos essa situação em relacionamentos afetivos, principalmente casamentos ou uniões estáveis, quando o relacionamento já não motiva, não significa e os parceiros apenas cumprem papéis e funções.
A invasão da ordem prática, a invasão das conveniências, é também acompanhada de medo, gerador de insegurança, gerador de deslocamentos que, por sua vez, criam dilema. Neste momento, instala-se o “vale à pena ou não?”, o “como fazer?”, o “será que a culpa é minha?”. Interrogações parecidas com questionamentos, mas que são tautológicas: viram e reviram as questões, caindo sempre nos mesmos pontos. Essas repetições, esse não questionar neutralizador de dúvidas, …

Desvitalização

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Viver esperando realizar os próprios sonhos, esperando atender as necessidades e ter reconhecidas e satisfeitas suas demandas, desconecta o indivíduo de sua realidade presente, realidade esta geralmente cheia de embaraços e obstáculos. Frequentemente estes obstáculos são considerados incômodos e o pressionam a esquecê-los, escondê-los em expectativas e desejos solucionadores.
Estar desconectado da realidade, seja por negá-la, desconhecê-la ou detestá-la, cria interrupções destruidoras da continuidade do estar no mundo, produzindo fragmentação e posicionamentos polarizadores de direções alheias às sequências processuais das vivências individuais. Este processo implica em perda de autonomia, gera insegurança e deixa a pessoa entregue às expectativas que escapam de sua ação e controle: ela se circunstancializa. Circunstâncias sempre são aderências, sempre são estruturadas em outros contextos diferentes daqueles aos quais contingencia, e viver em função de circunstâncias exila, aliena e …

Sincronização

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Sincronização é vivencia do mesmo tempo. A fluidez do presente, a contínua passagem do tempo, permite, em seus instantes, esta vivência; faz com que o espacialmente distante fique próximo, tanto quanto faz com que o próximo seja distante. Ou como já foi expresso pelo poeta Israel Zangwill:

Um dia, estando entre nós dois o Atlântico,
senti a tua mão na minha;
Agora, tendo a tua mão na minha,
sinto entre nós dois o Atlântico.
- Israel Zangwill (1864 – 1929) -*


Sempre vivemos no mesmo tempo - o presente - e o presente sincroniza, entretanto, a espacialização do tempo é frequente. O autorreferenciamento, os desejos e necessidades de cada um, espacializam o tempo. As dessincronias surgem em função de valorações individuais. As sequências temporais são obturadas pela necessidade de focalização de cada um, gerando isolamento. Vivenciar o isolamento geralmente causa ansiedade pois atrapalha as expectativas e os processos de ansiedade quebram sintonias, apontando para os acontecimentos no sentido …

Apreensões

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A vivência de apreensão resulta sempre de uma certeza desmentida. Acreditar em determinadas preferências, em determinadas antipatias, e subitamente ver todas as valências e sinais mudados, ver, por exemplo, que o quê se desprezava e desconsiderava começa a ser importante e motivador, gera inquietações, apreensões. Além de certezas transformadas, se transformam também os referenciais de confiança e aceitação. Nada é como antes, tudo é incerto, a desconfiança impera.
Estados de inquietação possibilitam dúvida, ansiedade e também mudança. Depois destas vivências, transformações se impõem, os questionamentos afloram e o indivíduo se descobre diferente do que era. Percebe, por exemplo, que o mundo do novo o atormenta, ou percebe que não pode abrir mão do que modela seu perfil - mesmo que ultrapassado e obsoleto - pois é ele, o perfil, que cobre suas inadequações e incertezas.
As inquietações não equacionadas, não resolvidas, criam ambiguidades relacionais, estruturam dilemas adiados por r…

Pessimismo

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Orientar a existência em termos de resultados cria tanto otimistas, quanto pessimistas. A antecipação, a expectativa gera insegurança criadora de confiança/desconfiança, otimismo/pessimismo. Controle para evitar, para antecipar, impedindo que condições adversas atrapalhem processos, é típico de pessimistas. O controle existe também no otimismo através da manutenção constante de tudo que traz bons ares, tudo que ajuda seus projetos.
Conviver com otimistas ou pessimistas é se inserir em cálculos repetitivos que desgastam a novidade, tanto quanto impedem surpresas. Tudo já é esperado, para o bem ou para o mal, e esta atitude amordaça o novo. As coisas sempre se repetem, dando certo, ou sempre dando errado, mostrando sua verdadeira face. Este tipo de avaliação é desgastante, não se vivencia o que acontece, apenas se utiliza, se sublinha acontecimentos para guardá-los na caixa boa ou na ruim. E assim o ser humano torna-se um robô etiquetador e tedioso.
Mães e pais não devem antecipar, não…