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Showing posts from 2011

Atitude

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A psicologia do sec. XIX costumava dividir o homem em intelecto, atividade e vontade (emoção). Atividade se referia a gestos, comportamento motor, significando atitudes.
Hoje em dia atitude é um comportamento que frequentemente se exerce, expressando a própria estrutura individual, psicológica, daí ela caracterizar a visão que se tem do mundo, de si mesmo e do outro.
Em Psicoterapia Gestaltista, atitude é sinônimo de motivação; para nós também a motivação está sempre no contexto relacional; a motivação não é criada, construida "interiormente" e projetada "exteriormente" como pensam os psicanalistas,  os terapeutas da gestalt therapy e outros.
Os gestaltistas, ao discutirem com os behavioristas, argumentavam que se aprendia independente das necessidades (drives) estarem ou não saciadas. O requiredness, o carater de demanda explicado por Koffka, mostra como o ambiente, a realidade, cria a motivação (os publicitários bem sabem disto).
Perceber estas demanda…

Compromisso

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"Os impasses existenciais decorrentes de perceber o mundo, o outro como figura e colocar-se como fundo determinante desta percepção, este autorreferenciamento compromete a existência humana. Setoriza e maquiniza o ser humano, levando-o à corrida desenfreada da manutenção, do querer ser alguma coisa válida, aceita, reconhecida, considerada socialmente. Esta busca-luta, esta alienação, compromete. Surgem os padrões, normas e modelos de comportamento: as metas. Empenhado nesta conquista o homem desumaniza-se, passa a ser reconhecido pelo que o representa, por seus símbolos: carro, roupa, status, virórias, fracassos, sucessos, insucessos. O comprometimento com os rótulos cria a autofagia ou despersonalização, o vazio."*
São vários os problemas que surgem da despersonalização, da alienação e um deles é a manutenção, o compromisso. Estar comprometido é índice de alienação, de divisão, fragmentação.
Comprometer-se é estabelecer território, marcar presença e fazer acertos. Ao coloni…

Sobrevivente não questiona

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A imanência do ser humano é biológica. "Essa estrutura biológica está em um lugar, em um tempo com outros seres. Estabelecemos relações percebendo, conhecendo. Perceber é conhecer, perceber que se percebe é categorizar. Essa categorização é o estar consciente de, é o saber que sabe." *
No mundo da sobrevivência tudo converge para a satisfação de necessidades, de desejos. Os julgamentos e valores, neste nível, são binários: bom e ruim, satisfatório e insatisfatório, lucro e prejuízo, eu e outro. A pregnância da imanência biológica desumaniza, não há antítese, consequentemente a dinâmica, a dialética do processo é transformada em paralelas: bom ou ruim, igual ou diferente. Psicologicamente, as vivências são desenvolvidas através de divisões paradoxais: o que apoia oprime, o marido que espanca é o que sustenta, o patrão que explora é o que permite a sobrevivência da família, por exemplo. Estas contradições não possibilitam antíteses, não permitem resultantes pois são mediadas …

Adaptação e mudança - aceitação da não aceitação

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Geralmente o adaptado é o posicionado, o que renunciou a qualquer mudança para manter o que conseguiu. Assim vivendo ele é um mediano, é também o que não se aceita medíocre, adaptado. Surgem sintomas e deslocamentos a fim de criar um movimento, uma dinâmica - ainda que ilusória - diante de seus posicionamentos. Movimentos pendulares, ao longo do tempo dividem e fragmentam, estruturando não aceitação de ser o que é, de ter a vida que tem. No processo terapêutico, ao perceber a não aceitação, suas estruturas e implicações, surge a aceitação da não aceitação. É um momento muito importante, é a quebra da adaptação, do posicionamento e o início da mudança. Tudo é novo, diferente, as metas são transformadas em perspectivas, o que gerava vergonha e medo passa a ser questionante de responsabilidade, de participação; inicia-se a mudança responsável pela aceitação.
Quando se está preso à idéia de que toda mudança decorre de luta, revolta e desadaptação responsáveis pela transformação social, nã…

Por que se distorce? Por que se unilateraliza?

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Ilhados na sobrevivência os seres humanos percebem o que está em volta de si através de valores em função da satisfação ou insatisfação de suas necessidades (demandas). Uma das resultantes imediatas deste processo é a transformação do outro em instrumento, ferramenta, meio para satisfazer desejos (deseja-se o que falta) e necessidades (é o que permite sobreviver). O outro passa a ser caçado e utilizado para apoio e prazer.
A distorção é resultante da manutenção de posicionamentos, da quebra da dinâmica relacional do estar no mundo. Inicia-se assim, um processo que se caracteriza por buscar metas, por autorreferenciamento etc enfim, distorção perceptiva, unilateralização.
Neste contexto, tudo que se percebe, consequentemente o que se pensa - pensamento é prolongamento da percepção - é binário, mecânico, limitado: é bom? É ruim? Serve? Não serve? Este referencial, esta matriz verifica e avalia tudo que ocorre. Qualquer situação nova vai ser assim examinada. Nada é feito ao acaso, nada…

O oposto como semelhante

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O semelhante é o igual, o oposto é o diferente. Como entender oposto como semelhante, como sair deste antagonismo, desta divisão?
As situações estão colocadas como paralelas, não há possibilidade de antítese, de confronto; existe assim a impossibilidade de surgir síntese, no caso, comparação dessa contradição, quase non sense.
Opostos são contrários, são polos de uma mesma unidade. Só através da mediação podemos categorizar a oposição. Opostos pela condição de riqueza e pobreza, mas semelhantes enquanto seres humanos, por exemplo, é elucidativo.
Quando se fala, por exemplo, em o ser e o mundo, em opostos ou antagônicos, gera-se sempre continuidade, gera-se semelhança quando é percebida a mediação que os dividiu, que os transformou em opostos.
Ir além das parcializações, dos posicionamentos, possibilita perceber o outro, sua humanidade. Entrincheirados nas classificações sociais, econômicas, nos tipos físicos, nos critérios estéticos, transformamos as aparências, as resultantes, em …

Interno e externo não existem

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Interno e externo são apenas indicadores semelhantes a direita e esquerda quando indicamos direção. Sempre exigem uma referência a partir da qual são estabelecidos.
O uso frequente dos termos interno e externo transformou-se em metonímia, um filtro, uma lente pegajosa que atrapalha a percepção, a categorização do que é humano, do que é psicológico.
Freud, por exemplo, falava em "realidade externa" e a via como projeção do inconsciente. Para ele, esse processo de projeção era gerenciado, controlado pelo próprio inconsciente e caracterizava a natureza humana. Essa dicotomia foi tão divulgada e incorporada ao pensamento ocidental de maneira geral, que atualmente, qualquer coisa diferente disto pode até ser entendida e aceita, mas sempre é vista como tradução da mesma questão.
Para mim não existe interior, não existe exterior, existe uma relação.  Uma coisa "interna" a A é "externa" a B e vice-versa. Trata-se de mera sinalização. Sinais são convenções. Tud…

Dividir para entender, dividir para limitar

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Dividir sempre fez parte das estratégias de vida, estratégias de guerra e organização das comunidades.
Ir por etapas, seguir o passo a passo é a regra para análise e resolução de problemas. As classificações, as tipificações são fruto de divisões. Dividir é separar, fracionar, quebrar, criar classes, tipos. Separa-se para em seguida agrupar-se na tentativa de organizar e entender.
Desde pequenos somos ensinados a pensar e agir a partir das divisões. Crianças aprendem a traçar, a demarcar territórios, separarando conceitos que são indissolúveis. A reta, por exemplo é uma sucessão infinita de pontos, o ponto é interseção de infinitas retas. Esta sequência de relações foi transformada na afirmação: ligando o ponto A ao ponto B, temos uma reta. Uma simplificação que leva a ignorar os infinitos pontos da reta e sua interseção com outras retas. O resultado é que se segue na vida imaginando setas ----->  interações entre pontos previamente determinados <----> pensando tudo em term…

Preconceito

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É o conceito antecipado, é o entendimento, o conhecimento independente da relação que se estabelece com o conhecido. É a cópia, a reprodução a sobreposição de conhecimentos prévios sobre situações novas. Conceitos antecipados geram cópia, genéricos usados sempre em abundância, necessitando, portanto, de catalogação e arquivamento para estar sempre prontos para o uso.
A sabedoria popular, através de sua coleção de provérbios, também ajuda a incorporar experiências responsáveis por conceitos antecipados, por preconceitos. "Quem vê cara não vê coração", "diz-me com quem andas que te direi quem és" são alguns exemplos. Segui-los, orientar-se  por este saber disseminado pela vox populi é impermeabilizar-se às próprias experiências. Estes filtros são mediações que obscurecem. Fica impossível perceber igualdade quando tudo já está carimbado e descrito como bom, ruim ou prejudicial.
Na Idade Média, além de regras de conduta e geradores de advertências, os provérbios repre…

Sem saída

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Vivenciar o presente pode ser sinônimo de vivenciar o desagradável, despropositado e ameaçador. Situações de guerra, assalto, doença, desastre deixam isto bem claro. Essas ocorrências determinam  ansiedade, medo, que é a omissão diante do que ocorre ou determinam coragem e participação.
Ter medo é se omitir, é colapsar, sumir diante do que está acontecendo; isso se dá às vezes através do desmaio, através do desespero, dos gritos e das rezas obstinadas. Havendo participação não há medo: se enfrenta ou foge, às vezes única maneira de enfrentar, ainda ação.
Quando não temos metas - ou seja, planos e desejos a realizar no futuro, que não têm estrutura na própria realidade - não estamos divididos ao vivenciar o presente. Esta organização nos permite não colapsar com os impactos, o caos, a desorganização que está acontecendo no presente. Esta atitude cria perspectiva de vida responsável pelo descongestionamento; "o grande horror" que acontece adquire proporções menores, suportáv…

A vontade de dar certo é um erro

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Só se pretende um futuro diferente do presente, quando não se aceita o que se está vivendo. Partindo de uma incoerência, desejando o que não está estruturado em seu presente, chega-se ao desacerto. Ninguém, satisfeito em estar vivo, deseja morrer (futuro), por exemplo. Vivenciar o presente integralmente não deixa brechas para avaliar. Só em vivências parcializadas é que surge a comparação, a avaliação. Esta divisão estabelece o bom, o ruim, o satisfatório, o insatisfatório; cria inveja, ganância, medo, insegurança. A continuidade é quebrada e classificações e tipificações aparecem.
Querer dar certo é pensar em resultados, é vivenciar o presente como ponte para atingir metas.
Evitar o que se considera prejudicial e insatisfatório demanda estratégias e esforços e assim se começa a construir metas que, quando realizadas, geram vazio. Para validar e justificar os esforços, busca-se a todo custo, manter o conseguido.
Frequentemente obstinação, compulsão, medo, aumento da necessidade de s…

Formação de identidade

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Formação de indentidade é um processo decorrente do relacionamento com o outro em um determinado contexto cultural, social, histórico.
Todo conhecimento é perceptivo, é relacional, este processo identifica o humano, permite dizer que ele é constituido pelo outro enquanto ser no mundo.
Frequentemente o que se chama identidade se refere às características culturais e sociais. O fazer parte da cultura X, Y ou Z, o estar inserido em determinados grupos sociais,  estar inserido em determinada classe econômica, determinam oportunidades, impedem satisfação de necessidades tais como a de comer nutritivamente, por exemplo. Surgem os pobres, os ricos, os remediados e medianos, as minorias etc. O acesso à educação é também outro fator usado como identificador.
Nenhuma destas dimensões açambarcam, identificam o humano. A impossibilidade de identificação se faz sentir quando nos deparamos com as pulverizações do conceito de identidade: identidade étnica, identidade cultural, identidade sexual, id…

Padrões e costumizações

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Outro dia, lendo Proust - Jean Santeuil* - achei engraçado o que ele escreveu sobre Sarah Bernhardt, a famosa atriz de teatro do sec. XIX, ele dizia:  "... assim como todo amador apaixonado pelo talento de Sarah Bernhardt sentiria diminuir sua paixão no dia em que, mesmo que continuasse grande artista, Sarah Bernhardt já não falasse mais com os dentes cerrados, sempre rindo, bem depressa, sem que se entenda bem o que diz..."
No tempo de Sarah Bernhardt era possível se apresentar fora dos padrões, era possível expressar seus próprios hábitos. As idiossincrasias eram aceitáveis e identificadoras. O "politicamente correto" não era o determinante. 
Atualmente, para se apresentar seja na festinha do amigo, na repartição pública, na empresa, no palanque ou na TV, para ser aceitável é preciso preencher algumas regras, atender alguns padrões. Além do "sorriso branco total" comum à todas as celebridades do mundo do entretenimento, de políticos, de jogadores de f…

Hybris e onipotência

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A não aceitação de limites possibilita vários deslocamentos, um deles consiste na tentativa de ultrapassar o limite. Essa desconsideração do que está diante é gerada pela onipotência oriunda do autorreferenciamento. Ao se perceber impotente, surge aceitação ou não aceitação desta vivência. Recolhimento ou exacerbação vão caracterizar esta constatação. A onipotência é um deslocamento da impotência. Não existem duas situações: onipotência e impotência. A impotência não aceita e deslocada, configura a onipotência.
A construção de imagens, máscaras aceitáveis é característica dos que vão além da própria dificuldade, atingindo bons resultados que camuflam e parecem neutralizar os limites. Gigantes de pés de barro nascem. Escorar-se nos bons resultados obtidos, exibí-los, é uma atitude indicativa de que problemas foram superados e assim agindo aumenta a necessidade de mostrar, de exaltar o conseguido.
Na atitude onipotente, a vida é resultado, não é processo; não importa como foi consegui…

Limites e transformações

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Aceitar o limite é transformador. Quando a percepção muda, o que antes limitava passa a ser percebido como um contexto, como realidade na qual o limite está estruturado, ele já não é um obstáculo.
Esta evidência gera mudança podendo criar, entre outras coisas, liberdade, responsabilidade e autonomia. Exemplifiquemos com algumas situações: uma do herói, outra do cidadão comum, outra do sobrevivente oprimido.
Sísifo, apesar de mortal, desafiava os deuses gregos (era, ele próprio, filho de deuses e tido como muito inteligente e rebelde). Em uma das versões do mito, Sísifo é castigado por tentar salvar Prometeu, o titã condenado por Zeus por ter roubado o fogo para entregá-lo aos humanos. O castigo de Sísifo consistia em diariamente carregar uma enorme pedra até o cume da montanha, pedra essa que era empurrada de volta à base, obrigando-o a novamente carregá-la montanha acima dia após dia. Depois de muito esforço e desespero, Sísifo percebeu que seu castigo não era apenas levar a pedra a…

Monotonia

Quando o aderente é o fundamental o ser humano se escraviza ao que o aliena.
O vício (não conseguir desempenhar suas funções, não conseguir viver sem estar alcoolizado; a droga como sedativo constante do sofrimento, da dificuldade de estar no mundo com os outros), o viver em função dos outros, ou em função das aparências, ou das instituições que dignificam, que conferem status são formas de aderência.
Intrínseco, imanente é o constituinte, o legítimo. Imanente ao humano é sua possibilidade de relacionamento com os outros, consigo mesmo e com o mundo. Transformar esta possibilidade em necessidade de relacionamento, em carência* faz surgir aderência explicitada gradualmente em satisfação e insatisfação.
Possibilidades exercidas não são quantificáveis ou "quando se trata de direito não há legitimidade", como dizia Luypen, fenomenólogo holandês. Não se discute a legitimidade de caminhar, embora se discuta para onde se pode ir.
Dirigir as possibilidades para alvos específicos cr…

Despersonalização

Despersonalização é o que acontece quando se vive para ser ou não ser o que os outros (pai, mãe e mais tarde os amantes e amigos etc) desejam que seja.
As imagens construidas existem para compor os diversos personagens. Rebelando-se ou atendendo as expectativas ou imposições, sendo ou não, o que se espera que seja, o indivíduo se circunstancializa, começa apenas a concordar ou a discordar com o que lhe é proposto; surgem os enquadrados, ajustados e os revoltados, enfim os marginais. Ambos estão cooptados pelos sistemas, ambos sem autonomia. Não questionam, não fazem perguntas apenas respondem, reagem ao proposto. 
Este processo não cria individualidades, entretanto, estabelece espaços, posições, direitos e deveres que demarcam e estabelecem seus caminhos e motivações. 
A permanência destas aderências, destas "externalidades" inicia o processo de despersonalização. Vive-se para conseguir realizar propósitos, atingir situações à partir das quais pode ser alguem socialmente co…

Impasses e conflitos

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Para a psicoterapia gestaltista, neurose é um processo que se caracteriza pela não aceitação.
Os relacionamentos familiares trazem padrões sociais significativos de acertos, erros, coisas boas e coisas ruins. Os resultados alcançados são compilados, e comparados; as pessoas são elogiadas ou criticadas, rejeitadas ou aceitas, mas sempre dentro de padrões. Neste processo se estrutura a experiência da não aceitação enquanto individualidade ao mesmo tempo em que se estrutura a aceitação ou não aceitação enquanto acertos ou erros determinados pelos padrões. Assim estruturados não há aceitação como individualidade, mas sim como indivíduos que acertam ou que erram. A pessoa não se sente aceita pelo que é mas sim pelo que pode ou não conseguir e consequentemente, não se aceita mas quer ser aceita. Para conseguir tal incoerência - não se aceitar e querer ser aceita - ela tem que camuflar o que não aceita em si, enganar, esconder, mentir, ousar e tentar. Neste jogo surgem sintomas, posicioname…

O silêncio da maioria

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Do ponto de vista psicológico, como entender o surgimento e manutenção de ditadores, torturadores, poderosos corruptos e genocidas, exploradores de toda ordem? Da mesma forma que entendemos o delator, o desesperado, o omisso, o submisso: pelo processo da não aceitação. Não aceitação não é algo quantificável, não existe não aceitação maior ou menor. Da dona de casa, mãe e esposa, do pai, trabalhador e marido, do adolescente ao jovem estudante até aos abusadores de poder (políticos, religiosos, patriarcas etc), a não aceitação é o denominador comum da inautenticidade, da desonestidade, da maldade.
Não se aceitar e querer ser aceito é um movimento contraditório, paradoxal. É a desonestidade, o disfarce, a inautenticidade.
No processo da não aceitação, por tudo que viveu, ouviu e fez, pelo esforço satisfeito e insatisfeito, o homem percebe que ele só vale se aparentar ser o que não é. Através do disfarce consegue enganar e, ao esconder o que ele considera precário, realiza sua sobrevivên…

A certeza como engano

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Certeza, crença, convicção, dúvida, além de constantes na vida psicológica são temas tradicionais das discussões teológicas e da reflexão filosófica, amplamente conceituados e sistematizados nas várias teorias, tanto na religião, quanto na filosofia e na ciência.
Para nós, a certeza é um estado psicológico que se caracteriza por impermeabilização que impede a dúvida.
A unilateralização das vivências e desejos se constitui para muitos, em um porto seguro, uma âncora que garante não ser arrastado pelos ciclones das mudanças e da impermanência.
Ter certeza, jamais se questionar, jamais duvidar das próprias convicções ou da visão que tem de si é uma tentativa de evitar a ameaça da impermanência e a hesitação que a acompanha, é uma maneira de manter-se focado nas próprias metas.
A instrumentalização das possibilidades, a instrumentalização da crença de ser honesto, bom e capaz como um a priori, por exemplo, impermeabiliza. Manter a priori, instrumentalizar habilidades ou característica…