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Showing posts from September, 2012

Novo

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O novo não é o recente, contemporâneo, tampouco o inédito. Novo é o antagônico entre o que se vê e o que se espera ver. Neste sentido, novo é apenas o que pode surpreender. Arquitetos, estilistas, decoradores, publicitários, enfim, os que lidam com arte estão sempre trabalhando com o novo, mostrando como o démodé, o vintage é novidade total. Manter o novo é uma maneira de exilar o tédio, o previsível, o padronizado.
Seguir regras, etiquetas, sempre foi um fator de monotonia. Poetas rebeldes, a geração beat criaram o "épatér les bourgeois" como maneira de dinamizar, diversificar o dia-a-dia. Superar, quebrar o tédio também não significa bem-estar, tranquilidade. Um terremoto em uma zona não sísmica é uma tremenda novidade, desagregadora e destruidora. Organizar não é repetir, criar não é administrar situações para finalidades úteis, aceitáveis.
Este conceito de novo como surpreendente permite entender o clássico,  o estabelecido independente de circunstâncias (contingências)…

Igualdade e diferença

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O igual é o diferente. Falar de igualdade ou de diferença pressupõe um terceiro ponto de comparação. Ser igual a A é ser diferente de não-A. Cachorros semelhantes entre si, por exemplo (são todos cachorros), são diferentes enquanto eles próprios (indivíduos).
Da mesma forma, a continuidade mantém igualdade ao estruturar as diferenças. Heráclito dizia que as águas do rio onde o homem se banha nunca são as mesmas, "não se pode entrar duas vezes no mesmo rio". O rio é contínuo, passa, o imerso  não continua ou ainda a água que passa pelo calcanhar é outra diferente da que passa pelos dedos dos pés.
Continuar e permanecer são também paradoxos contidos nestas afirmações resultantes de contextos estruturantes não explicitados.
Só pode continuar o que permanece, tanto quanto a divisão traz em si sua unificação. O que divide é o mesmo que unifica. Polaridades sempre traduzem unidades se globalizados seus contextos estruturantes. Perceber o diferente como o igual é um dos grandes m…

Responsabilidade

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Responsabilidade só é possível quando existe autonomia. Ser responsável não é simplesmente cumprir tarefas, não se caracteriza por obediência. Responder pelos próprios atos ou pelos praticados por aqueles pelos quais somos responsáveis é a definição socio-jurídica de responsabilidade.
Ser responsável é não usar os outros e não se deixar usar. Obedecer ordens, cumprir o dever sem questionamento é apenas servir de base de sustentação para sistemas alienantes e até crueis.
Perceber as implicações do que se faz é ir além do que é feito. Este ir além, só significa responsabilidade se for tomado como contexto estruturante. Desincumbir-se de tarefas e ações sugeridas pelo mestre, mentor, pais ou qualquer autoridade, pode significar grande irresponsabilidade se não houver autonomia que permita o questionamento das tarefas, missões ou obrigações. Desde seguir a mesma profissão do pai, até votar em seu candidato pode ser apenas obediência, simpatia irresponsável.
Saber que o que se faz é fei…

Iniciativa

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Iniciativas não são atitudes inesperadas, súbitas.
A iniciativa sempre decorre de decisões, neste sentido, havendo unidade, existe iniciativa. A constatação das implicações, a percepção do que está ocorrendo sem autorreferenciar, não gerando dúvida, não gera vacilação, é a globalização dos dados relacionais, sem divisões, pois que não existem contradições ou complementações. Tudo é contínuo, qualquer momento é iniciador e também finalizante; a decisão está contextualizada no processo e nas suas implicações.
Para o indivíduo que não está posicionado, sem emergências arbitrárias, a iniciativa, a decisão são constantes; aparecem sob forma de participação, de presença. O que está ocorrendo indica sua continuidade, tudo é espontâneo, tudo é contextualizado. Não existe necessidade de esforço, não existe regra. Não há "o tem que" ou o "deve ser".
Decidir é ter iniciativa, é o se propor a, estando presente e dialogando com o que acontece.
Qualquer coisa que…