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Garantia

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Garantia é a repetição de certezas. A validade por meio do resultado é o lucro do que se investiu. Nesse contexto, a primeira regra para estabelecer garantia é criar e manter aparências que possibilitem acordos e acertos. Seguir e estabelecer os contratos sociais - das profissionalizações aos casamentos e acertos empresariais - cria locais, topos, cumes de visibilidade e assegura autoridade, tranquilidade e impunidade.
Garantir é enfeixar, é amarrar, instituindo critérios e termos nos quais as verdades soberanas e estabelecidas governam e decidem. É assim que se consegue transformar garantia em realização e sucesso. Não precisa ser, nada mais é necessário do que representar. E representar é duplicar seu espaço, ocupando-o pelo sublinhamento, pela ênfase de referenciais validados pela aceitação do que é considerado bom. A cabeceira de uma mesa, por exemplo, em determinada sala, é tão significativa e simbólica que já laureia e nobilita quem a ocupa, por isso é sempre desejada. Faixas t…

Cautela e ansiedade

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Quando o indivíduo mantém aspirações do que deseja e que não tem, como se já estivesse acontecendo, tentando realizar essas aspirações, equivale a construir plataformas que o lançam para outra dimensão - o futuro. Esse viver irreal, desde que não presente, cria inconsistência e consequentemente provoca imensa necessidade de apoios.
Viver em função do futuro, preparando melhorias e criando condições para mantê-las é uma das atitudes geradoras de medos, ansiedade e rigidez.
Observar o que existe, o que se constitui em fracasso ou em vitória orienta o planejamento do que vai proteger, do que vai evitar ameaças. Esse planejamento consome a vida, subtrai esforço, diminui referenciais. Tudo é feito em função de sobreviver e bem viver. Automatismos são criados, tanto quanto mecanizações que só existem para possibilitar sucesso e evitar sucumbir ao medo de falhar, ao medo de não conseguir.
A vida passa, a velhice chega e a prudência, a preparação para vencer é então encontrada como sinônimo…

Relativismo sem fulcro

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Coerência e lógica são parâmetros produtivos para se estabelecer critérios, consequentemente, comportamentos. Quando tudo é feito por ser necessário ou por se desejar, a circunstancialização dos atos, dos comportamentos cria verdadeiros comprometimentos, anula possibilidades e converge tudo a atos aleatórios nos quais apenas se exercem vontades pessoais, desejos autorreferenciados.
Qualquer comportamento do indivíduo expressa suas fragmentações, divisões, circunstâncias ou sua unidade. Quanto maior a fragmentação, maior o descontínuo, o desconexo. Tudo se relaciona a tudo e tudo está disperso, perdido. Os polarizantes que situam podem estar no mesmo plano dos que fragmentam. Quando tal acontece, isso é mais um fragmentador. Querer sempre ser o melhor, o mais lúcido, ter a verdade e determinar o certo e o errado, é uma maneira de fragmentar, de discriminar, pois tudo é referenciado no certo/no errado, para o bem/para o mal, do próprio indivíduo. A existência do prévio, a própria vont…

Afetos alugados - Filhos e parentes

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Em um primeiro instante fiquei estarrecida com a reportagem da Revista Piauí “Teatro Familiar Alugar Parentes é um Negócio que Floresce no Japão",  mas logo depois percebi a obviedade e banalidade da situação.
Essa situação é banal e óbvia do ponto de vista das trajetórias do capitalismo de mercado, no qual tudo é produto que pode ser consumido, mas é avassaladora enquanto despersonalização e redução da individualidade à condição de mera função representativa de seus pilares institucionais e afetivos. Sentir falta de um companheiro que morre, e alugar, de uma firma que trabalha nesse negócio, uma pessoa que decora um script, aprende hábitos e atitudes para ocupar o vazio da carência deixada pelo companheiro que morreu, é, no mínimo, revelador de compromissos e conveniências.
Nos atuais sistemas político-econômico-sociais tudo pode ser significado pela representatividade, nesse sentido, tudo fica reduzido à funcionalidade. Funcionar é estabelecer satisfação, é preencher vazios,…

Montagens e despistes

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As aparências enganam desde que elas são construídas. Acontece que tudo é construído, até mesmo o natural. A questão não é o resultado, é o ato, a atitude.
Quando se manipula a realidade é sempre buscando objetivos criados pela não aceitação dos limites e de si mesmo. A construção da aparência é a mentira, a falsidade que propicia vantagens, mas que desvitaliza, fragmenta e desumaniza. Ser o que se é, é a única dinâmica que permite transformação.
Ampliar o real, considerar e avaliar como ele será percebido, estabelece variação, aparência. Saber que se é considerado, assim como ser tratado bem quando se é educado, bem vestido e simpático, reforça a busca para realizar essas ações, para conseguir aparências que levam a esses efeitos. Quando se faz isso é como se fosse criador do desejado.
Acontece que enganar já é deslocamento de tensões, de impotência e desejos a realizar. Vale reproduzir a história de Prometeu e seu confronto, sua tentativa de burlar Zeus - o deus -, mas que resulto…

Reflexo no espelho - despersonalização, descoberta

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No espelho o outro sou eu, ou, no espelho me vejo e percebo. O reflexo é uma perspectiva que permite encontro e descoberta. Descoberta de quê? Do espelho? Do semelhante? Do outro? De mim?
A depender da resposta encontramos diversos temas e problematizações. Quando me vejo no espelho, ou qualquer superfície que reflete, Narciso se impõe, padrões ou rejeições aparecem. Se espelho for a resposta, o mundo da física nos invade, a questão da luz, da superfície polida, inversões e artefatos, tecnologias são as perspectivas.

Pensar no semelhante, no outro como idêntico ou diferente nos leva também a outras considerações. Abordagens biológicas melhoram as divergências da vivência com o outro, com o diferente ou igual, a depender de suas sincronias culturais. Quando o reflexo no espelho nos traz revelações, quando vemos que estamos olhando, quando percebemos que percebemos, surgem constatações, reflexões, perspectivas psicológicas, pensamentos.
Eu sou o outro, o outro é o igual, é eu, isto é b…

Esforço

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Olhar em volta e se sentir inferiorizado e estigmatizado provoca medo, revolta, não aceitação e também pode criar determinação para mudar esse estado de inferioridade e de submissão.
Há um erro inicial, há uma distorção que tudo compromete. O sentir-se inferior e estigmatizado já decorre de avaliação, ou seja, da introdução de valores estabelecidos pelo outro - família, sociedade - que são percebidos como parâmetros, padrões, critérios, espelhos nos quais se olha, se contempla, se percebe e vê a não correspondência com o que é considerado bom, valorizado e válido naquela família, naquela sociedade e por seus semelhantes.
Viver em função dessas regras e avaliação, desses critérios, e com eles dialogar, é se transformar em objeto. Essa metamorfose cria rigidez, endurecimento, posicionamento. O indivíduo vira objeto, é despersonalizado em função do que vai realizá-lo, dinamizá-lo, enriquecê-lo. É o vazio, é a construção de metas e objetivos a fim de “virar gente”, de significar e ser a…

Neutralização das circunstâncias

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É muito difícil neutralizar circunstâncias. Equivale, em certo sentido, a deter uma corrente de água, a deter multidões cegas ou manadas de touros ou búfalos, por exemplo. Para poder observar esses fenômenos é necessário estar em planos diferentes dos quais os mesmos ocorrem. Com isso não quero dizer que se deva estar em posições vantajosas, não se trata do conhecido “acima da carne seca” ou o “assistir de camarote” popularmente consagrados para referir-se a posições privilegiadas.
Só podemos neutralizar circunstâncias quando transcendemos necessidades pela realização de nossa possibilidade humana. A única forma de neutralizar circunstâncias é não ser circunstancializado. É o não viver em função da satisfação de desejos, da busca de realização de bem-estar, da realização de propósitos, sonhos e metas. Estar preso ao sonho, viver para realizar grandes ideais e propósitos transforma o ser humano em um barco, um objeto ao sabor de correntes - circunstancialização que o aliena e despers…

Perfídia

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Engano deliberado, traição, insídias e estratégias para consecução de objetivos que vão desde encobrir o que se considera vergonhoso até realizar o que se ambiciona pode ser resumido como perfídia. O característico do engano pérfido é a deslealdade, é o fingir, o fazer de conta.
Pode haver traição sem perfídia. E embora na traição haja também deslealdade, pode não existir o faz de conta, o despiste, as máscaras, que, além de esconder, indicam outras fisionomias. 
A pior máscara é a do bem, pois não se pode apoiar o bem naquilo que não é verdadeiro. Máscara é aparência e aparentar é enganar. Disfarçar-se de bondoso é perverso, seduz e impede dúvidas desde quando novas configurações são indicadas por meio da nitidez que dispersa sombras e ambiguidades, mas que esconde sempre outros interesses.
Pérfidos são os indutores. Levam indivíduos a situações que jamais seriam acatadas pelos mesmos, mas que por meios e artifícios aparentam ser diferentes do que são, explorando e confundindo as …

Desmoralização

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Descobrir o que está escondido é esclarecedor e é revelação, mas também é desmoralização quando o que é descoberto foi escondido por pessoa, ou pessoas, em função de objetivos escusos ou criminosos de pessoas ou de grupos partidários, religiosos etc.
Usar pessoas, ameaçá-las, coagi-las a práticas destrutivas, infames ou sexualmente lesivas, a fim de realizar desejos perversos e objetivos criminosos, sempre são ações escondidas. Os conhecidos roubos de heranças dos parentes, os “golpes do baú”, as apropriações indébitas do patrimônio do outro ou da União, o roubo das verbas escolares e da saúde, os abusos sexuais contra mulheres ou feitos às crianças educandas e aprendizes (pedofilia), tudo isso é escondido e sempre escamoteado.
Inúmeras imagens sociais, consideradas e aceitas, funcionam como máscaras que ocultam, que despistam, que impedem dúvidas sobre condutas desonestas e perversas, imagens tais como: o homem de bem, o chefe de família, o sacerdote, o que doa aos pobres, o Santo…