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Estabilidade

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  Qualquer situação é passível de estabilizar ou desestabilizar. As diferenças decorrem das participações. Ao conviver com o que infelicita e corrompe se consegue dizer não ou se acomodar. Ao negar, contradizer o que aliena e infelicita se estabelece negação e contradição responsáveis por nova direção. Nos relacionamentos familiares e profissionais isso é constante. Não questionar, se omitir, se acomodar em função de medos, vantagens, desvantagens ou desajuste oprime. Cada situação que causa estranheza, deve ser questionada. Só assim percebemos que é melhor mudá-las ou que é melhor  transformar nossas atitudes em relação às mesmas. Odiar a casa que se mora, desejar outro chefe, querer amigos mais prestativos são indicadores de não aceitação e metas frustradas. Perceber as próprias insatisfações e frustrações amplia as possibilidades de se sentir melhor com o que está diante de si, tanto quanto cria a urgência de transformá-las. O bem-estar, a tranquilidade dependem da estabilidade. Ess

Aceitação do que ocorre

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  Aceitar o que ocorre, mesmo quando limitador e opressivo, é o que permite ultrapassar antagonismos. Aceitar é o ponto de apoio, o fulcro a partir do qual as situações são modificadas, transformadas. Situações cruéis e extremas, tais como descobrir que o amigo é o inimigo que ameaça, que o pai é o violentador, ou que é a própria mãe quem propicia sua venda ao próximo caminhoneiro por exemplo, tais situações fazem com que se mude de atitude quando se aceita a percepção de que não existe mais o amigo, o pai, a mãe. O que existe são lobos em pele de ovelha, que despistam suas ações perversas na corrida para conseguir seus objetivos. Nessa percepção, o chão, a terra desabam. Essa mudança, a aceitação do que ocorre, perceber que o pai é o monstro que ameaça (no exemplo acima) permite que se lute, fuja, denuncie, enfim, que seja tomada outra atitude. Enfrentar a crueldade do outro é possibilitador de mudança e o enfrentamento só é possível quando se aceita a realidade percebida. Se acomodar

Nada além do que se vivencia

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  Nada além do que se vivencia, essa aparente pontualização, nada mais é que a total vivência de estar no presente contextualizado no próprio presente. A vivência do presente contextualizada no presente é característica da infância feliz (cada vez mais inexistente, pois invadida pelas regras e normas de utilidades, vantagens e necessidades). É também frequente, embora fugaz, nas vivências afetivas nas quais, pela intimidade, pelo prazer se é cercado por um turbilhão circunstancializador. São cada vez mais raras essas vivências, pois as expectativas de resultado, o medo de ser rejeitado, tanto quanto os anseios de conquistas interferem nas vivências do presente. Criam ilhas de expectativas e os recursos apelativos de performances e imagens voltadas para conseguir realizações geram simulacros, escondendo o que se é e revelando outros aspectos considerados aceitáveis e irreprováveis. Sem vivenciar o presente contextualizado no presente são construídas paredes protetoras, que são também as

Surpresa e cálculos

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  A percepção do que existe, a vivência do presente se torna exequível quando vivenciamos o que está diante de nós como o que está diante de nós. Esse se despir de desejos e significados faz apreender o que se dá, o que acontece enquanto ocorrência. Estar diante do outro, do além de mim, do que me continua, quebra aprisionamentos inclusive os de catalogação e sistematização. É a voragem - essa sucessão -, fluxo de vivências que dá continuidade ao que acontece, ou seja, ao que está acontecendo independente do que significa. Essa continuidade de vivências tudo muda. Via de regra acontece o que pode acontecer e assim nada causa surpresa, nem sai do lugar. As utilidades/inutilidades são os legalizadores do que acontece, do que pode ou não deve acontecer. Atualmente, até a própria morte ou a dos outros é calculada, estabelecida ou evitada. Inúmeras proteções e neutralizações são criadas até mesmo a ideia de morte necessária, utilidade descoberta para evitar desgastes, privações e tristeza.

Apreensão da totalidade

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Ultrapassar os limites da reação mecânica - reflexo dos e aos estímulos desencadeadores de respostas - permite ao indivíduo globalizar os acontecimentos, os fenômenos que ocorrem. A vivência do presente contextualizada no próprio presente, o estar inteiro e voltado para o que ocorre é o que possibilita essa vivência. Quando se está buscando atingir resultados e conclusões, tudo que acontece é conduzido para tais objetivos; sequer se percebe a totalidade das ocorrências, pois elas são segmentadas e utilizadas para o objetivo que se deseja. É a vivência fragmentada na qual a parcialização se transforma em impedimento para a percepção de totalidades. Na esfera individual, o querer realizar desejos é sempre obscurecedor, turva detalhes, deforma características. São clássicos os exemplos entre mestres e discípulos, como o de mostrar a lua para o aprendiz e ter como percepção pregnante por parte dele, o dedo que aponta e não a lua; é a transformação da parte/todo que aliena e exila possibili

O em si

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Kant afirmava que a coisa-em-si jamais poderia ser conhecida, pois não há um absoluto configurador. Para ele, é sempre por meio de outros conceitos, situações ou pessoas que a coisa-em-si é conhecida. Nem sempre os psicólogos pensam nos fundamentos epistemológicos das questões com as quais estão lidando. Para mim, entretanto, a abordagem epistemológica se impõe ao lidar com as estruturas perceptivas na própria prática terapêutica. Entendo que só por meio dos estudos da percepção é possível configurar o Ser, o Eu, o Si mesmo, tanto quanto o medo e a esperança, por exemplo. Não há o em si, não há a coisa-em-si, não há o absoluto, tudo que existe, existe enquanto relação. O estar diante, o estar com, o pensar sobre, o perceber o que ocorre são os dados relacionais que configuram e contextualizam. Não existe o absoluto, ou, o único absoluto é o relativo. Só há sombra se houver luz, morte caso haja vida, enfim, os opostos se continuam, gerando unidades polarizadoras. Os polos são aspectos d

Problemáticas humanas - questões estruturantes VI

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  Ter autonomia é ser gerido, regulado e orientado pelos próprios referenciais de sustentação. Essa é a base relacional, processual que permite vivenciar o que acontece enquanto esclarecimento. É o diálogo com o que se dá, com o que ocorre e que delineia direção e motivação. A globalização desse processo  implica na manutenção da unidade individualizada, fazendo com que não se vivencie o que ocorre em função de referenciais passados ou perspectivas futuras. Estar contido, limitado ao presente é estar sendo esgotado e situado no que acontece. Essa totalização de demandas, de configurações, unifica, pois o vivenciado é açambarcado enquanto possibilidades realizadoras e superadoras da própria vivência. Não se fragmenta em circunstâncias, não se divide em conflitos. Fundamentalmente essa vivência impede a trituração que fragmenta, dispersa e faz ancorar, estacionar nas circunstâncias que aplacam necessidades. Estar coeso, inteiro é o contexto no qual se estrutura autonomia. Exercendo a con

Problemáticas humanas - questões estruturantes V

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  Quase a totalidade das pessoas que buscam psicoterapia o fazem para diminuir ou resolver sintomas que atrapalham seu bem-estar na sociedade: angustia, ansiedade, desespero, medo, inibição, insônia, apetite compulsivo, anorexia, desejos sexuais compulsivos e obstinados, por exemplo. Esse tipo de busca psicoterápica já esclarece o que se deseja adquirir, o que se deseja normalizar. Essa escolha - fazer psicoterapia - esconde a chave que tudo explicita: a não aceitação, o não se sentir aceito, o não se aceitar. Essa estrutura de não aceitação é o que é deslocada por meio dos sintomas e aplacá-los promove ajuste, satisfação, mas não transforma as individualidades. Quando não ocorre esse processo de transformação o indivíduo é sedado em suas demandas existenciais e adequado a suas necessidades de sobrevivência. Geralmente as psicoterapias são exercidas como processos educativos que oferecem as melhores possibilidades para exercer antigas e esclerosadas necessidades. Não esquecer que elas

Problemáticas humanas - questões estruturantes IV

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Quando o fundamental é esconder fragilidades - não aceitações -, se busca trocar de pele, de aparência, removendo marcas ou cicatrizes. Sem certeza do sucesso começam as desistências. Os topos, cumes de montanhas, foram alcançados, mas as marés quando mudam, quando crescem, tudo submergem. Ansiedade, tensão, medo, expectativa constroem angustia e o desespero do estar no mundo sem certezas e sem garantias. A única certeza, que é a morte, o final de processo, apavora. Essa desintegração do indicado estabelece depressão, delírios, taras nas quais o outro é usado para aplacar e servir sua impotência, sua degradação enquanto indivíduo. Maldade, crueldade contra os mais fracos são constantes. Submeter e utilizar crianças para os próprios prazeres sexuais - substitutivos do não conseguir se realizar sexualmente -, maltratar e oprimir, são exemplos da incessante repetição da utilização do outro como exercício de poder, de prazer e crueldade. Quanto mais esse processo fragmenta, mais o indivídu

Problemáticas humanas - questões estruturantes III

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Ao se confrontar com os valores culturais se coloca a questão de adequação ou de inadequação. É a verificação, a constatação do estar ou não estar dentro do padrão valorizado. Saber se representa, se significa o que é socialmente considerado bom, melhor e adequado cria escalas de medida, padrões. Caindo em índices inferiores, estando abaixo da média, ou fora da mesma, do que é considerado válido, bom e passível de investimentos e aplausos, o indivíduo se sente subtraído, inferiorizado, mas se amolda, se adapta ao lugar que lhe é destinado. Esse processo é caracterizado por constantes ajustes e desajustes. Buscar adaptação quando se está abaixo do estabelecido como bom constrói pistas de competição onde driblar é uma constante. Nesses casos, parecer ser o que não é passa a ser um despiste fundamental para conseguir sucesso. Truques e muitos recursos são utilizados, tanto quanto um arsenal de comparações é mobilizado. Ostentar o anel de doutor no dedo, ser afilhado da autoridade paroquia