Postagens

Featured Post

Comportamentos esquemáticos

Imagem
Seguir um esquema é procurar seguir uma receita, é procurar ter bons resultados. Esse comportamento é sempre deficitário, pois estruturado em outros contextos funciona como encaixe rapidamente transformado em quebra-cabeça ou acerto de figurinhas que se parecem. Assistir os esforços das mães querendo educar os filhos de acordo com tudo que é preconizado por psicopedagogos e psicólogos é exemplificador dessa atitude. A agenda recreativa, lúdica, cultural e esportiva é movimentada, tudo é dado, menos o contato direto com os pais, única possibilidade de amor e de carinho. É um caminho que valoriza ganhos e sucesso e a questão do ganhar dinheiro, do exercício profissional, que sempre cria outras demandas e variáveis. As dietas, a fixação em alimentação saudável é outro exemplo de comportamento esquemático. O esforço inviabiliza a espontaneidade. Se dedicar a fazer o que é necessário, o que é considerado bom, é sempre ruim pois busca realizar metas ou propósitos. As barras de proteção, o qu

Individualidade e grupo

Imagem
Como sobreviver sem o grupo? Sem a família, sem sociedade, sem instituições? São perguntas constantes e implícitas em todo desenvolvimento individual. O semelhante, o outro é o duplo. O primeiro grupo social é o que o indivíduo forma com ele próprio por meio de posicionamentos representativos de conjuntos e sistemas que o identificam. Ser de uma família, um extrato social, um país são determinantes explicativos de seus limites e poderes. Essa demarcação é indicativa de limites, de compromissos e também de liberdade, possibilidades de transformação. Já nascemos situados, consequentemente imbricados em todos os sistemas que nos configuram, definem, apoiam e oprimem. São as engrenagens que comprometem, tanto quanto protegem, adaptam e isolam. Essas bolhas sofrem impactos. Inúmeras variáveis, como guerras e intempéries, criam mudanças. Dos acontecimentos político-econômicos aos climáticos a dinâmica determina e aprimora. Os estáveis são questionados e dinamizados. Das tradicionais configur

Vantagens

Imagem
Medir, contar são frutos da atitude de avaliação. Quando a pessoa não vivencia o presente, seu dia a dia é um espaço em branco, tempo sem lei pontuado por medos, insegurança e desejo de coisas a realizar e também a evitar. Tudo é aferido. Não se suporta o que se vivencia, caso isso não aponte para alguma conveniência, alguma vantagem ou superação do que se quer esconder. Desde cuidar da aparência - mudança de cor de cabelo, plásticas rejuvenescedoras, uso de roupas de marcas famosas, coleção de amigos influentes e poderosos - até um cotidiano de aplausos e estímulos para manter o que de bom e significativo foi conseguido, o indivíduo vive como máquina que registra, amealha e cuida. Cuidar que um futuro bom aconteça, evitar que as coisas ruins apareçam são os parâmetros, são barreiras a destruir. Nesse referencial, o indivíduo coleciona ansiedade, angústia, inveja e medo. Não se suporta sozinho, pois sem apoio não tem onde se agarrar ou se sustentar para os pulos que podem permitir apro

Paradoxo e simplificação

Imagem
Estabelecer paradoxo é uma maneira de manter opostos. Simplificando, paradoxo é um problema cuja solução é outro paradoxo, ou ainda, paradoxo é a contradição do estabelecido, do posto.    O inesperado é paradoxal. Quebrar certezas hauridas de regularidade e frequência cria paradoxo. Saber que qualquer coisa estéril frutificou, por exemplo, é também paradoxal, caso não se considere a possibilidade de enxertos. Saber que uma mulher dependente e espancada por anos foi à Delegacia após meses sem ser seviciada, é paradoxal, caso não se considere o tempo de construção da lucidez, gerado por visitas de agentes sociais ou por outras intervenções. Enfim, paradoxal é tudo aquilo que rompe uma cadeia de referências situantes das constatações que estão sendo consideradas paradoxais. Na esfera moral é na família que se vivencia os maiores paradoxos. A mãe que se recusa a aceitar que a filha tenha uma vida sexual, quando ela mesma não esconde seus inúmeros relacionamentos sexuais; o pai que ameaça c

Rotina

Imagem
  Se tudo fosse igual, nada seria diferente. Igualdade e diferença são conceitos que não subsistem sem outros parâmetros que permitam configurar comparações a fim de que possa surgir o igual e o diferente. As vivências de monotonia e tédio, por exemplo, pressupõem sempre insatisfações, frustrações, fracassos vivenciados e não admitidos, não aceitos. Entender os despropósitos das vivências rotineiras só é possível quando consideramos os níveis de aspiração, os desejos frustrados, as vivências de submissão e medo responsáveis por desânimo, insatisfação e ansiedade. Viver o presente como se fosse uma passagem, uma ponte, um trem bala correndo célere para atingir o paraíso sonhado cria ansiedade. Nas vivências ansiosas, nada se percebe enquanto está acontecendo, tudo é imantado, polarizado como sinal de que o futuro, os sonhos estão sendo nutridos ou esquecidos. A ansiedade é uma vivência similar ao bate estacas, aos barulhos iguais, aos espaços constantes no que se está construindo e dese

Referenciais operacionais

Imagem
Selecionar pessoas, objetos ou situações é sempre um processo, uma atitude comprometida com outros objetivos, com critérios que transformam os indivíduos, por exemplo, em anônimos aptos a ganhar sinais identificatórios, facilmente resumidos em aptos/inaptos/capazes/incapazes. A escolha de bom, medio e ruim é variável, muda em função de regras flutuantes, vemos isso claramente quando se trata de objetos: ter muitos livros, estocar vinis ou CDs, manter porcelanas e pratarias foram fundamentais em séculos passados, mas hoje em dia, antes de qualquer coisa, se constituem em objetos difíceis de serem mantidos, precisa-se de museus, mansões colossais, ou ainda, ativação de etiquetas tais como: desuso, recordação, coisas usadas no séc.XX etc. Selecionar é colocar em função de outros critérios que não os da situação enquanto ela própria. O critério que possibilita a seleção é o mesmo que determina as destruições. Lembremos de Hegel quando afirma que o possível é intrinsecamente contraditório,

Vencedores e vencidos - bloqueio de possibilidades

Imagem
Sair da mediocridade, da mesmice, equacionar suas frustrações e transformá-las em trampolim para o sucesso é uma saída, um sonho, uma meta frequentemente vivenciada como sinônimo de superação. A ideia de vida como sonho, análoga à competição, redundando sempre em vitória ou fracasso é uma constante em nosso povoado horizonte de quase 8 bilhões de pessoas. Ficar para trás, estar no meio, ou ir adiante é o resumo que se faz quando a plataforma ou pódio se instala. Resumir tudo que nos rodeia a pistas, mares e ares que suportam nossa trajetória é, no mínimo, danoso, é a redução da infinitude à contingência. Desse processo também resulta criação de poucas categorias para açambarcar, para roteirizar processos: vencedores e vencidos. Essa é a única dinâmica permitida por estas plataformas nas quais perder ou não competir é dinamizado pela luta, é o ser vencido. Enrijecidos nestes pódios e não pódios os indivíduos ostentam rótulos, etiquetas, marcas que viralizam roteiros, suportam empregos e

Universalidade

Imagem
Hegel dizia que “o universal é a alma do concreto, ao qual é imanente, sem investimento e igual a si mesmo na multiplicidade e diversidade dele” . Universo é matéria, consequentemente é o mundo, tanto quanto, estendendo o conceito, podemos dizer que é o homem, é o ser humano. O indivíduo é a individualização do humano, desta especificidade material universal. Aspectos quantitativos nada mudam na imanência. Ser-no-mundo encerra em si aspectos quantitativos que explicitam a universalidade enquanto “alma do concreto”. A alma do concreto não é quantificável, tudo é ela nas suas explicitações que permitem multiplicidade, diversidade que continua a identificá-la, pois sua imanência relacional constitutiva permanece: é a possibilidade de ser que configura a mudança. É a presença que sempre permite configurar sua imanência. Ser humano é a possibilidade de relacionamento. Quando coisificada, transformada em robot , desvitalizada, a pessoa se desindividualiza e é também desindividualizada. Nesse

Pandemia e aprisionamento

Imagem
   Em decorrência da pandemia da Covid-19, estar confinado para evitar contágio, em última análise, pode possibilitar vivência de aprisionamento. Esse aprisionamento faz diminuir as perspectivas de futuro, desde que as mesmas são estruturadas pela continuidade de referências e referenciais gerados na dinâmica do aqui e agora do presente. Entre quatro paredes, as motivações, as vivências são reduzidas ao referencial constante. Nesse sentido, não há alternância de contextos. Sem a variação do Fundo, as Figuras, as percepções das mesmas são sempre constantes, iguais. Nessas condições, de forma criativa se pode estabelecer o dia do cinema, do exercício, do prazer, das leituras, etiquetando, colorindo os iguais, mas tudo isso é absorvido pelo contexto, pelo Fundo deste presente que iguala: é o confinamento que tudo permeia e tonaliza e desse modo os prolongamentos vivenciais, perceptivos sempre ancoram em limites. O que virá depois? Quando atingir o que deve ser feito? Interrogações nas qua

Reproduções estereotipadas

Imagem
Frequentemente as pessoas explicam suas dificuldades, tanto quanto buscam entender seus acertos, considerando a ideia de que têm uma missão, que seus comportamentos são fruto de educação familiar, ou ainda, que representam resumo da aprendizagem e das regras sociais. Pensar que suas atitudes e comportamentos dependem da aprendizagem, da profissão, dos treinamentos pode até ser verdade, mas reduzir o entendimento das próprias atitudes a esta abordagem, esgotar nela a compreensão de comportamentos e, à partir dessa visão, tudo explicar, desejar ou lamentar é uma apreciação redutora da humanidade. O a priori , a crença em reencarnação, por exemplo, em carmas, destino ou equivalentes, também são sempre desindividualizantes. Essa perda de autonomia faz correr atrás de causas para que essas explicações possam garantir bons resultados, justificar as dificuldades ou os acertos. É uma absolutização que neutraliza a visão do relativo. Existe uma fábula hindu antiga mas atual e interessante em su