Thursday, February 15

Loucura americana



Os Estados Unidos da América, exemplo de democracia moderna, é formado por vários Estados que detêm grande autonomia e que o constitui como uma nação. Em alguns desses Estados, o darwinismo - o evolucionismo - é desconsiderado e até proibido e prevalece o criacionismo. A ciência é banida e o que vale é a fé, a crença e o conservadorismo mantido pela educação baseada em ideias de bem/mal, contaminação/pureza que os levam, por exemplo, a afirmações como: "países do eixo do mal”, “não vamos contaminar nossas crianças com ideias ruins, comunistas e anti-religiosas”. Isso é terrível, é ignorância, quase impossível em um país criador de tecnologia avançada, mas, a ignorância e os preconceitos vigoram e dão frutos como as recentes notícias demonstram.

Na última semana, a Conselheira Evangélica do Presidente Trump fez uma postagem de vídeo nas Redes Sociais, aconselhando os americanos a “inocularem-se com a palavra de Deus” ao invés de tomarem a vacina contra gripe. O vídeo teve enorme repercussão pois o país está em plena campanha de vacinação após o aumento substancial da doença, inclusive com vários óbitos de crianças no mês de janeiro. O conselho era: “Simplesmente repitam várias vezes: ‘Eu jamais terei gripe, eu jamais terei gripe’“, diz a Conselheira.*

A ignorância e a mentira ceifam vidas, é um panorama medieval instalado na maior nação moderna. Esse fato deixa claro que dogmatismos religiosos, preconceitos e lideranças desvairadas ressurgem mitos, mentiras e ações aniquiladoras do progresso, da ciência e do ser humano.

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* “Just keep saying that ‘I’ll never have the flu. I’ll never have the flu,’” she continued. “Inoculate yourself with the word of God. Flu, I bind you off the people in the name of Jesus. Jesus himself gave us the flu shot. He redeemed us from the curse of flu.” - Gloria Copeland (Evangelist preacher and member of Donald Trump’s faith advisory council).

THE GUARDIAN
"Evangelical Trump adviser tells people to skip flu shots in favor of prayer" - https://www.theguardian.com/society/2018/feb/07/evangelical-flu-shot-pray-donald-trump-gloria-copeland?CMP=fb_gu


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Thursday, February 8

Abrir mão

Banksy


Diante de impasses, dificuldades e medos, às vezes se abre mão de compromissos e vontades. Renunciar, abrir mão é desistência. Pode ser aceitação de impotência ou ser o deslocamento da mesma pelas atitudes onipotentes.

Quando a renúncia é vivenciada como constatação de impossibilidades, incapacidades e despropósitos, ela transforma o indivíduo em um polarizador de contradições, lançando-o assim para novos conflitos, para dilemas que permitem mudança e descobertas realizadoras.

Quando a renúncia é exercida como onipotência acontece apenas adiamento, as motivações são guardadas para tempo oportuno e assim começa a criação de um estoque de sonhos e desejos falhados nas frustrações que um dia precisam ser atualizadas.

Renúncia é caminho para estruturar autonomia, constatação de possibilidades e necessidades, tanto quanto é a maneira de estocar ódios, frustrações e desejos, para mais tarde realizá-los. O dia que não chega nunca, cobra sempre.

Ansiedade e depressão, angústia constante, fazem lembrar dos sonhos que não podem ser perdidos, que precisam ser realizados. Renúncia utilizada como drible é uma exigência de realização, de finalidade. A maneira de encarar perdas, fracassos, até mesmo a morte, encontra respaldo em atitudes religiosas, espirituais e mágicas nas quais a ideia de renúncia está presente.

Renunciar é disponibilidade, não é expectativa, não é o resgate de melhores dias ou paraísos de outras vidas. Renunciar é aceitar a impotência, a incapacidade, é abrir mão do que tem que dar certo, do querer conseguir, do não aceitar perder.

A renúncia como aceitação do limite é estruturante, é disponibilidade, não é mais o exercício de adiamento de expectativas que é apenas o faz de conta, o ganha tempo para conseguir esconder frustrações, posicionamentos e incapacidades.


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