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Conhecimento é percepção

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  Toda percepção é conhecimento, ou seja, perceber é conhecer pelos sentidos: visão, audição, olfação, gustação e tato. Perceber é apreender o mundo, a realidade, o que está diante. Quando se percebe que percebe, se constata, se insere as constatações em referenciais. Esse banco de dados é individual e é o contexto para aplicação e restauração, ou seja, para tradução do conhecido. Quanto maior o referencial cognitivo, maior a possibilidade de constatação. É saber que sabe, é conhecimento e reconhecimento das redes individualizantes. Família, professores e sistemas que encaixotam, que agrupam fatos e realidades segundo conveniências e regras pessoais e sociais, direcionam e dificultam a ampliação do conhecimento, desde que o canalizam para propósitos específicos. Ser livre é validado pelo acesso a informações sem censuras, nem seletividades decorrentes de interesses particulares. Separar o joio do trigo requer formação e informação. Ser formado e informado por heterogeneidades perceptiv

A cegueira da ambição

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    Querer obstinadamente, ou precisar de alguma coisa ou de alguém, faz com que as pessoas caminhem às cegas para realização de desejos. O desejo, o propósito, o que se quer, funciona como uma espécie de farol, de luz que ilumina as trevas. Assim, só se avança às cegas, só se trilha os escuros caminhos quando se está obcecado, seduzido pelo êxito, pelo resultado do que se quer conseguir. A pessoa apenas se coloca a possibilidade de vencer ou vencer. Não há perspectiva, não admite a possibilidade de derrota, de fracasso, de não realização, pois a meta, o propósito, o processo ganancioso, a impossibilidade de fracassar é soberana, é o único existente para nortear caminhos. A meta funciona como um redutor de tensão e de possibilidades, um açambarcador de desejos e propósitos que ilumina rotas e faz enxergar nas trevas. É uma atitude que exaure, cria medos, pânicos e desespero. A ideia de que tem que dar certo, tem que conseguir é avassaladora, faz com que o cego ande, mas faz também com

Fronteiras, humanização e transformação

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  Heródoto, o historiador e viajante, era muito impressionado com os preconceitos de seus compatriotas gregos em relação a outros povos, outras culturas e até mesmo à ideia vigente do que era o humano. Ele, em seus livros, em seus relatos de viagem procurou mostrar e ensinar a seus conterrâneos que a linha divisória entre barbárie e civilização nunca é uma fronteira geográfica entre povos e países diferentes, mas sim uma fronteira moral dentro de cada povo, ou melhor, dentro de cada indivíduo. Moral e ética são em última análise o que resulta da percepção do outro como uma individualidade, como o semelhante. Nesse sentido achar que o outro pode ser escravizado para trabalhar e aumentar os próprios lucros, achar que o outro é o objeto de prazer que deve ser explorado, ver no outro o substituto, o extra usado para o pior, não é ético, não é moral, não é humano. Usar, se deixar usar, negar direitos e possibilidades ao outro é cada vez mais negar-se como humano. Atualmente, as observações

Ambição e frustração

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É muito frequente as pessoas se perceberem inteligentes, capazes e habilidosas. Essas percepções, quando existentes em contextos que impossibilitam ou dificultam sua expressão, criam revolta, frustração e também ambição e ganância.  Sentindo-se especialmente inteligente e belo, por exemplo, mas não conseguindo ser reconhecido como tal, o indivíduo começa a construir seu caminho de realização criando metas, propósitos e projetos. Aparecem, assim, os que fracassam e os que conseguem. Quanto mais fracassos, quanto menos se aceita a constatação de não conseguir, mais revolta, inveja e agressividade. Essas pessoas formam a fileira dos ressentidos, e muitas vezes até mesmo dos marginais que tudo querem dilapidar. Por outro lado, quando são vitoriosos nas realizações de suas metas e objetivos desenvolvem maior ambição, insatisfação, vazio e desprezo pelo semelhante (que é então visto como inferior, igual a si mesmo) e a super valorização de quem pode lhes abrir portas por estar no alto da pir

Reações articuladas - espontaneidade e propósitos

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Agir ou reagir ao que acontece vai caracterizar atitudes espontâneas ou premeditadas. Em determinados contextos as reações aos acontecimentos são espontâneas: é o grito, a imprecação, a dor ao sentir o contato com o prego, com um caco de vidro ou uma topada em uma pedra, por exemplo. É espontâneo também a alegria ao encontrar alguém que se ama, ou o enfado diante de alguém que todo dia quer " contar um caso ", pedir uma ajuda, reclamar da própria sorte, do azar que julga caracterizar seu cotidiano. A espontaneidade dessas reações quase caracteriza o que se convenciona chamar de reação a estímulo, responsável pela abordagem determinante do condicionamento feita por behavioristas que esquematizaram as condições nas quais se estabelecem padrões de resposta, como vemos no condicionamento clássico de Pavlov e também no condicionamento operante de Skinner: "ao chegar diante do espelho ouço, vejo que ele me pede para escovar os dentes" . É assim que funciona toda a indústr

Estigmas

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    Estigma é a marca estruturada por preconceitos. É a predeterminação, a criação de categorias, de conceitos que se transformam em dogmas e a partir dos quais tudo é entendido e até mesmo digerido. Transformar um sinal físico em sinônimo de maldade, por exemplo, é uma atitude que atropela, engole ou destrói. Ao longo dos séculos proliferaram os estigmas tanto para o bem como para o mal. Ser pobre, ser rico, ser mulher, ser homem, ser branco, ser negro estabelecia critérios a partir dos quais o mundo e os relacionamentos eram configurados e entendidos. Quanto mais inclusivas se tornam as sociedades, mais os estigmas desaparecem. Há lugar e sentido para todos. Entre católicos se costuma dizer que "todos são filhos de Deus" e podem ser incluídos desde que sejam batizados, crismados etc. e isso neutraliza vários estigmas apesar de criar outro: é solucionador de controles, por um lado, derrubando muros separatistas, mas, por outro lado faz surgir os bons, diferenciando-os dos í

Mecânica dos mecanismos

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  No contexto do que é programado e mecanizado, se consideramos as engrenagens, uma parada inesperada do mecanismo possibilita o surgimento do que é espontâneo, ou seja, do não programado. Pensar a espontaneidade a partir da interrupção de programações anteriores contingencia o que é espontâneo, define-o como o não mecânico. Ser não mecânico e ainda estar contido nos mecanismos sistematizadores do mecânico é de extrema complexidade. Pensar o que é espontâneo independente de seus contextos é quase impossível, pois o espontâneo em relação a B pode ser o mecânico em relação a A. O que é espontâneo enquanto tal requer outros referenciais para ser apreendido. Seria o que salta aos olhos? De onde vem, de onde parte? É o que está contido em um outro referencial? É um antes? Um depois? Ou uma contingência transformada em contexto a partir do qual tudo agora é percebido? Terremotos e inundações, por exemplo, quebram os sistemas e seus sistematizadores. Criam outras configurações, outras ordens

Manipulação e mentira

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  Mentir é buscar se proteger da verdade, da realidade vivenciada. Saber que o que se faz é, no mínimo, criticável e não aceito, às vezes até criminoso, faz com que algumas pessoas procurem esconder ou despistar. A mentira é o álibi perfeito buscado para confundir os outros. Esse processo de confundir outras pessoas embaralha pistas para que não se perceba o que realmente está ocorrendo. Acreditar que a mentira é uma das formas mais simples de enganar os outros é parcialização dos processos. Quando se mente, se apaga rastros, se sonega verdades, se solapa evidências, criando, assim, outras evidências, outras verdades. Mentir é destruir acesso ao que aconteceu e ao que está acontecendo. Essa alteração de fenômenos sempre satisfaz a alguém ou a alguma ordem que se empenha a manter. As mentiras sociais e políticas, muitas vezes adiam processos históricos iminentes, outras vezes criam inclusive guerras destruidoras de nações e indivíduos. Nas famílias, nas esferas mais íntimas, mentir e o

Encapsulado

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  Sentir-se encapsulado é uma das reconfigurações de dinâmicas psicológicas criadas por novos posicionamentos. Esse posicionamento, responsável por conter ou ocultar vivências, desejos e constatações cria descontinuidades e assim faz com que o indivíduo encubra suas reais dificuldades, problemas, frustrações e medos.  É engenhoso encapsular vivências, constatações e percepções; estar constantemente a cortar e organizar, a superar e etiquetar (ressignificar). Uma das características principais desse posicionamento é o ato de encobrir. Ao embrulhar, etiquetar, organizar e guardar, se esquece, pois se encobriu o que estava espalhado, se ocultou o que parecia anômalo.  Nesse contexto, o trabalho, que vira motivação, é este: encaixar e definir para guardar e arquivar. Posicionado nesse universo, tudo que acontece só significa quando encontra seu complemento análogo, semelhante. É o eterno " symbolon " que na antiguidade grega era um sinal de encontro e reconhecimento (quando dois

Impaciência

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  Sentir-se impaciente é uma das reconfigurações de dinâmicas psicológicas criadas por novos posicionamentos. A impaciência é um posicionamento a partir do qual o mundo é transformado em fantasia. Tudo pode ser destruído em função da ordem, da sequência e do pensamento lógico, das falsas verdades e espúrios compromissos. Não conseguir acompanhar as dificuldades alheias, por exemplo, estar dedicado a realizar seus objetivos cria atmosferas nas quais o que ocorre é precário e despropositado. A superação de fatos, o abandono de dificuldades e do que pode atrapalhar gera ninhos onde se nutre a impaciência e até mesmo a intolerância. Ela resulta da constatação de incapacidade, da não viabilidade diante do que precisa ser resolvido. O impaciente, assim posicionado, se transforma no único capaz, tanto quanto no frequentemente abandonado e desconsiderado. Ao ser percebido dessa forma, ele é isolado. Sozinho com suas conclusões é deixado de lado para exercer seus processos de impaciência e dese