Ter um filho, escrever um livro...
A ideia de ter um filho, plantar uma árvore e escrever um livro é rica em propósitos de realização, mas, por incrível que pareça, é esvaziadora e despersonalizante, pois apresenta finalidades e realizações como justificativas para a vida, esquecendo e negando o existir. Basta existir, estar no mundo com os outros. É o processo de aceitação de limites, das possibilidades e dificuldades que realizará ou destruirá a possibilidade humana. Se o estar no mundo não é suficiente, passa a ser necessário algo que o valide, e, procedendo assim, a vida é negada. A Igreja, durante a Idade Média, tomou a si o sentido da vida e exigia respeito a ela – à vida – a partir de 10 mandamentos religiosos. Era o jeito de controlar e determinar o que deveria satisfazer feudos e reinados. Séculos depois, viver individualizado, personalizado por criatividade e produção – filhos, árvores e livros – é a maneira de manter as ordens protetoras do Capital, da riqu...