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Dinâmicas da convivência

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   Nem sempre conviver em uma família é fazer parte dela. O motorista que trabalha há mais de 20 anos, a babá e até o vizinho que participa dos acontecimentos cotidianos, explicitam uma convivência constante, mas não são família. Família é parentesco, regra e afinidade. Ela é história. A maneira como se formam os laços, como se forma o convívio define muito do que nos situa, determina e limita. Convívio é regra e é também acaso. Situações anômalas se tornam familiares, como: em função do ídolo que canta, dança e apresenta um show, a multidão convive e em uníssono expressa admiração. Situações esdrúxulas, como a da recente pandemia de covid-19 criou um convívio como sinônimo de não convívio, que se expressava no isolamento, um aparente não-convívio. Todos isolados conviviam em função de um único objetivo: evitar que a doença e a pandemia se propagasse. Por outro lado, estar junto é também sinônimo de estar distante quando decorre de ser imantado, contextualizado por referenciai...

Inclusão

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  Estar incluído parece ser um elo forte, quase um processo equivalente de imantação natural. Entretanto, ser incluído sempre resulta de um dado externo, melhor dizendo, outro, diferente do que contextualmente se inclui. É sempre um motivo maior: um dogma, uma regra, uma certeza que tem que gerar inclusão. Para evitar alienação, por exemplo, como no desconhecimento de direitos, os educadores se unem na explicação dos direitos do homem ou do cidadão. Sabemos que a escola é criada para incluir os indivíduos em sua sociedade. Refletir sobre possibilidades e limites é uma maneira de gerar lucidez, de personalizar, de incluir em famílias e sociedades. Desde o estabelecimento do tabu do incesto que esses processos ocorrem. A estabilização de famílias decorre dessas constatações. Ser incluído significa fazer parte, globalizar as especificidades dos grupos. Quando esses processos são distorcidos surgem alienação e quebra de regras. As contravenções são lesivas à situação ...

Instrumentos definidores

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    Perceber o outro, perceber as próprias não aceitações e limites, questionar empecilhos são fundamentais para situar o indivíduo no mundo. Esses processos sempre existem, pois sempre existe o outro, assim como as próprias não aceitações e limites. Tudo isso é percebido, mas é descartado, considerado inútil, e o indivíduo mergulha em universos mágicos na busca de soluções, ampliando, assim, seu problema. É o caso, por exemplo, daquele que se acha feio e pensa que a beleza é tudo; ele transforma sua vida, o dia a dia, em uma busca de transformações físicas que o situem em configurações desejadas. Igualmente, o que não se sente aceito por ser pobre e começa a roubar, a gastar o que não tem para conseguir sucesso. Também quem plagia, utiliza escola, clínicas, universidades, enfim, utiliza a postura científica ou política, por exemplo, para se afirmar e enriquecer.   Qualquer busca de instrumentos ou meios para realizar o que não se tem é indevida. Cria e mantém metas...

Extremos

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  Não aceitar a própria realidade é uma das questões frequentes nas vivências de problemas psicológicos. Todos os desajustes psicológicos se caracterizam por não aceitação de si, do outro, do mundo, da realidade. Quando essa situação é percebida e manejada como problema, soluções surgem. No entanto, tudo que é visualizado como crítica (não aceitação), desespero, pedido de ajuda e reclamação leva ao posicionamento de vítima. Nessa situação, o indivíduo quer ajuda, não importa de onde ela venha. Assim é criado o parasitismo, as dependências e acentuados os medos, raivas e invejas. A exacerbação desses sintomas pode evoluir para deslocamentos de busca de aplacamentos por meio de drogas lícitas ou ilícitas.   Essas vivências de não aceitação da realidade são explicitadas em expectativas de ajuda, cheias de raiva e criadoras de desespero e maldade. Frequentemente elas são cooptadas, canalizadas por grupos políticos e gangs que subvertem a sociedade, as famílias e as escolas. I...

Ter um filho, escrever um livro...

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  A ideia de ter um filho, plantar uma árvore e escrever um livro é rica em propósitos de realização, mas, por incrível que pareça, é esvaziadora e despersonalizante, pois apresenta finalidades e realizações como justificativas para a vida, esquecendo e negando o existir.   Basta existir, estar no mundo com os outros. É o processo de aceitação de limites, das possibilidades e dificuldades que realizará ou destruirá a possibilidade humana. Se o estar no mundo não é suficiente, passa a ser necessário algo que o valide, e, procedendo assim, a vida é negada.   A Igreja, durante a Idade Média, tomou a si o sentido da vida e exigia respeito a ela –   à vida – a partir de 10 mandamentos religiosos. Era o jeito de controlar e determinar o que deveria satisfazer feudos e reinados. Séculos depois, viver individualizado, personalizado por criatividade e produção – filhos, árvores e livros – é a maneira de manter as ordens protetoras do Capital, da riqu...

Disparidades

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  Achar que algo ou alguém é esquisito ou estranho, assim como, ao contrário, sentir familiaridade, são vivências que resultam de comparação nem sempre explicitada.   O que decorre de alguma situação é explicitado pela mesma, entretanto, a vivência disso é contínua, não se apresenta como situação resultante que se evidencia. As vivências, mesmo as desencadeadas por situações anteriores, são continuadas ou constantes. O antes é o depois, o que começa e o que aparece são meros rótulos, não existem enquanto vivência, pois vivência só acontece enquanto presente. Portanto, tudo pode ter suporte no antes ou no depois, mas, apenas existe, existindo. Detectar sentimentos e sensações catalogando-os como decorrentes é a ilusão de explicar e apreender. Dentro dessas distorções perceptivas, mecanismos foram criados. São as regras que definem o que é felicidade, o que é presença, separação e dinâmica, por exemplo. Dessa forma são fabricados os clichês, as regras de co...

Constância

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  Normalmente entendemos constância como o que não muda, e em relação a pessoas são aquelas que são fieis, que mantêm propósitos, compromissos e desejos. Nessa abrangência a constância é uma faca de dois gumes: ela diferencia, corta, separa e também limita.   Ser constante, manter propósitos pode ser uma maneira de negar o tempo, a passagem das situações, a mudança, e, assim, a constância é transformada em compromisso, em medo do próximo passo e proteção para os vendavais que transformam realidades. Torna-se uma cabine de isolamento e proteção que pode ultrapassar a imanência individual e colocar o indivíduo fora dos processos vivenciais. Os juramentos de fidelidade, como o clássico “até que a morte nos separe”, estão calcados em suportes negadores de circunstâncias e vivências, enfim, negadores de mudança.   A vivência contínua de constância impõe questionamentos. São antíteses que exacerbam propósitos e medos e questionam a coerência. Podemos perguntar se a ...

Dogmas e certezas

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  O estabelecimento de certezas é uma das maiores necessidades, assim como uma das maiores dificuldades cotidianas. Acreditar no que se percebe, no que se pensa, ou ainda, acreditar no outro ou em si mesmo é um processo que geralmente implica desespero e alienação.   Essa dificuldade cotidiana psicológica é também filosófica, epistemológica. Quando a continuidade dos processos é quebrada por introdução de referências a partir das quais se possa pensar, corrigir e também resumir dificuldades, rompe a Gestalt, a totalidade dos fenômenos, e, é assim que se distorce.   É bom lembrarmos de Aristóteles, cuja obra ainda é pilar do pensamento filosófico atual, apesar de propiciar distorções e divisões com suas “categorias lógicas” a priori. “ As dez categorias de Aristóteles são: substância, quantidade, qualidade, relação, lugar, tempo, posição, estado, ações e paixões para classificar tudo o que existe. É a Teoria de Classe com seus agrupamentos e categorias, ...

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