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Percepção do Outro - o outro percebido como desafio III

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  O outro como desafio é o motivador, é a meta a ser atingida. Ter os conhecimentos e habilidade do amigo, conseguir vencer na vida como o vizinho e o patrão conseguiram, tirar do caminho o colega que está em cargo hierarquicamente mais alto são apenas alguns exemplos do outro percebido como desafio. Podemos também lembrar o desafio cotidiano que consiste em querer conquistar, pelo matrimônio, o colega, a colega que são ricos e poderosos. A vida parece ficar resolvida se fizer parte de significativo clã. O chegar lá, o se igualar aos que possuem muito - habilidade, inteligência, bons relacionamentos ou dinheiro, fama e sucesso - são posições constantemente desejadas. Para alcançar metas, vale tudo, até tirar do caminho o padre guardião de direitos das comunidades menos favorecidas, por exemplo, e isso é muito comum quando se planeja ganhar com uma situação engendrada e se percebe o outro como muralha que atrapalha escaladas. "Ou eu ou ela", "ou eu ou ele" são frases

Percepção do Outro - o outro percebido como ameaça II

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  Frequentemente o outro, o que está fora das esferas familiares, das esferas conhecidas e consideradas social, cultural e economicamente iguais, é percebido como diferente. Ser diferente é não possuir pontos de congruência, consequentemente de compatibilidade. Abismos educacionais, o não haver linguagem em comum, enfim, inúmeras situações fazem com que se exclua, rejeite e estabeleça restrições. Assim fazendo, uma multidão de estranhos é criada. Tudo pode ameaçar. O fazer parte de outra ordem econômico-social ameaça. Os ricos se sentem ameaçados, os pobres também. O diferente é sempre suspeito. Faltam padrões comparativos. A busca desse padrão gera a tentativa de estabelecer confiança entre os que processam a mesma fé, como por exemplo os da mesma religião ou os torcedores do mesmo clube; são fatores aglutinantes que geram familiaridade. O ser adepto de uma mesma coisa diminui a ameaça. Entre as famílias, e também entre bandidos, isso é verdade. Busca-se o apoio do sobrenome, assim co

Percepção do Outro - diante de mim o outro I

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    O outro diante de mim, essa é a grande constante do viver, do estar no mundo. Nunca se está só mesmo que o outro seja o objeto com o qual nos relacionamos, como: parede, floresta, cama, cadeira. Psicologicamente, enquanto imanência relacional, o outro me constitui. É exatamente aí que são definidos sujeito, objeto e comportamentos. Nesse processo perceptivo, a continuidade estabelece posicionamentos representativos de funções. Essas funções significadas por normas, regras determinam novos relacionamentos. Maria, a mãe, por exemplo, é ampliada pelo genérico mãe, cheio de significados, exigências, direitos, processos e história, regras e normas culturais, e então a mãe, antes de ser Maria, é também a continuidade de processos históricos, culturais, sociais, genealógicos. A mãe, assim, tem diluída sua totalidade na especificidade família. São os outros representativos além do constante processo diante do indivíduo. A reversibilidade dos processos, suas reconfigurações estabelecem perm

Perceber o próprio problema é libertador

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    Estar triste, desconfiado, inseguro sem saber o que vai acontecer, sem saber como se comportar cria expectativa, desejo de melhorar, de buscar soluções, tanto quanto, pela continuidade de frustrações e não realização dos objetivos, gera medo, depressão. Viver entre as quatro paredes de suas certezas, submetido às incertezas do que ocorre, separa o indivíduo de seu ambiente, aumentando também o seu autorreferenciamento, pois tudo que acontece é por ele percebido, entendido e traduzido como frustrações, ameaças e despropósitos à sua pessoa, aos seus planos e desejos. A culpa, o problema é sempre dos outros, do sistema, da educação, dos pais, do racismo, injustiças e preconceitos reinantes no país, no mundo, e desse modo é criado o círculo vicioso no qual tudo o que acontece é explicado pelo que não está acontecendo, pelo que poderia ou deveria acontecer. Institui-se assim as vítimas, os párias, os necessitados de ajuda, apoios e cuidados e também a grande legião de revoltados, infeli

Implícito

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  Implícito é o contexto, o Fundo, a base (relação Figura e Fundo), o intervalo que elucida. É o implícito que permite a continuidade de nossas vivências. Ora é o caminho, sem ele não há caminhar, ora é o pé no chão, sem ele não há caminho. Essa configuração, Figura e Fundo, tudo estrutura. É o ser no mundo, ser com o outro, continuidade, fragmentação. Prazer e desprazer, aparentemente opostos, são apenas polos da mesma reta, aspectos da mesma totalidade. Casca e miolo formam o implícito, que em algum sentido pode ser a fruta. A fruta, o resultado, é explícito em relação ao que está acontecendo e implícito ao que foi estruturado. Não há dualidade, não há causalidade. Só no presente, no estar aí, é que se percebe e vivencia o implícito. Essa é a verdadeira base das relações, das configurações problemáticas, tanto quanto das soluções psicoterápicas, e consequentemente da resolução de problemáticas. É vida, é escolha, é integração. A apreensão do implícito é a procura de totalidades, do q

Sutilezas

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    Sutilezas, esses amorfos, se tornam densos quando contextualizados. Receber o café frio ou observar os olhos levemente arregalados podem exprimir o cansaço do estar junto, do nada mais ter que motive. A manutenção, o cansaço negado podem ser gritados por sutilezas. É a relação entre o que ocorre, como, quando e onde ocorre, que tudo explicita. Frequentemente temos que contextualizar situações em outros acontecimentos que encaixam muitas coisas - como acontece nas brigas reais - para entender início, meio e fim de processos. Gritos de agonia ou de prazer nada expressam isoladamente. O isolamento, a percepção descontextualizada transforma em ruídos os sons mais diversos. As formas sutis de amor ou de ódio são sempre manifestadas, embora nem sempre percebidas. A sutileza é o qualitativo que tudo atravessa, embora geralmente só signifique enquanto quantidade expressa. Nesse sentido, a sutileza só aparece quando se quantifica e nesse momento ela se nega. Explicar a piada, repetir a lada

Insight não é comprometimento

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  Algumas vivências podem ser atrapalhadas, confundidas pela memória. O presente contextualizado no presente permite a percepção do que está se dando, acontecendo enquanto situação que se dá, que ocorre. Quando o presente é contextualizado no passado, esse fato, esse contexto interfere na percepção do presente. Cria semelhança ou dessemelhança buscadas/encontradas. Esse processo quebra o vivenciado enquanto situação que se dá, que ocorre. Constatação acontece por estar presente, nunca antes ou depois. É necessário não deixar a memória interferir para que não surjam comparações que se misturam no que está ocorrendo. Estar totalmente no presente é se permitir a apreensão do que ocorre em toda sua beleza, em todo o seu horror, no que esvazia, no que integra. Constatar é definidor, é ampliador de limites e de possibilidades. É caminho, é o novo que resplandece. É o insight. Outro artigo meu sobre este tema: " Constatação - Impasse e movimento " (https://wsimag.com/pt/bem-estar/19

Ressignificações

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  Novos significados só são possíveis quando surgem novos contextos estruturantes. Trabalhar o significado simbólico e o lingüístico exige sempre contextualizações para que haja comparação dos mesmos. Símbolos estabelecidos, linguagem escrita, falada ou desenhada são sempre fatores de discriminação seja para entender ou conhecer (discriminar), seja para separar, excluir, isolar. Recortes parcializadores criam preconceitos. A história está cheia de inúmeros exemplos, dos mais habituais aos mais esdrúxulos como o vermelho da beterraba na sopa borsch da Rússia ressignificado e entendido como sangue de crianças na sopa; ressignificação para induzir o horror aos comunistas, horror considerado fundamental e necessário na guerra fria. Em alguns casos, ressignificar nada mais é que "puxar brasa para sua sardinha", isto é: transpor formas, e isso é sempre gerador de destruição se não forem mantidas as coerências significativas das formas. Nesse sentido falta às ciências humanas, tant

Metamorfoses

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  Quando se perde referenciais de convivência pela justaposição de finalidades, outros caminhos são gerados. Essa transformação é criadora. É como a fusão de qualidades: juntar amarelo com azul cria o verde. A nova cor, a nova forma, a nova ordem é integradora de semelhanças e dessemelhanças. Observa-se sempre uma parte em comum: o básico estruturante que permite integração. Não havendo essa estrutura, ou seja, havendo fragmentação, não pode surgir integração. O todo não é a soma de suas partes. Aparências na justaposição são evidentes. Isso obviamente tanto se aplica à individualidade humana, quanto aos agrupamentos humanos. A despersonalização, a inautenticidade expressam sobreposições, conveniências e problemas. Associações com esses referenciais são híbridos, máquinas de guerra, máquinas para relacionamento, exercício de finalidades mas de núcleo vazio, fragmentos dissociados. Seres humanos quando se aceitam, coesos em seu exercício de possibilidades, ultrapassam necessidades e con

Sem medir, sem contar

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  Não avaliar, não pesar, estar com o outro, com o que acontece independente da avaliação, da verificação de valores e vantagens é humanizador. Nos relacionamentos humanos acumular, ter o pedaço maior ou o que avalia como o melhor, nada significa pois seis é um acréscimo de uns, de dois etc. a quantidade não expressa a felicidade, não a esgota, nem define. Perceber o outro, o mundo por meio de limites valorativos estabelece preconceitos. É essa discriminação que alija o outro. É ela que cria conceitos cruéis de inferior, superior, melhor, pior. Atualmente, o dinheiro e o poder são os padrões métricos do ter. As pessoas são avaliadas, são consideradas boas, ruins, superiores, inferiores a depender do que têm. O ser foi diluído, encoberto, transformado pelo ter, essa velha constatação - ser x ter - diariamente assume novas formas desumanizadoras. Avaliar é a chave mestra que tudo codifica e destrói. Nessa codificação existem as pessoas de bem (ricas), as de mal (pobres), as confiáveis (d