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Problemáticas humanas - questões estruturantes IV

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Quando o fundamental é esconder fragilidades - não aceitações -, se busca trocar de pele, de aparência, removendo marcas ou cicatrizes. Sem certeza do sucesso começam as desistências. Os topos, cumes de montanhas, foram alcançados, mas as marés quando mudam, quando crescem, tudo submergem. Ansiedade, tensão, medo, expectativa constroem angustia e o desespero do estar no mundo sem certezas e sem garantias. A única certeza, que é a morte, o final de processo, apavora. Essa desintegração do indicado estabelece depressão, delírios, taras nas quais o outro é usado para aplacar e servir sua impotência, sua degradação enquanto indivíduo. Maldade, crueldade contra os mais fracos são constantes. Submeter e utilizar crianças para os próprios prazeres sexuais - substitutivos do não conseguir se realizar sexualmente -, maltratar e oprimir, são exemplos da incessante repetição da utilização do outro como exercício de poder, de prazer e crueldade. Quanto mais esse processo fragmenta, mais o indivídu

Problemáticas humanas - questões estruturantes III

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Ao se confrontar com os valores culturais se coloca a questão de adequação ou de inadequação. É a verificação, a constatação do estar ou não estar dentro do padrão valorizado. Saber se representa, se significa o que é socialmente considerado bom, melhor e adequado cria escalas de medida, padrões. Caindo em índices inferiores, estando abaixo da média, ou fora da mesma, do que é considerado válido, bom e passível de investimentos e aplausos, o indivíduo se sente subtraído, inferiorizado, mas se amolda, se adapta ao lugar que lhe é destinado. Esse processo é caracterizado por constantes ajustes e desajustes. Buscar adaptação quando se está abaixo do estabelecido como bom constrói pistas de competição onde driblar é uma constante. Nesses casos, parecer ser o que não é passa a ser um despiste fundamental para conseguir sucesso. Truques e muitos recursos são utilizados, tanto quanto um arsenal de comparações é mobilizado. Ostentar o anel de doutor no dedo, ser afilhado da autoridade paroquia

Problemáticas humanas - questões estruturantes II

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  Na neurose, estabelecer direções cria pontualizações e, consequentemente, vitórias e derrotas nada expressam salvo resultados.  Havendo globalização dos processos não importa onde se chega desde que se valorize o caminhar. A vivência, o estar com o outro, o estar consigo mesmo é o que permite descobrir capacidades e incapacidades, acertos e desacertos. Essa descoberta constante decorrente dos encontros, desencontros e impasses estrutura humanidade.  Sair da sua própria realidade ao estabelecer propósitos e metas é sempre esvaziador pois não totaliza, não engloba as diversas possibilidades humanas. Ter sido dragado e engolido por uma direção, mesmo que a mais privilegiada, é anulador de possibilidades. O privilégio de hoje, de ontem ou de amanhã, é uma circunstância aderente e configuradora de valores posicionantes, não é essencial. As circunstâncias são trajetórias, não se constituem como qualitativo definidor do humano. São como pegadas de processos, marca de pés, mas não o caminho,

Problemáticas humanas - questões estruturantes I

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  Toda problemática humana - ou em outras palavras todo comportamento neurótico - decorre da própria pessoa não se aceitar e sempre precisar ser aceita, validada, reconhecida, considerada. Sentir-se subdimensionada, diminuída, incapacitada, diferente do que é considerado agradável e harmônico obriga a uma verificação constante do estar sendo aceita e considerada. Essa frequente avaliação dos resultados de seus comportamentos estrutura o processo de insegurança. Pontualizado em função de resultados o indivíduo é polarizado para evitar falhas e buscar acertos, pois foi educado para conseguir bons resultados, para vencer na vida, superar seus deméritos, suas dificuldades e incapacidades. As vivências de aceitação e de não aceitação decorrem do relacionamento com o outro, inicialmente pais ou quem os esteja substituindo. Frequentemente os filhos são aceitos pelo que significam enquanto realização de sonhos e desejos, medos e temores, consequentemente, educados para repetir vitórias ou supe

A continuidade estabiliza

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    A continuidade estabiliza tanto para o bem como para o mal. O importante é a manutenção das estruturas configuradoras dos fenômenos que, pela permanência, podem ser questionadas, mudadas.  A miséria sem fim que aflige um terço da humanidade pode ser mudada quando configurada como falhas de sistemas econômico/sociais. Essa percepção passa a se impor e obriga a novas políticas econômicas e sociais. Muitas vezes os problemas paralisam e parecem insolúveis. Recentemente, por exemplo, o navio encalhado no Canal de Suez desafiou todos os esforços e técnicas para desencalhá-lo, mas a continuidade do problema, da impotência, abriu novos horizontes. O navio foi desencalhado e o tráfego restituído no canal, e os especialistas passaram a questionar a fragilidade da cadeia de comercio global.  O impasse redimensiona problemas e estabelece visões, insights criadores de solução surgidos pela impossibilidade, seja pela constatação de mediações necessárias ou pela inadequação dos sistemas. A persi

Solidariedade

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  Solidariedade é a ampliação de si pelo reconhecimento do que é familiar: o outro que continua sentidos e direções. Incluir-se em grupos, fazer parte da humanidade cria solidariedade. Atualmente a desumanização - a alienação do humano - torna difícil o exercício da solidariedade. Agir por tabela, ajudar a quem precisa porque sempre se ajuda a quem precisa, cria um direcionamento contingente negador da própria solidariedade, pois nesse esquematismo falta humanidade, sobra ação contingente, mecânica e utilitária. Ser solidário é ser com o outro, é continuar-se. As pontualizações de mecanismos alienantes muitas vezes transformam a solidariedade em uma sequência de ações alienadoras. Bastar ver campanhas para ser solidário é como se a aderência prevalecesse sobre a imanência. Ajudar não é seguir uma receita ou uma rota; é necessário criá-la independente de campanhas e aplausos. O voltar-se para os sentimentos de amizade, compaixão e boa vontade independe e é indiferente à felicidade, nece

Integração de limites

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  Limites podem ser integrados e quando isso acontece os obstáculos desaparecem, os limites passam a ser referenciais e dessa forma são transformados em apoio, em base. Esta base, o presente - os limites integrados - não dificultam, ao contrário, possibilitam fluidez. Dualidades continuadas, necessidades, possibilidades são referenciais agora despidos de significados amedrontadores ou alentadores. Saber o que se tem, o que se é, onde se anda, a paisagem que se descortina, tudo é configurador do estar no mundo, tudo sinaliza e orienta espontaneamente. A espontaneidade é o natural enquanto próprio, devido. Viver a própria vida é o único que se coloca. Olhos, braços, boca - corpo - são os constituintes, os estruturantes relacionais do conhecer, do viver. A percepção do ser, do si mesmo - possibilidade relacional - é exercida pelas próprias percepções. Vida é continuidade, é efeito virando causa, é causa virando efeito. Na realidade, a pontualização - em causa/efeito - é, como todo ponto,

Pretensa capacidade como deslocamento da impotência

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    Sentir-se incapaz e sem condições de agir, de modificar situações que estão sendo desagradáveis cria inconvenientes questionamentos ao estabelecido, revoltas e muitas vezes propósitos de boas ações. A não aceitação da incapacidade é gerada pela culpa, maneira de deslocar a impotência diante de acontecimentos, camuflagem necessária para persecução de objetivos, comprovando assim a evidência conceitual: a onipotência é sempre um deslocamento da impotência. Não admitir a própria incapacidade, não admitir e escolher a si mesmo como objetivo fundamental leva à criação de camuflagens, desde que o indivíduo quer se manter em posição, por exemplo, como responsável defensor da família e consequente com seus ditames de "chefe de família". Para essas pessoas, abrir mão do outro é uma maneira de se afirmar, de subir na escada das realizações. O lema é: nada me atrapalha. Acontece que, seguindo nosso exemplo da família, é a própria mãe, o próprio pai, o irmão que precisam de ajuda e d

Tristeza, fome e frustração

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      Interrupções, perdas, mudanças abruptas assim como mudanças temidas geram tristeza, que é uma ocorrência inevitável no processo da vida, na vivência dos afetos quando esses são modificados.  Quando essa vivência é transformada em referencial a partir do qual tudo é percebido, quando é mantida como situante relacional, ficar triste é uma atitude resultante da não aceitação de realidades passadas e agora posicionadas. É o resumo conseguido após avaliação, como por exemplo sentir-se feio, fraco, covarde, sem sucesso, que resulta de avaliação e comparação com os outros, com os padrões, com os desejos, com o que se esperava. É quase sinônimo de desânimo (a manutenção contínua desse desânimo, dessa falta de motivação é a depressão resultante de estar isolado, emparedado). Sentir-se feio, fraco, covarde sem sucesso são os frutos amealhados pela comparação com normas e padrões existentes, tanto quanto com os sonhos falhados.  Perdas afetivas, calamidades, acidentes, pandemias causam tris

Dúvida como solução ou negação de limites

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    Quando dúvida em relação ao que se vivencia, ao que se quer ou se espera, se instala, são criadas artificialidades. Esses instrumentos artificiais aproximam ou distanciam o que se está percebendo, questionando, temendo ou resolvendo. É uma situação na qual se faz lembrar a clássica afirmação dos gestaltistas alemães: o afastamento do problema gerador de dúvida pode ser uma aproximação solucionadora de impasse. Essa afirmação é contextualizada no conceito de meio geográfico - que é o meio tal como a ciência o descreve - e no conceito de meio comportamental - que é o meio tal como o indivíduo o percebe. A dúvida que se estrutura no que se apresenta traz sempre soluções, entretanto, quando ela decorre de avaliação e comparação com o que se pretendia, o que se almejava (futuro), ou o que se temia (passado), ela cria mais dificuldades, mais problemas, afastando as possibilidades de solução. E nesse contexto, por meio da atitude de duvidar se exerce onipotência, desconfiança, o autorrefe