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Questões sociais, questões psicológicas

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  Quando pensamos, conceituamos e nos detemos nas questões humanas, o dado psicológico, isto é, o dado perceptivo relacional, é fundamental para abranger e explicar o comportamento humano. Equivale a dizer que tudo começa e acaba no psicológico, ou seja, na percepção de si, do outro e do mundo, do que acontece. Esse conhecimento é a percepção, e estrutura o que significa estar no mundo com os outros ao apreender as relações estabelecidas. Quando declaro que perceber é conhecer, e ainda, que esse conhecimento é, consequentemente, significativo, não me posiciono no idealismo, ao contrário, critico o idealismo que se constitui em convicções caracterizadas pela ideia de que mente e consciência definem os dados perceptivos, os configuram dando-lhes significados. A afirmação de conceitos como os de mente e consciência decorrem das posições cartesianas clássicas e do empirismo associacionista dominantes na filosofia e psicologia, sobretudo na psicofísica e psicanálise.   Perceb...

Sucedâneos

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       Sucedâneo é o que substitui. As substituições são violentadoras de processos ou são encaixes reconstituídos. Próteses, apoios, máscaras são sucedâneos. Tudo que pode substituir é válido, assim como alheio ao substituído. É difícil e contraditório estabelecer ou falar o que é bom, ruim, vantajoso ou desvantajoso como substituto. Sempre o insubstituível ampara, situa e contextualiza o substituível. Nada mais válido que uma prótese, mais satisfatório que os empregos, as funções substituídas, assim como, nada mais impossível que a substituição do filho perdido, da família destruída, das mortes acontecidas. A substituição é, em certo sentido, como um fio de lã misturado sabe-se lá com o quê, para recuperar um tapete. É arte, magia e mistura desesperada.   Atualmente a ideia de democracia, polarizada nas lutas partidárias, é uma grosseira substituição de seu conceito inicial. Nesse caminho de substituição indevida e aleatória não vai ter sentido fal...

Ancoradouro

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    Seguir trilhas, andar em caminhos que são todos os dias percorridos, conhecer o conhecido é a repetição necessária e fundamental para a sobrevivência. É o limite aceito e, às vezes, transformado, ampliado ou destruído. Repetir é tanto esvaziar possibilidades quanto ampliá-las, desde que obstáculos não mais ocupam tempos de transformar. Quando tudo isso é percebido, conhecido, os enigmas, os impedimentos desaparecem, os desafios são realizados, a harmonia é o compasso determinante do estar no mundo com os outros e consigo mesmo.   Estar rodeado de bem-estar, de harmonia, é satisfatório assim como possibilitador de antítese. É a dialética do existir. No mínimo, a contradição do bem-estar endereça para outra atitude: manter, não perder o conseguido. Quando isso acontece, a tranquilidade é quebrada, não se aceita a monotonia e a repetição se instala. É o círculo vicioso que só pode ser rompido abrindo mão da avaliação e contabilização. Viver por viver permite transcen...

Exaustão

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                        O apaziguamento almejado e necessário é uma busca inglória, comprometida, cheia de desejos e medos. A extensão dessa busca ancora em não aceitação: problemas consigo mesmo, vergonha gerada pela não aceitação da origem familiar, dos papéis sociais desempenhados, das situações econômicas estabelecidas, e também dos limites, das possibilidades e impossibilidades circunstancializadas. Reestruturar os padrões configuradores de seus lugares sociais é uma tarefa inglória, mesmo que bem sucedida, pois despersonaliza ao transformar o indivíduo em objeto a ser melhorado. Transformar-se em objeto, despersonalizar-se é um processo que se inicia abrindo mão do que se é, a fim de ser o que é bem considerado, bem visto e valorizado. Ser estruturado por valores é a precificação que, na contingência, esvazia possibilidades ao direcioná-las para resultados situacionais. Essa circunstancialização sempre esbarra em impedi...

Corda de caranguejos

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  Diante do impasse, do impedimento, surge o desejo de superação. Essa é a atitude comum quando se está imerso na corrida de obstáculos que, às vezes, configura o estar vivo.   No perde-ganha cotidiano, a contabilização de perdas ou ganhos anima ou desanima. O resultado é o definidor, e, assim, se perde de vista o próprio processo da vida, de estar no mundo com os outros. A despersonalização surge e passa a significar. Não importa mais o que se é, apenas significa o que consegue, ser bem sucedido e ultrapassar os limites classificatórios do que denota fracasso.   Ser pobre, rico, titulado, não titulado, enfim, a qualificação, o objetivo, o valor, é o que faz existir e dar cara ao existente. Nesse panorama, o humano – estar no mundo com os outros – é destruído e substituído pelo seu funcionamento: equivale a ser a bucha de canhão necessária para a destruição do que atrapalha, do outro que impede. É a conhecida corda de caranguejos, imagem sinônima de luta pela sobr...

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