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"Liberdade é a compreensão das necessidades" - dizia Hegel

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Somente por meio de questionamentos, indagações, esclarecimento de dúvidas e divisões é que se percebe limites e dificuldades. Perceber os limites e a eles se dedicar abre horizontes ao desfazer os nós que aprisionam. Essa mudança de configuração cria mudanças perceptivas responsáveis por novos entendimentos e questionamentos. A continuidade e reversibilidade dessas vivências apontam sempre para novas direções, é a descoberta de possibilidades que configura o que Hegel dizia: "liberdade é a compreensão das necessidades" . No universo político social, quando se pensa que o ponto de apoio é também o ponto de opressão, novas compreensões e comportamentos são desencadeados: o medo desaparece ou o medo aumenta. Nesses contextos se descobre que "a união faz a força". O grupo é o existente fundamental para se desenvolver a mudança que possa ocorrer, as mudanças que possam ser operacionalizadas em reivindicações e consequente aquisição e manutenção de direitos sonegados e a

Variações e identidade

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  Todos percebemos igual tudo que odoriza enquanto ato de cheirar. A comida, por exemplo, pode ser percebida como odor, assim como tudo o que tem gosto é percebido como gosto. A igualdade da percepção se refere às estruturas das diferenças perceptivas, é equivalente a dizer que gosto é gosto, cheiro é cheiro, tato é tato, audição é audição, visão é visão. Entretanto, na igualdade do gustar, do cheirar, do tocar, do ouvir, do ver, tudo é diferente, existem características específicas individuais. A trajetória do dado é variável. Os receptores são tonalizados pelas características individuais de seus estruturantes, de seus contextos. O cheiro ácido do limão é uma fragrância variada em função de outros contextos olfativos, de misturas e interferências que podem neles neutralizar quaisquer percepções. Existem odores, gostos típicos e significativos, assim como sons expressam realidades e sentidos semânticos, como enxergamos o que está difuso, e o mesmo se aplica ao que ouvimos e pegamos. O

Doença, medo e revolta

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  Diante de impasses, acidentes e doenças, inicialmente vivenciamos obstrução, impedimento, interrupção. Nessas situações, o futuro abruptamente se insinua, se presentifica sob forma de planos, sonhos, propósitos e desejos frustrados, e assim o real, o acontecido é um espectro de expectativas, do que é ansiado, temido ou desejado. Essa superposição temporal nos arranca de nossos contextos atuais. O impacto causado por notícia de doença, de morte, de quebra de apoio, de mudança de planos causa medos, apassiva tanto quanto gera revolta, sentimento de raiva ou de inveja. Nesse turbilhão, se sai dos centros relacionais, das situações existentes na vida diária. Os filhos podem passar a ser percebidos, por exemplo, como os que não vão mais ser cuidados, os planos de vida, os empreendimentos, as superações de obstáculos e dificuldades são aniquiladas. Surgem o medo, a revolta, o desânimo. Aceitar o limite, que é a evidência, é aniquilador. Situações de não aceitação, de separação de amantes/f

De repente, o outro

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  Olhar para o outro, ouvi-lo estar atento a ele é uma das formas mais puras de generosidade, dizia a filósofa Simone Weil. Ouvir, deter-se diante do outro, olhar por olhar, ouvir por ouvir, estar diante sem a priori nem objetivo é raro, é difícil, é disponibilidade. Em psicoterapia, pelo treino e aprendizado psicoterápico se faz isso, entretanto, na vida, no cotidiano é quase impossível esse comportamento, pois o outro é sempre um acesso, um caminho, uma parede, um esbarrão e não significa enquanto encontro, embora só se realize enquanto tal. Perceber, ouvir, se deter é enfocar, é verificar e constatar, e essas são importantes etapas e caminhos de descobertas. É o enigma que se esclarece, é a mensagem que se lê, é o outro que se descobre, que se revela quando recebe atenção. Deter-se diante do outro, além de generosidade e descoberta, é encontro, é desafio. O outro quando ouvido deixa de ser enigma, deixa de ser antítese, é a descoberta que revela, é o texto que ensina, é o novo que

Mesmice

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  É comum ouvir acadêmicos, técnicos diversos e filósofos explicando alguns processos como sendo situações pendulares, como se fosse o ir e vir de contradições - indo ora para um lado, ora para outro lado - e confundindo isso com dialética de processos. O ir para a esquerda, para a direita, para o sim, para o não, nada configura enquanto antítese, apenas explicita trajetórias na reta. As abrangências não são contraditórias. As divisões arbitrárias segmentam movimentos e criam pendularidade e nesses contextos não há sim, não há não, muito menos mudança. O que existe são passagens, oscilações que nada configuram além das alternâncias não contraditórias do movimento. Psicologicamente, nas situações caracterizadas por constante dúvida entre fazer ou não fazer o que se deseja, cria-se oscilação, alternância de comportamento que pode se expressar em inúmeras situações, sejam elas inconsequentes ou graves, como por exemplo o uso de drogas lícitas ou ilícitas para manter o bom humor e o ânimo,

Caos e esperança

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  Imagem: Divulgação/Governo do Estado de São Paulo   Empolgada com a perspectiva de ampliação da vacinação e com a autonomia científica do Brasil na área de vacinas, antecipei a publicação da próxima quinta-feira.   Mudanças da água para o vinho são consideradas milagres, prestidigitações ou apreciações incompletas de fenômenos. O inédito, o caráter de transformação mágica só existe quando processos e estruturas não são consideradas. Hoje, 26 de março de 2021, assistimos a esse processo no Brasil ao anunciarem a vacina BUTANVAC criada pelo Instituto Butantan, vacina com tecnologia 100% nacional que evidencia a autonomia do país na sua produção. A notícia parece milagrosa, causa esperança, alegria, revolta, raiva à depender dos contextos a partir dos quais o acontecimento é percebido. Como um país em pleno caos, sem liderança política, em crise econômica e com mais de 300 mil mortos em um ano de pandemia, consegue isso? Com certeza não é um processo fênix, não é um renascimento das cin

Práticas repetidas

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    Usualmente a repetição, a prática frequente é o que chamamos hábito ou costume. Afirma-se que essas repetições atingem níveis de inconsciência, tanto quanto de automatismos, pois seus mecanismos são explicados por condicionamentos ou manutenções inconscientes. Acontece que o hábito não é repetição ou inconsciência, ele é a resposta ao estímulo, é o automatismo do sim e do não, é a persistência do adequado, do aprendido. Nesse sentido, hábito como repetição mecânica, como resposta àquela pergunta implícita, funciona como o preenchimento de intervalos. Assim como na solidão se desmascara, grita e nada esconde, no hábito se repete uma resposta antiga. Não existem mais estímulos, entretanto restam respostas. É um dinamizador que segue a martelar no vazio. É o automatismo que nada configura, embora muito esclareça. A manutenção de costumes, geralmente entendida como hábito, nada explica, embora esclareça comportamentos. Apenas ocupa um lugar no espaço e como o preenchimento do vazio sig

Bom é o que detém

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  Na continuidade de circunstâncias, de contingências que adensam e enrijecem aderências, o maravilhoso é ser detido, ser ultrapassado. É um momento no qual transcendências são realizadas.  Estar polarizado pela contradição exercida pelo outro, ou por si mesmo, é possibilitador de questionamento e consequentemente de mudança. Viver as próprias insatisfações, os próprios problemas é uma maneira de começar a resolvê-los. Descobrir como é motivador o que se conhece e o que se trabalha, tanto quanto o que não se sabe para onde nos leva, mas que oferece surpresas e descobertas, é satisfatório, cria felicidade e alegria. É a curiosidade, o despertar, o ir para diante na continuidade do estar aqui e agora. Encontrar o outro - igual ou diferente - também pode ser um polarizante que detém. Esse processo é estar totalmente dedicado e sem alienação. Tudo é vivenciado enquanto vivência e não como pontos a atingir, situações a manter. A perda de limites posicionantes é libertadora e essa liberdade

Imersão

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  A dedicação possibilita inúmeras vivências. Totalmente voltado para o que se pretende e propõe se consegue imersões transformadoras. Esse processo é a continuidade do estar no mundo com o outro diante de obstáculos, soluções e problemas. A imersão é uma decorrência de estar vivenciando o presente. A continuidade da vivência presentificada cria disponibilidade e exila metas - que são propósitos antecipados -, fazendo com que tudo sinalize enquanto motivação. O percurso das nuvens, por exemplo, ou o deslocar de formigas são exemplos de ordens frequentemente não configuradas. Pensar em Deus, em natureza é lançar mão de extras com relação ao ocorrido. O que não se vê entre nuvens e formigas são andanças, movimentos, e isso as iguala. Semelhanças, diferenças tudo é continuidade de significações não explícitas. Certos contextos podem elucidar. Só a dedicação, a imersão, o voltar-se para, é capaz dessa realização. Não é empreendimento, não é propósito, não é desejo, é ombrear-se, voltar-se

Expressão

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    Expressar é significar. A expressão do significado sempre ocorre e é estruturada por diversos contextos. Símbolos - linguagem na esfera geral - realizam a magia que é a expressão do pensamento, do sentido, do que é vivenciado. No pequeno mundo individualizado, poucos gestos, poucas palavras, poucos olhares indicam muito. É o jeito de corpo, é o fingindo não fingir, é a expectativa, é o vazio que muito revela. Situações sínteses, olhares perfeitos e completos, palavras definitivas podem expressar tudo. Uma dessas palavras síntese é a expressa na tradição védica: Om . Tal palavra, tal som se transforma em vibração, transcendendo e afirmando códigos e referenciais de escuta. Outro exemplo contundente e corriqueiro encontramos na esfera individual: a força da unidade ou grito de uma mãe avisando ao filho que tem um obstáculo perigoso à sua frente. A expressão, às vezes, é uma maneira de dar vida, de presentificar anseios, medos e descobertas. Ela é a liga de encontros e desencontros. É