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Sutilezas

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    Sutilezas, esses amorfos, se tornam densos quando contextualizados. Receber o café frio ou observar os olhos levemente arregalados podem exprimir o cansaço do estar junto, do nada mais ter que motive. A manutenção, o cansaço negado podem ser gritados por sutilezas. É a relação entre o que ocorre, como, quando e onde ocorre, que tudo explicita. Frequentemente temos que contextualizar situações em outros acontecimentos que encaixam muitas coisas - como acontece nas brigas reais - para entender início, meio e fim de processos. Gritos de agonia ou de prazer nada expressam isoladamente. O isolamento, a percepção descontextualizada transforma em ruídos os sons mais diversos. As formas sutis de amor ou de ódio são sempre manifestadas, embora nem sempre percebidas. A sutileza é o qualitativo que tudo atravessa, embora geralmente só signifique enquanto quantidade expressa. Nesse sentido, a sutileza só aparece quando se quantifica e nesse momento ela se nega. Explicar a piada, repetir a lada

Insight não é comprometimento

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  Algumas vivências podem ser atrapalhadas, confundidas pela memória. O presente contextualizado no presente permite a percepção do que está se dando, acontecendo enquanto situação que se dá, que ocorre. Quando o presente é contextualizado no passado, esse fato, esse contexto interfere na percepção do presente. Cria semelhança ou dessemelhança buscadas/encontradas. Esse processo quebra o vivenciado enquanto situação que se dá, que ocorre. Constatação acontece por estar presente, nunca antes ou depois. É necessário não deixar a memória interferir para que não surjam comparações que se misturam no que está ocorrendo. Estar totalmente no presente é se permitir a apreensão do que ocorre em toda sua beleza, em todo o seu horror, no que esvazia, no que integra. Constatar é definidor, é ampliador de limites e de possibilidades. É caminho, é o novo que resplandece. É o insight. Outro artigo meu sobre este tema: " Constatação - Impasse e movimento " (https://wsimag.com/pt/bem-estar/19

Ressignificações

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  Novos significados só são possíveis quando surgem novos contextos estruturantes. Trabalhar o significado simbólico e o lingüístico exige sempre contextualizações para que haja comparação dos mesmos. Símbolos estabelecidos, linguagem escrita, falada ou desenhada são sempre fatores de discriminação seja para entender ou conhecer (discriminar), seja para separar, excluir, isolar. Recortes parcializadores criam preconceitos. A história está cheia de inúmeros exemplos, dos mais habituais aos mais esdrúxulos como o vermelho da beterraba na sopa borsch da Rússia ressignificado e entendido como sangue de crianças na sopa; ressignificação para induzir o horror aos comunistas, horror considerado fundamental e necessário na guerra fria. Em alguns casos, ressignificar nada mais é que "puxar brasa para sua sardinha", isto é: transpor formas, e isso é sempre gerador de destruição se não forem mantidas as coerências significativas das formas. Nesse sentido falta às ciências humanas, tant

Metamorfoses

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  Quando se perde referenciais de convivência pela justaposição de finalidades, outros caminhos são gerados. Essa transformação é criadora. É como a fusão de qualidades: juntar amarelo com azul cria o verde. A nova cor, a nova forma, a nova ordem é integradora de semelhanças e dessemelhanças. Observa-se sempre uma parte em comum: o básico estruturante que permite integração. Não havendo essa estrutura, ou seja, havendo fragmentação, não pode surgir integração. O todo não é a soma de suas partes. Aparências na justaposição são evidentes. Isso obviamente tanto se aplica à individualidade humana, quanto aos agrupamentos humanos. A despersonalização, a inautenticidade expressam sobreposições, conveniências e problemas. Associações com esses referenciais são híbridos, máquinas de guerra, máquinas para relacionamento, exercício de finalidades mas de núcleo vazio, fragmentos dissociados. Seres humanos quando se aceitam, coesos em seu exercício de possibilidades, ultrapassam necessidades e con

Sem medir, sem contar

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  Não avaliar, não pesar, estar com o outro, com o que acontece independente da avaliação, da verificação de valores e vantagens é humanizador. Nos relacionamentos humanos acumular, ter o pedaço maior ou o que avalia como o melhor, nada significa pois seis é um acréscimo de uns, de dois etc. a quantidade não expressa a felicidade, não a esgota, nem define. Perceber o outro, o mundo por meio de limites valorativos estabelece preconceitos. É essa discriminação que alija o outro. É ela que cria conceitos cruéis de inferior, superior, melhor, pior. Atualmente, o dinheiro e o poder são os padrões métricos do ter. As pessoas são avaliadas, são consideradas boas, ruins, superiores, inferiores a depender do que têm. O ser foi diluído, encoberto, transformado pelo ter, essa velha constatação - ser x ter - diariamente assume novas formas desumanizadoras. Avaliar é a chave mestra que tudo codifica e destrói. Nessa codificação existem as pessoas de bem (ricas), as de mal (pobres), as confiáveis (d

Estabilidade

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  Qualquer situação é passível de estabilizar ou desestabilizar. As diferenças decorrem das participações. Ao conviver com o que infelicita e corrompe se consegue dizer não ou se acomodar. Ao negar, contradizer o que aliena e infelicita se estabelece negação e contradição responsáveis por nova direção. Nos relacionamentos familiares e profissionais isso é constante. Não questionar, se omitir, se acomodar em função de medos, vantagens, desvantagens ou desajuste oprime. Cada situação que causa estranheza, deve ser questionada. Só assim percebemos que é melhor mudá-las ou que é melhor  transformar nossas atitudes em relação às mesmas. Odiar a casa que se mora, desejar outro chefe, querer amigos mais prestativos são indicadores de não aceitação e metas frustradas. Perceber as próprias insatisfações e frustrações amplia as possibilidades de se sentir melhor com o que está diante de si, tanto quanto cria a urgência de transformá-las. O bem-estar, a tranquilidade dependem da estabilidade. Ess

Aceitação do que ocorre

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  Aceitar o que ocorre, mesmo quando limitador e opressivo, é o que permite ultrapassar antagonismos. Aceitar é o ponto de apoio, o fulcro a partir do qual as situações são modificadas, transformadas. Situações cruéis e extremas, tais como descobrir que o amigo é o inimigo que ameaça, que o pai é o violentador, ou que é a própria mãe quem propicia sua venda ao próximo caminhoneiro por exemplo, tais situações fazem com que se mude de atitude quando se aceita a percepção de que não existe mais o amigo, o pai, a mãe. O que existe são lobos em pele de ovelha, que despistam suas ações perversas na corrida para conseguir seus objetivos. Nessa percepção, o chão, a terra desabam. Essa mudança, a aceitação do que ocorre, perceber que o pai é o monstro que ameaça (no exemplo acima) permite que se lute, fuja, denuncie, enfim, que seja tomada outra atitude. Enfrentar a crueldade do outro é possibilitador de mudança e o enfrentamento só é possível quando se aceita a realidade percebida. Se acomodar

Nada além do que se vivencia

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  Nada além do que se vivencia, essa aparente pontualização, nada mais é que a total vivência de estar no presente contextualizado no próprio presente. A vivência do presente contextualizada no presente é característica da infância feliz (cada vez mais inexistente, pois invadida pelas regras e normas de utilidades, vantagens e necessidades). É também frequente, embora fugaz, nas vivências afetivas nas quais, pela intimidade, pelo prazer se é cercado por um turbilhão circunstancializador. São cada vez mais raras essas vivências, pois as expectativas de resultado, o medo de ser rejeitado, tanto quanto os anseios de conquistas interferem nas vivências do presente. Criam ilhas de expectativas e os recursos apelativos de performances e imagens voltadas para conseguir realizações geram simulacros, escondendo o que se é e revelando outros aspectos considerados aceitáveis e irreprováveis. Sem vivenciar o presente contextualizado no presente são construídas paredes protetoras, que são também as

Surpresa e cálculos

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  A percepção do que existe, a vivência do presente se torna exequível quando vivenciamos o que está diante de nós como o que está diante de nós. Esse se despir de desejos e significados faz apreender o que se dá, o que acontece enquanto ocorrência. Estar diante do outro, do além de mim, do que me continua, quebra aprisionamentos inclusive os de catalogação e sistematização. É a voragem - essa sucessão -, fluxo de vivências que dá continuidade ao que acontece, ou seja, ao que está acontecendo independente do que significa. Essa continuidade de vivências tudo muda. Via de regra acontece o que pode acontecer e assim nada causa surpresa, nem sai do lugar. As utilidades/inutilidades são os legalizadores do que acontece, do que pode ou não deve acontecer. Atualmente, até a própria morte ou a dos outros é calculada, estabelecida ou evitada. Inúmeras proteções e neutralizações são criadas até mesmo a ideia de morte necessária, utilidade descoberta para evitar desgastes, privações e tristeza.

Apreensão da totalidade

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Ultrapassar os limites da reação mecânica - reflexo dos e aos estímulos desencadeadores de respostas - permite ao indivíduo globalizar os acontecimentos, os fenômenos que ocorrem. A vivência do presente contextualizada no próprio presente, o estar inteiro e voltado para o que ocorre é o que possibilita essa vivência. Quando se está buscando atingir resultados e conclusões, tudo que acontece é conduzido para tais objetivos; sequer se percebe a totalidade das ocorrências, pois elas são segmentadas e utilizadas para o objetivo que se deseja. É a vivência fragmentada na qual a parcialização se transforma em impedimento para a percepção de totalidades. Na esfera individual, o querer realizar desejos é sempre obscurecedor, turva detalhes, deforma características. São clássicos os exemplos entre mestres e discípulos, como o de mostrar a lua para o aprendiz e ter como percepção pregnante por parte dele, o dedo que aponta e não a lua; é a transformação da parte/todo que aliena e exila possibili