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Mostrando postagens de maio, 2026

Dificuldades

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Quando o indivíduo está voltado para resultados, para o futuro, ele nega e não vivencia o presente. A busca de realizar desejos, planos e propósitos atrapalha o que se está vivenciando. É como se a totalidade dos processos, do que se vivencia, obrigasse a novas configurações. Surgem conclusões que escondem e negam o que está acontecendo, e, assim, fantasias, planos e desejos são convertidos em realidade. Essa distorção perceptiva se transforma em portal para decepções e frustrações. O que está se considerando como existente não existe, os significados atribuídos ao que se insinua como existente também não existem, e essa vivência aumenta dúvidas e medos.   A insegurança, a ansiedade são constantes e as dificuldades no lidar com o que acontece são aumentadas. A contabilização do não existente, seja para o bem ou para o mal, gera muita tensão resultante de apostar no que se deseja ou precisa. A motivação voltada para realizar desejos e planos, para aplacar necessidades, é a matér...

O dentro e o fora

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     Toda vez que se estabelece a ideia de interno/externo surge o vazio. Essa delimitação de espaço, dentro e fora, cria absurdos ou resultantes imponderáveis.   Quando o ser humano se autorreferencia, ele estrutura um ponto de partida de onde tudo é percebido, pensado, experienciado. Esse ponto pode ser a própria sobrevivência, o sucesso ou a imaginada felicidade, geralmente traduzida por realidades óbvias, como: ter dinheiro, sucesso profissional, realização familiar, êxito nas crenças religiosas, ou até vivências mais específicas como as ligadas à sexualidade, por exemplo.   Encontrar algo que justifique, preencha ou valide a existência é uma maneira de preencher o vazio. Esse viver por, viver para, essa busca de realização é adaptação, estabilização esvaziada, pois mantém a distorção que a gerou: a não aceitação de estar no mundo com os outros, aberto às variáveis e infinitas vivências e ocorrências. É o fato de não suportar essa multip...

Esmagamentos

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      Quando se resume a definição de homem em organismo mais evoluído da escala biológica, se reduz suas particularidades e atividades, enfim, seu comportamento, às dimensões calculáveis de realização das funções de sobrevivência: fome, sexo, sede e sono. Quando se pensa assim, essas necessidades são o palco, o chão, a base, o contexto onde tudo se desenrola, se desenvolve e eterniza.   Aceitar que questionar – ir além do dado – amplia contextos, possibilidades e necessidades significa estruturar indagações, perguntas e respostas. Esse é um processo de expansão e transformação. Não é redução a características biológicas. A prisão se abre. O mundo é confrontado: o ser humano percebe, pensa, dialoga, escreve, canta, poetiza o caos, quebra ordens milenares.   Sofrimentos aprisionantes (Prometeu), driblar espadas (Dâmocles), iludir príncipes e reis (Maquiavel) são situações, atos humanos, demasiadamente humanos como diria Nietzsche.   📕 Os livros a...

Imobilizações

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Uma das principais consequências do autorreferenciamento é a imobilização. Criar os próprios sistemas de convergência e divergência é sistematizar caminhos que conduzem ao poço sem fundo das certezas e incertezas não questionadas e mantidas como base para sobreviver. Elas são as garantias que permitem defesas e realizações. Patrimônio, conquistas familiares, certezas acerca do que traz sucesso ou fracasso são as balizas, os faróis orientadores do comportamento comprometido. Nesse sentido, é possível estabelecer um corolário: quanto mais certeza mais imobilização. Estacionar nas plataformas de sucesso ou de fracasso, buscar e fazer delas o objetivo da vida, é uma decorrência de a priori, de certezas enrijecidas que tudo definem, comprometem e imobilizam.   Viver para, viver por, nega a vivência do presente, e quando isso ocorre surge desvitalização, despersonalização, isto é, vazio. O ser humano se transforma em objeto manipulado pelo que o cerca: a família, o Estado, o gr...

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