Extremos
Não aceitar a própria realidade é uma das questões frequentes nas vivências de problemas psicológicos.
Todos os desajustes psicológicos se caracterizam por não aceitação de si, do outro, do mundo, da realidade. Quando essa situação é percebida e manejada como problema, soluções surgem. No entanto, tudo que é visualizado como crítica (não aceitação), desespero, pedido de ajuda e reclamação leva ao posicionamento de vítima. Nessa situação, o indivíduo quer ajuda, não importa de onde ela venha. Assim é criado o parasitismo, as dependências e acentuados os medos, raivas e invejas. A exacerbação desses sintomas pode evoluir para deslocamentos de busca de aplacamentos por meio de drogas lícitas ou ilícitas.
Essas vivências de não aceitação da realidade são explicitadas em expectativas de ajuda, cheias de raiva e criadoras de desespero e maldade. Frequentemente elas são cooptadas, canalizadas por grupos políticos e gangs que subvertem a sociedade, as famílias e as escolas. Inúmeras notícias “terríveis e espantosas” que ouvimos, envolvendo enganos, golpes e violências extremas provam essas configurações.
É fundamental aceitar o limite, vivenciar a frustração e transformá-la em questionamento. Essa mudança é frutífera, traz aprofundamento de contradições, realinha o indivíduo com ele próprio, permite perceber o outro enquanto tal e não como instrumento útil ou inútil para solução de problemas. Perceber o outro como outro e não como algo para seu serviço e ajuda é fundamental para iniciar o processo de humanização, substitutivo da despersonalização gerada pela não aceitação da realidade.
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"Para haver mudança não basta vontade e desejo de mudar, são necessárias antíteses, situações, realidades que se antagonizem" - Vera Felicidade, in: Emparedados pelo vazio - Bem-estar e mal-estar contemporâneos
"Transformar o indivíduo que está impermeabilizado em participante, via enfoque psicoterápico, é criar novos encontros, novas configurações" - Vera Felicidade, in: Autismo em perspectiva na Psicoterapia Gestaltista




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