Acordos
Quando acordos são estruturados em omissões e concordância, as possibilidades de realização, superação e harmonia são remotas. Concordar frequentemente significa impotência para mudar o que divide ou atrapalha. A concordância diante de impasses funciona como ponte, que busca recompor trafego, circulação. O objetivo utilitário esmaga a autenticidade, e nesse sentido o que já foi único, o que gerou concordância é, por definição, criador de divisão e discórdia.
Diante de impasses é fundamental um testemunho. Nessas situações, existir o testemunho, o terceiro presente que permite configurar as divisões é vital. O testemunho revela as discórdias e quando elas são explicitadas as situações se unificam, pois os acordos passam a significar denúncias escancaradas dos desentendimentos, das quebras. Dividir para funcionar, assim como antagonismos e anteparos são destruídos e as discórdias aparecem, não podendo ser cobertas por acordos.
Concordar, nesse caso, é explicitar divisão e dificuldades que só permitem unificação quando todos os componentes da discórdia são demonstrados.
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"Para haver mudança não basta vontade e desejo de mudar, são necessárias antíteses, situações, realidades que se antagonizem" - Vera Felicidade, in: Emparedados pelo vazio - Bem-estar e mal-estar contemporâneos
"Transformar o indivíduo que está impermeabilizado em participante, via enfoque psicoterápico, é criar novos encontros, novas configurações" - Vera Felicidade, in: Autismo em perspectiva na Psicoterapia Gestaltista




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