Constância
Normalmente entendemos constância como o que não muda, e em relação a pessoas são aquelas que são fieis, que mantêm propósitos, compromissos e desejos. Nessa abrangência a constância é uma faca de dois gumes: ela diferencia, corta, separa e também limita. Ser constante, manter propósitos pode ser uma maneira de negar o tempo, a passagem das situações, a mudança, e, assim, a constância é transformada em compromisso, em medo do próximo passo e proteção para os vendavais que transformam realidades. Torna-se uma cabine de isolamento e proteção que pode ultrapassar a imanência individual e colocar o indivíduo fora dos processos vivenciais. Os juramentos de fidelidade, como o clássico “até que a morte nos separe”, estão calcados em suportes negadores de circunstâncias e vivências, enfim, negadores de mudança. A vivência contínua de constância impõe questionamentos. São antíteses que exacerbam propósitos e medos e questionam a coerência. Podemos perguntar se a ...