Thursday, September 6

Iniciativa

Iniciativas não são atitudes inesperadas, súbitas.

A iniciativa sempre decorre de decisões, neste sentido, havendo unidade, existe iniciativa. A constatação das implicações, a percepção do que está ocorrendo sem autorreferenciar, não gerando dúvida, não gera vacilação, é a globalização dos dados relacionais, sem divisões, pois que não existem contradições ou complementações. Tudo é contínuo, qualquer momento é iniciador e também finalizante; a decisão está contextualizada no processo e nas suas implicações.

Para o indivíduo que não está posicionado, sem emergências arbitrárias, a iniciativa, a decisão são constantes; aparecem sob forma de participação, de presença. O que está ocorrendo indica sua continuidade, tudo é espontâneo, tudo é contextualizado. Não existe necessidade de esforço, não existe regra. Não há "o tem que" ou o "deve ser".

Decidir é ter iniciativa, é o se propor a, estando presente e dialogando com o que acontece.

Qualquer coisa que ocorre traz seus contextos relacionais estruturantes. Não quebrar esta ordem é ser livre, é estar entregue ao que ocorre sem a priori ou meta. Não havendo compromissos nem submissão, existe iniciativa, existe decisão, não precisa pensar (prolongamento da percepção), basta perceber.


"Os irmãos Karamázov", de Fiódor Dostoiévski

2 comments:

  1. Que texto, Vera! Adorei! Denso, profundo, me disse muito sobre presença, participação, liberdade... a iniciativa abrangendo tudo isso e muito mais! É fantástico como você conceitua, desenvolve idéias e abre "portas"!

    Grande abraço

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