Thursday, April 21

Imediatismo

Toda vez que se reduz realidade, circunstância e motivação ao foco dos interesses imediatos, pontualiza-se as ocorrências. Este autorreferenciamento implica em comportamento manipulador que resulta em coisificação de todos à volta de si.

Transformado em botão propiciador, em interruptor, o outro é apenas o que vai permitir ou impedir realização de vontades e necessidades. Manipular o outro equivale a acessar botões, acessar alavancas que liberam entraves e realizam propósitos. Este comportamento caracteriza o imediatismo, onde tudo deve convergir para o que se quer. Quando desejos não são realizados, surgem desespero, frustração e irritação desencadeadores de agressividade.

Comportamento agressivo é a tentativa de contornar o obstáculo para atingir o alvo, não importa como. Esta agressividade, quando não consegue fragmentar obstáculos, frequentemente se torna uma arma que atinge  qualquer familiar amado ou o melhor amigo, por exemplo. Destruir o que impede a realização dos propósitos imediatos, às vezes faz com que o desejante se destrua, pois é impossível suportar a frustração e o vazio da não realização. Muitos suicídios, nada mais são que a eliminação do outro que impede (ele próprio), que tem uma quantidade de desejos frustrados e não realizados; nada mais são que a destruição de quem não realiza sem mesmo ver, graças ao imediatismo, que o destruido é o próprio desejante, ele mesmo. Semelhantes às saídas de emergência nos aviões, abrir-se para o vácuo, para espaços livres que nada suportam nem seguram. Esta saída é uma queda, mas realiza os objetivos imediatos, traz ar, embora destrua o respirante.

A pontualização de vivências, a negação das implicações processuais são construtoras de imediatismo.


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