Thursday, March 9

Inevitabilidade

A perspectiva do inevitável cria, para certos indivíduos, medo e apreensão, tanto quanto desencadeia desejos constantes decorrentes de fugir da percepção de impotência paralisante. Varia de indivíduo para indivíduo o que é considerado inevitável. Variações são iniciadas desde os critérios de “não quero que aconteça isto, não é bom para mim”, até a irremediável perspectiva da morte. Quanto mais afastados e incompatibilizados com a própria realidade, mais condições de inevitabilidade são estabelecidas. Nas situações de vício, por exemplo, é frequente como a irreversibilidade do processo é transformada em detalhe, ficando a depender de vontades e desejos pessoais.

Existem indivíduos que diante de qualquer possibilidade de variação na rotina sentem medo, imaginam catástrofes, desde a reprovação do filho em uma determinada disciplina na escola, até o emagrecimento de dois quilos traduzidos como sinal de doença mortal.

A condição de inevitabilidade é uma antecipação gerada pela impotência diante do que ocorre. Não aceitar isto cria deslocamentos de onipotência geradores de prepotência, prepotência esta expressa pelo medo, pela certeza da inevitabilidade. Pessimismo, ideias catastróficas são maneiras de eliminar a não aceitação da impotência diante do que ocorre, dos desejos não atendidos.

Nos relacionamentos afetivos, a crise de separação, o medo de ser abandonado/a, cria ideias de inevitabilidade, prolongadas por apegos e mentiras - técnicas de sedução -, destinadas a envolver e manter o outro, que são bastante comuns: desde o conhecido “golpe da barriga”, até o arranjar um amante para não sofrer o abandono.

Desistência da vida também é um aspecto de vivência de inevitabilidade, às vezes caracterizada por suicídio, por abandono da vida, já que, nestas condições, é impossível entender as intrincadas inevitabilidades de seu desenrolar.


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