Ciladas da sobrevivência



Transformando suas possibilidades em necessidades, vivendo em função de acomodações e medos, de inseguranças e dificuldades de enfrentar o que ameaça e compromete, o ser humano é aprisionado nas suas dimensões de acomodação.

Estrangulando suas possibilidades de mudança, de transformação, cada vez mais ele se confina, se situa no que o apoia, no que lhe permite exercer seu bem-estar: dormir, comer e manter mínimos prazeres de boa convivência, sexo e imagens sociais.

Quando isso é ameaçado, não sabe como agir. Angustia e ansiedade são seus orientadores comportamentais e assim ele descobre que morrer - se suicidar - é uma forma de sobreviver. Realiza seu lema: quando não aguentar, quando não mais conseguir, morrer. Suicidar-se é a saída de emergência, é o capital, a reserva que garante e permite exercício de irresponsabilidade, parasitismo e dedicação ao seu jeito de ser, aos seus vícios, hábitos e medos. A própria angústia é a bola de neve, que para ser evitada o lança no precipício da morte como única forma vislumbrada para sobreviver.

Detendo-se no que o infelicita, questionando suas implicações, surgem respostas que trazem esclarecimentos transformadores das ciladas que o aprisionam.

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