Reconhecimento e encontro




Identificações provocam encontros estruturados em expectativas. Desde Platão que se pensava em andróginos que se completam, atualmente resumidos nas metades que se encontram. Descobrir o par é um milagre, encontrá-lo depende de buscas persistentes.

Focado na meta, no desejo de complementação, os seres realizam seus propósitos, tanto quanto conhecem enganos e decepções. Encaixar peças, complementar quebra-cabeças e ver o vento tudo levar, causa desespero, tristeza. As circunstâncias, as contingências esclarecem sobre a fragilidade das construções, dos castelos de areia.

Nada precisa ser construído ou reconhecido quando há integração. Esse processo tudo engloba, novas realidades surgem e a vivência do despertar, do descobrir são contínuas. O outro é o duplo que tudo evidencia, esclarece e motiva. O encontro dispensa o reconhecimento, não há preexistência, tudo é novo. Exatamente por isso, fica claro que não adianta buscar o complemento, não adianta investir na companhia, não é preciso buscar, basta encontrar, que é a descoberta do outro em si mesmo, tanto quanto a vivência de si mesmo no outro.

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