Discordância
Discordar é expressar diferença, contradição ao que se pensa e afirma, ao que acontece. Em princípio, discordar resulta, supostamente, de estabelecer uma antítese, um contrário ao que ocorre, ao que se percebe. Nesse sentido, discordar é a bola mágica que mói, é a antítese que possibilita síntese e mudança. Acontece que discordar, geralmente, é também apresentar simplesmente o contrário como exercício de contestação e de revolta. Dizer não, descobrir “cabelo em ovo”, achando que isso invalida a existência dele, é meramente manifestação de desagrado. Sob essa ótica a discordância é o que instala a discórdia. É discutir por discutir, negar por negar, apenas expressa incompatibilidade. Diante do outro e dos acontecimentos, das ideias e ideais, discordar significa pouco enquanto discordância, pois somente impede o fluir contínuo da comunicação.
Estabelecer a própria visão, ou seja, o próprio ponto de vista como alfa e ômega de toda explicação, é o reducionismo que alicerça a dificuldade de comunicação, a incapacidade de globalizar e conceituar o que acontece. Atribuir aos acontecimentos categorizações de origem e princípio gera quadrados limitantes, nos quais o que se discute é encarcerado por conveniências, medos e propósitos alheios à própria discussão. Portanto, discordância é a atitude de manter o que consegue e deseja, pois o mundo, o outro, são percebidos como os espoliadores, os que ameaçam. A prevalência dessa atitude autorreferenciada transforma o diálogo e os encontros em esbarros ameaçadores. Distorcer o que está diante com o que se percebe – a vivência – é constante na não aceitação – limites do existir. São posicionamentos criadores de dificuldades, até mesmo de despersonalização, pois a não percepção do contraditório, diferente e contrário aos próprios desejos, aliena, despersonalizando e polarizando a existência em referenciais e limites pouco abrangentes do estar no mundo com o outro.
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📗 "Como bem nos alerta a dialética, o homem se desenvolve mesmo na alienação". In: Tudo é relacional - causalidade nada explica |
📘 "Para haver mudança não basta vontade e desejo de mudar, são necessárias antíteses, situações, realidades que se antagonizem". In: Emparedados pelo vazio
📕 "Transformar o indivíduo que está impermeabilizado em participante, via enfoque psicoterápico, é criar novos encontros, novas configurações". In: Autismo em perspectiva na Psicoterapia Gestaltista
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