Voltar e sair


Fênix - Mosaico Romano na antiga cidade Aquileia, Itália

Às vezes a única saída é voltar. Quando se está preso ao percebido como irremovível é difícil sair, é difícil se movimentar. A constatação desse limite permite soluções, perceber, por exemplo, que a única maneira de sair do impedimento é a ele voltar. O deslocamento realizado pelas saídas prováveis ou não existentes é uma forma de se afastar a fim de conseguir realizar a quebra dos impedimentos. O medo imobilizador, a omissão que impede movimentos é resolvida quando se configura a realização do que é necessário fazer para cumprir as obrigações e eliminar os limites impeditivos.

Voltar, consertar falhas, suprir dificuldades é o que permite sair das mesmas. Recuperar os indivíduos dos fracassos admitidos permite ações liberadoras. Admitir os problemas é uma maneira de aceitá-los e, assim, começar a transformá-los. Voltar ao que se quer largar, entendido como responsabilidades não aceitas, permite saída. É a constatação da impotência que ocasiona possibilidade de mudança.

Situações limitadoras são tão pontualizantes e restritivas que o caminho de saída, geralmente, é o da volta enquanto reconhecimento e realização do que ficou interrompido, esperando ser resolvido. Abandonar uma família por não conseguir conviver com ela, só é libertador quando se volta ao núcleo conflitivo desse abandono, desse deslocamento - só assim se transforma os impasses e se cria as saídas, as mudanças.


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