Antíteses, questionamentos e esbarros




Descobrir-se como ser humano é um longo processo cada vez mais comprometido e diluído nas questões sociais, econômicas e religiosas. Fazer parte de uma família, de um grupo, de uma sociedade cria marcas, rótulos identificadores que não apreendem a totalidade individual. As questões de etnia, sexualidade e nível econômico ocupam todo o espaço e geralmente são resolvidas, mas não esgotam a individualidade ao preservá-la, identificá-la nesses recortes. Romper as bases de sustentação, quebrar apoios que impedem expansão são antíteses necessárias. Perspectivas são estabelecidas, o presente, o novo se impõe: há um ser, uma pessoa, um indivíduo no mundo que tudo pode descobrir, desde que caminhe. E caminhar sem buscar, apenas seguindo a trilha pode também ser novo, posto que personalizado pelo próprio caminhar, pela autonomia. O que faz a diferença não é ser igual ou ser diferente, o que diferencia é a autonomia, base de liberdade que neutraliza circunstancialização. Quanto maior a circunstancialização, menos autonomia. Esse processo de adaptação e adequação geralmente esmaga a individualidade quando não há estrutura autônoma para suportá-la. Autonomia profissional, econômica, social não significa autonomia psicológica, que se caracteriza por aceitação de si, de seus limites e possibilidades, vontades e contradições.

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