Instabilidade
Instabilidade é uma consequência do movimento, desde que é ele que permite considera-la, vivenciá-la ou até mesmo questioná-la. No contexto do movimento, a instabilidade é constante. Quando determinamos estabilização nos posicionamos e ao fazer isso criamos antíteses criadoras de instabilidade.
Geralmente vivenciamos a instabilidade como realização da possibilidade de superação. Estamos falando daquele momento quando pensamos: “enfim cheguei”. É o que se atinge, é a segurança. Quando atingir é assim percebido e configurado surgem avaliações, medos, desejos e ansiedade. Essas vivências geram instabilidade, levando à desestruturação, ao medo de perder o adquirido, à necessidade de organizar ameaças. São certezas e ameaças que funcionam como terremotos que desestabilizam e criam inquietações. Nesse contexto, inquietação é exatamente o que se denomina instabilidade.
A falta de certeza quanto à continuidade, o medo de perder é a instabilidade sempre existente quando alguma meta, objetivo ou desejo é alcançado. Para superar esses torvelinhos, esses imprevistos se estabelecem marcos, tais como situações profissionalizantes (trabalho), e de bem-estar com o outro (casamentos, parcerias). Tudo isso pode possibilitar segurança, poder, riqueza, que neutralizam a instabilidade. Acontece que quando se busca antídotos, remédios e amuletos a busca é infinita e sempre aparece algo que precisa ser evitado: doença, cataclismos sociais, guerras, por exemplo, ou no final, o medo da própria morte. E assim se passa a viver em função de evitá-la, os médicos viram profetas, amigos e curadores. Tudo pode se constituir em magia para estabilizar, e nesse sentido, o que mais propicia neutralização do medo é o poder e o dinheiro. Ao pensar assim, o indivíduo nega toda sua estrutura e possibilidade orgânica do estar no mundo, ele abandona imanências ao transformá-las em subproduto onde todas as próteses e engenharias podem ser operadas e controladas. É o enrijecimento, a realização de propósitos e segurança a qualquer preço, inclusive em detrimento da própria humanidade, pois ela virou subproduto para arranjos, práticas e soluções.
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