Dinâmicas da convivência
Nem sempre conviver em uma família é fazer parte dela. O motorista que trabalha há mais de 20 anos, a babá e até o vizinho que participa dos acontecimentos cotidianos, explicitam uma convivência constante, mas não são família. Família é parentesco, regra e afinidade. Ela é história. A maneira como se formam os laços, como se forma o convívio define muito do que nos situa, determina e limita. Convívio é regra e é também acaso. Situações anômalas se tornam familiares, como: em função do ídolo que canta, dança e apresenta um show, a multidão convive e em uníssono expressa admiração. Situações esdrúxulas, como a da recente pandemia de covid-19 criou um convívio como sinônimo de não convívio, que se expressava no isolamento, um aparente não-convívio. Todos isolados conviviam em função de um único objetivo: evitar que a doença e a pandemia se propagasse. Por outro lado, estar junto é também sinônimo de estar distante quando decorre de ser imantado, contextualizado por referenciais e objetivos comuns. Conviver é participar, mas a abrangência da convivência gera limites. Essa especificação do genérico é criadora de níveis. Conviver em um grupo, participar dele é fazer parte de um genérico, solidificado quando parcialmente expresso como na família, por exemplo. A família é um aspecto de convivência.
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"Para haver mudança não basta vontade e desejo de mudar, são necessárias antíteses, situações, realidades que se antagonizem" - Vera Felicidade, in: Emparedados pelo vazio - Bem-estar e mal-estar contemporâneos
"Transformar o indivíduo que está impermeabilizado em participante, via enfoque psicoterápico, é criar novos encontros, novas configurações" - Vera Felicidade, in: Autismo em perspectiva na Psicoterapia Gestaltista




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