Conformidade e diversidade
A busca de adaptação e de bons resultados estabelece os padrões e tabelas do que é conveniente e inconveniente. Etiquetar, dividir, selecionar para vencer e conseguir são constantes na procura por se adaptar e vencer concorrências e desafios oferecidos no convívio com os outros. Essa atitude de adaptação sobrevivente impede globalização, a percepção ampla do que acontece, pois os indivíduos só se interessam pela seta indicativa das trilhas que devem ser caminhadas. A pavimentação em função de resultados reduz o tamanho do mundo, diminui possibilidades, embora minimize riscos e fracassos. Seguir o indicado é sempre restrito quando reduzido a único caminho. Traz vitórias, rápidas superações de obstáculos, mas empobrece e diminui a pluralidade da existência. Viver para sobreviver nega a liberdade, a descoberta das surpresas significadas pelas variedades de casos e neutraliza a opção existente cotidianamente para todos.
Preferir utilidade à liberdade, eficiência à descoberta, conveniência às vivências plurais e diversas que nos rodeiam, é uma maneira de diminuir condições para caber na caixa coletora dos sonhos e desejos.
Perceber que o fundamental é a convivência, independentemente de conveniência/inconveniência, abre caminhos e traz novidades, antíteses ao que é sólido e estagnado. Vida é dinâmica, e quando esse movimento é aprisionado, tudo é coagulado. Essa adaptação produz os mecanizados enquadrados, protegidos e desprotegidos. Diminuídas as dimensões, temporalidade especializada, a vida segue: linha reta para o fim que, na medida e na conveniência possíveis, tem que ser o mais distante ou o mais breve se for conveniente.
É preciso perceber que conveniente pode ser o que quebra medidas e nos dá nossa própria dimensão infinita, ou seja: estar no mundo com os outros, sujeito a manutenção ou mudança de limites e regras.
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