Thursday, January 21

Homogeneização - politicamente correto

Transformou-se em regra tirânica a ideia do politicamente correto estribada em ter os mesmos direitos, em não ter preconceitos nem discriminação e é terrível a homogeneização que isto significa para o indivíduo enquanto diversidade psicológica relacional e para os sistemas oriundos de culturas diversas.

Outro dia li sobre um movimento crescente nos Estados Unidos, de pessoas obesas revoltadas com a aparência e com a magreza dos professores de yoga, identificando isto com elitismo e preconceito, sentindo-se discriminadas nas aulas seja por falta, seja por excesso de atenção por parte dos professores ou sentindo-se excluídas das peças publicitárias sobre yoga. Por fim, estabeleceu-se um movimento de abandono dos estúdios tradicionais de yoga, por parte dos obesos, e criação de estúdios específicos para este público, com professores também obesos e muita publicidade duvidosa sobre discriminação nos ambientes yoguis, que justificavam a criação de tais estúdios e ampliação de mercado para os mesmos.*

Este grupo de ativistas sequer considerou que as posturas yoguis decorrem de padrões oriundos de uma cultura onde magro/gordo nada significam, mas que a condição corporal para realizar muitas das posturas era fundamental.

Sabemos também que a ideia de direitos iguais pode se constituir em grande fator alienante. Direitos iguais para velhos e novos é estabelecer torturas para uns e outros. A ideia de que todos podem e devem estar na universidade, é outro aspecto determinante da homogeneização, da pseudo igualdade. Economicamente inviável, seria como um país de doutores, tanto quanto seria insustentável que só tivessem operários, embora especializados, deixando a descoberto mil e uma demandas do humano como saúde, educação, entretenimento, filosofar.

Igualdade é tão questionante quanto a diferença. Em realidade querer homogeneizar ou heterogeneizar, já supõe propósitos prévios. É orgânico, visceral, relacional o criar parâmetros que estabelecem igualdades ou diferenças. Pensar em seres humanos é a única homogeneização legítima, a partir da qual diferenciações, heterogeneizações surgem, independente de regras política e socialmente corretas ou incorretas.

Necessário é perceber e entender o que é intrínseco ao indivíduo ou o que a ele é aderente, o que a ele está apenas colado e estabelecido como plano de ação. Não existem dons, talentos, necessidades que criem isto ou aquilo, existem condições relacionais, fruto de inúmeras variáveis culturais, sociais, psicológicas e políticas que se estruturam como chão, como plataforma a se caminhar, como luz, farol a ser seguido, orientando o caminho humano.

O que se deve buscar é o intrínseco e não o aleatório de contingência homogeneizante balizada enquanto regras que refletem maiorias ou minorias, nem tudo tem que ser organizado em torno de homens, ou de mulheres, ou de pobres, ou de ricos, ou de negros, ou de brancos, ou de obesos, ou de magros. Indivíduos não devem ser vistos como produtos equalizados em função de políticas e demandas. Indivíduos devem ser percebidos pelo que significam enquanto possibilidades e impossibilidades, enquanto humanização e desumanização, enquanto desespero e maldade, enquanto transcendência e bondade, enquanto unidade, diversidade.

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- “Em Nova York tem o Mega Yoga, o Yoga Corpo de Buddha e Yoga para Corpos Abundantes. Tem o Yoga das Curvas em Nashville, o Yoga para Pesos-Pesados em Austin, Tex. e o Grande Yoga em Buckingham, Va., entre outros”  in The New York Times, April 15, 2015 (“In New York, there’s Mega Yoga, Buddha Body Yoga and Yoga for Abundant Bodies. There’s Curvy Yoga in Nashville, HeavyWeight Yoga in Austin, Tex., and Big Yoga in Buckingham, Va., among others.” - in The New York Times, April 15, 2015)

- “Alguns fornecedores são inflexíveis quanto à exclusividade. Michael Hayes, dono do Buddha Yoga em Nova York, recusa estudantes magros em suas classes; se você é magro, você está fora. ‘Eu estou excluindo pessoas magras por pessoas gordas?’ ele disse. ‘A resposta seria: sim. Existem muitos estúdios para pessoas magras’.”  in The New York Times, April 15, 2015 (“Some purveyors are adamant about exclusivity. Michael Hayes, who owns Buddha Yoga in New York, refuses to let smaller people take his classes; if you’re too skinny, you are shut out. ‘Am I excluding small people for larger people?’ he said. ’The answer would be yes. There are lots of studios for people who are smaller’.” in The New York Times, April 15, 2015)



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