Cortes e descobertas




Para estar entregue a si mesmo, disponível e autônomo, é necessário se desfazer de aderências. Isso equivale à retirada de um véu - que alguma coisa encobre - tanto quanto à demolição de paredes que amparam e ainda mudam canalizações que endereçam fertilidade através de irrigações orientadoras. Esses cortes estabelecem sensações equivalentes aos que Matsuo Bashô escreveu em um belo Haikai:

Olhar, admirar
folhas verdes, folhas nascendo
entre a luz solar.

A vivência da constatação resultante da descoberta do não compromisso é um tapete mágico, propicia levitar e vencer até a força da gravidade. É uma vivência que transcende alguns limites quando se está entregue ao não apego, à disponibilidade do constatar e aceitar sua dependência, seu estar submetido a infinitas variáveis do processo de ser-no-mundo com os outros. Ser e aceitar fazer parte disso, faz perceber a totalidade, a finitude do existir, seu presente totalizador e integrador que destrói quaisquer outros significados e sentidos ao exaltar e mostrar a vida, o movimento, a liberdade, o existir.

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