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Mostrando postagens de maio, 2024

Amargura

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    Frustração contínua, desejos não realizados, expectativas falhadas são os ingredientes do posicionamento, do comportamento amargurado. Tudo falhou, nada deu certo, os indivíduos sentem-se sozinhos, desesperados, correndo atrás de oportunidades, da vida que todos têm e eles não tiveram. A inveja cozinhando, cozida com lágrimas de raiva filtrada pelo que consideram injusto, é o riacho que sacia a sede. É o amargo, o desprezível, o resíduo, o bagulho que deveria ser descartado, mas foi retido pois era o único estofo concreto do cotidiano. É o famoso personagem apascentado pelo ódio que escorre nas linhas de Poe, Shakespeare e Dostoiévski. É também o estojo, o ninho onde se condicionam e nutrem víboras. O amargor é imobilizador, pois é um resíduo muito forte da não aceitação de si, do mundo e do outro. Nesse sentido, criaturas amargas estão ancoradas na depressão que tudo detém, engole e destrói, mas que para elas é causa da doçura do dia a dia, sendo seu mel resta

Poço sem fundo

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    A ganância, essa atitude ou comportamento, resulta sempre da pessoa se sentir no direito de realizar e conseguir qualquer coisa que deseje pois é capaz e privilegiada, e também por ter direito ou por se sentir injustiçada, marginalizada. “Os meios justificam os fins, querer é poder, agora é minha vez” e outros lemas espúrios, enviesados e autorreferenciados justificam seus atos. É uma atitude autorreferenciada que atinge níveis perigosos quando alicerçada em direitos identitários, atitudes de expiação, ou pretendida justiça social. “Fui explorado, agora exijo meus direitos”, “todos têm, e eu?” são gritos desesperados que orientam comportamentos ambiciosos, exclusivistas e destruidores da harmonia familiar e social. São posicionamentos pessoais, apoiados em frustrações e desejos individualizados, sem entendimento das forças antagônicas grupais, sociais atuantes sejam na família, seja na sociedade em geral, consequentemente focados apenas nas mudanças que leva

Pragmatismo inútil

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  No mundo moderno é cada vez mais comum morar só, viver distante de amigos, conhecidos ou parentes. Olhar em volta e se encontrar sozinho, saber que não se tem quem encontrar, quem ouça, é, às vezes desesperador, tanto quanto apenas é uma constatação do que acontece. Essas situações, desespero e constatação, aparentemente diferentes, são iguais quando considerados os níveis em que elas se estruturam. Perceber-se só é o que existe em comum nos dois casos, as diferenças se iniciam ao avaliar o que é sublinhado, enfatizado no que ocorre. Perceber a solidão e com isso se desesperar acontece quando a mesma é filtrada por lentes pragmáticas ou culpadas. Ter um objetivo, uma meta ou ambição e a ela se dedicar é um pragmatismo validado pelos resultados, mas que engessa as possibilidades relacionais de estar com os outros. Na culpa, tampa da impotência, tudo é justificado e a procura de perdão, redenção dos atos, explicação dos mesmos, é uma constante.   Não ter onde o

Para que o inconsciente?

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    No final do século XIX, Freud se preparava para lançar sua teoria sobre a natureza humana no livro A Interpretação dos Sonhos (1900), com o intuito de entender e tratar distúrbios, doenças, conforme ele, tratar a neurose. Sua postulação do inconsciente como explicação da dinâmica da vida psicológica do ser humano está fundamentada em conceitos elementaristas, consequentemente reducionistas. É o que havia na psicologia recém saída da psicofisiologia desenvolvida por Wilhelm Wundt, que tentava explicar, medir e descobrir causas de toda e qualquer conduta humana. Esse resíduo associacionista estrutura e valida a ideia de natureza humana. É uma ancoragem explicativa desastrosa para o desenvolvimento dos enfoques sobre comportamento. Além da influência da psicofisiologia, a visão de atemporalidade implícita no conceito de inconsciente resulta de influência kantiana. A noção explícita em Kant, de que nada pode ser conhecido em si mesmo, e que portanto o conhecimento só é possível a