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Mostrando postagens de Fevereiro, 2022

Monólogo e solidão

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A sucessão de fatos, de acontecimentos cria esclarecimentos, cria novidades ao ratificar ou retificar crenças. Essa simplicidade processual geralmente é desconsiderada. O que é esclarecido frequentemente se transforma em letra morta urdidora do que se quer ou do que se teme. Nesse contexto, esclarecimentos que poderiam se tornar alavancas de mudança se transformam em referenciais de lamentos e queixas. Os processos de esclarecimento permitem diálogo com o que nos circunda, com o que está diante e em nossa volta. Esse diálogo constante é o que possibilita questionamentos e consequentemente mudança. Ideias fixas, busca de realização de desejos, de superar faltas estabelecem monólogos. Rodar em torno do mesmo ponto, medir os passos não realizados, ansiar por solução é o que predomina no autorreferenciamento. O monólogo apaga o outro, apaga o mundo. É a maneira mágica e autorreferenciada de manter eterna solidão, carências e medos.

Revelação

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  Percepções, constatações, que muito esclarecem, que abrem novos horizontes ou que abrem novos abismos, são transformadoras. A mudança do habitual, do familiar é um processo geralmente esvaziador, pois quebra crenças e verdades. O abandono, a doença, o engano exemplificam exaustivamente essas vivências. Da mesma forma, ser reconhecido, ganhar na loteria, reencontrar irmãos, pais desaparecidos ou anônimos, também criam novos processos, novas vivências que potencialmente descortinam horizontes ou ampliam abismos. Nas próprias exemplificações fica clara a existência do inesperado que frustra porque é causador do mal, enquanto o inesperado que resolve problemas e esclarece enigmas é o que amplia condições e é bom. Mas, independente de valores, a quebra de certezas, as revelações, inicialmente, precipitam o vazio. As revelações são construídas pelas contingências. É o encontro de várias palavras, contextos, histórias e narrativas, expectativas e medos que irá estruturar o que se teme e o q

Desvincular

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  A separação sistemática de acréscimos, de acúmulos, enfim, de condensações, é feita pelo questionamento das próprias motivações. É isso que permite atingir as sistematizações dos resultados buscados. Não existe nada que seja puro ou único, tudo está vinculado a tudo, entretanto, só quando é apreendida a essência, o constituinte imanente dos processos, é que eles podem ser configurados, é que eles fazem sentido. Sempre há um ponto de interseção que tudo explica na vida dos indivíduos, mas é preciso saber que esse ponto não é causa, não é origem. Ele é uma confluência, um nó, um espessamento, que ao ser discernido e distinguido, desvinculado de seus estruturantes, possibilita compreensão, entendimento, descoberta. Essa é a vivência cotidiana resultante dos processos psicoterápicos, tanto quanto das descobertas, dos momentos de Eureka! que mudam o mundo, como a ciência e as verdades ou apreensões individuais que muito esclarecem. É o insight , e é, da mesma forma, a separação do joio do

Instantâneo

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  Perceber o que está diante de si é realizar a obviedade do estar no mundo. É estar vivo. Equivale a respirar. No entanto, essa vivência presentificada é cada vez mais impossibilitada pelos anteparos, situações que se insurgem, situações edificadas, construídas, que desviam e impedem esse processo de vivência do estar no mundo. Classificar, denominar, circunscrever são alguns dos impedimentos que, filtrando ocorrências para conseguir incentivar processos motivacionais, trazem vivências alheias ao que está ocorrendo. É como se não bastasse respirar, é como se respirar fosse um processo destinado a angariar resultados. Fica impossível viver por viver, fazer por fazer quando se objetiva resultados, quando não se percebe que o resultado é intrínseco ao próprio fazer, ao próprio processamento de comportamentos. Instrumentalizar, industrializar o espontâneo - o que está ocorrendo - é enquadra-lo em aprisionantes. Os rios correm sozinhos, mas, quando drenados, "orientados" e utiliz