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Mostrando postagens de Janeiro, 2021

Arbitrariedade e prepotência - fura-filas de vacinas em Manaus

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  Furar filas de vacinação, em Manaus e em todo o Brasil, é o absurdo que acontece e é totalmente previsível - além de tolerado - nas estruturas caóticas estabelecidas pela lei do mais forte e das “carteiradas” dos poderosos. É o que é tão falado neste país: “manda quem pode, obedece quem tem juízo”. A capacidade de esconder incapacidades, de realizar desejos satisfazendo ganâncias e aproveitando-se das situações é oportunismo. Vivemos uma crise sanitária sem precedentes, de abrangência mundial. O drama da Covid-19, ainda sem tratamento, ameaça, adoece e mata milhares, e transformar essa catástrofe em “balcão de negócios”, em oportunidade para ganhar dinheiro, é criminoso. O que assistimos no Brasil, com o próprio Governo Federal e Ministério da Saúde apresentando um Aplicativo que induz à prescrição de tratamento duvidoso e não comprovado, em verdade até desaconselhado por organismos nacionais e internacionais de saúde, é um exemplo macabro de oportunismo e aproveitamento do caos gera

Desespero e impotência - falta de oxigênio em Manaus

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  Saber, imaginar ou atribuir que uma situação pode ser mudada, que, por exemplo, uma vida pode ser salva caso exista o que falta, e saber que não se dispõe disso gera impotência. Vivenciar a impotência diante de limite excruciante - a morte do ente querido - destrói toda possibilidade de solução. Essa destruição de possibilidades é a matéria prima do desespero. Tenta-se qualquer coisa, paga-se qualquer preço, se faz do impossível, o possível. Essas vivências reconfortam, pois escondem os limites ao criar possíveis soluções e amortecedores. Não questionar o que causou o desespero, a impotência, o querer resolver de qualquer forma o que aflige, é não ver todos no mesmo barco afundando. É o estouro da boiada, é a saída desenfreada do cinema em fogo, é a busca de salvação a qualquer preço, é o "humano, demasiado humano" como falava Nietzsche. É compreensível, apesar de ilusória, uma ação imediata, quase um reflexo para sobreviver, para respirar. Atitudes apoiadas em ilusões apla

Igualdade e diversidade - alfabetos e leituras

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  Tudo é o que é. Tudo é igual. O que é igual em tudo é a imanência do ser e estar. A diferença - que é o uso dessa igualdade - é feita segundo padrões, percepção individualizada. O indivíduo não cria o mundo, mas ele o costumiza segundo sua própria dimensão. Alfabeto específico, tomando sempre as mesmas imagens, as mesmas palavras, sob formas, sob ícones desfigurados. Mensagens padronizadas que só podem ser lidas por decifradores ou construtores de suas chaves. Pensar igual, escrever diferente. Sentir do mesmo modo e perceber, expressar de modos diferentes é uma transmutação, uma transliteração mágica e divisória. Preencher o vácuo criando nova forma alenta e destrói identidade. A diversificação é a magia constante do encontro, é resultante afirmativa deste. Esse paradoxo se revive na homogeneização cultural. Jamais o todo é a soma de partes. Não há como explicar, por mecanismos redutores, o estar no mundo com os outros. Encontro é configuração de variações, rede sistêmica que ultrapa

Obviedade e contingência

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Bastava perceber o que estava em volta para compreender o próprio mundo, o próprio universo. Essa era a regra, a verdade cotidiana de nossa infância - era o que caracterizava ser criança. Quando o em volta é ameno, a calma é estabelecida. Atualmente essa ideia é precária, quase não significa desde que predominam crianças invadidas pela fome, pelo abuso sexual, pelas guerras. Nos ambientes de constante tensão, os agressores surgem, são trazidos por outros contextos, quebrando o em volta. Viver na rua, pedir abrigo na periferia, catar migalhas é o contexto que esmaga, é onde se pisa e é pisado. Na continuidade, o em volta é transformado em campo de batalha onde não sucumbir, não morrer é o objetivo diário. Não mais interessa o como ou o porquê, o que se exige está relacionado com o para quê, com o depois.  Essa transformação - o presente da criança voltado para sobrevivência - mais tarde é estabelecida como objetivo e meta. A vida é orientada para segurança e salvação. Essa é a constante