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Mostrando postagens de Março, 2022

Entre verdades e mentiras, entre acertos e erros

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Como saber o que é verdade e o que é mentira hoje em dia? Essa pergunta faz imediatamente pensar em fake news . Como distinguir o que é falso? Como distinguir o que é errado? Recorrer a referenciais sociais, políticos, científicos permitem essa distinção, basta procurá-los. Na pandemia da Covid-19 por exemplo, era muito fácil verificar os abusos feitos em nome da ciência e da realidade, embora essa verificação se transformasse em missão impossível para os que se situavam apenas em bem e mal, acreditando em narrativas baseadas nesse maniqueísmo. Verdades e mentiras também remetem às noções de certo e errado, de cabível e incabível. Nesse contexto as motivações individuais precisam ser questionadas. É por meio desse questionamento que as respostas são encontradas. "Sair do armário", por exemplo, no que se refere à realização de motivações sexuais, é uma questão de ser fiel aos próprios desejos, tanto quanto implica questionamento da razão de negá-los. E assim, uma imensidão de

Saltos e piruetas

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  Ter objetivos definidos, desejos de superação de dificuldades e propósitos determinados, frequentemente funcionam como molas propulsoras. Esse estímulo constante faz com que se caminhe, se busque realizar desejos de complementar o que falta. Assim, propulsão constante, avidez e ganância funcionam como engolidores, neutralizadores da caminhada. Não se sabe como caminhar, não se vê como andar, mas se sabe onde se quer chegar. Todo relacionamento cria mudanças e a anulação de caminhos, o apagar de direções faz surgir novas posturas. Saltos e piruetas ilustram bem esse processo. Do caminhar em pé, bípede, descobre-se um jeito de cortar caminho, diminuindo dificuldades ao fazer piruetas. Enrolar-se em si mesmo para pisar-voar é a maneira, às vezes, de atingir objetivos impossíveis para o contínuo desenrolar de atitudes. Pular etapas roubando, por exemplo, mentindo, sugestionando, implorando, usando o outro é uma forma de atingir o que se deseja. Vitórias conquistadas pelo oportunismo cria

Perspectivas e limites

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Perceber limites é ampliar perspectivas, tanto quanto destruí-las. Tudo vai depender de como se vivencia o presente, o que está aqui e agora consigo. Quando o presente é pontualizado ele é apenas um trampolim, uma mola que impulsiona para o que se deseja ou para o que se teme. Ele não é percebido com tudo que o configura, ele é apenas o que está sendo útil ou o que está sendo inútil. É o propulsor, o que vai permitir chegar ao que se deseja. Qualquer base, qualquer ponte destruída, qualquer impedimento gera desejo, raiva ou depressão. Não se sabe o que fazer pois se vive em torno do mesmo ponto. Essa circunvolução cria mesmice. É a repetição que desespera, deprime, deixa todos os desejos e soluções ameaçadas. Essa vivência do obsoleto é expansiva, todas as coisas passam a significar dentro desse referencial, desse contexto de arcaísmo. Acabam as perspectivas, vem a depressão: o medo ou a vontade de morrer ao observar o impacto avassalador dos limites, da não perspectiva. Quando os limi

"Se queremos preservar a cultura devemos continuar a criar cultura"

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    Outro dia, lendo Johan Huizinga - "Nas Sombras do Amanhã" (1935) - me detive na afirmação: "Se queremos preservar a cultura devemos continuar a criar cultura" . Nesse sentido podemos entender cultura como acúmulo de conhecimento, como baluarte civilizatório e assim perceber que a educação é o que vai possibilitar a continuidade dos processos culturais. O ir para diante, o continuar cultura e ampliar confortos civilizatórios, sempre aparece mesmo em pequenas soluções diárias, como por exemplo manter a caneta e o tinteiro agora substituídos pela esferográfica, ser capaz de transportar líquidos, como coca-cola e água engarrafada, entrar em contato com o outro e suas ideias pelos livros e blogs, a digitalização dos processos, os botões que a um aperto tudo resolvem, e até a destruição dos mesmos via acionamentos perigosos e proibidos. Tudo isso é cultura, é civilização, principalmente agora exercida pelos avanços tecnológicos, aspectos que atualmente caracterizam

Último acontecimento: guerra Ucrânia-Russia

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Para entender qualquer coisa que acontece é necessário perceber o contexto e as implicações do que está acontecendo. O fato, o acontecimento é apenas um elo, um instante de uma sucessão, de um processo. Todo acontecimento é um momento, congelamento de processo quando visto como um fato, pois nesse destaque a continuidade é artificialmente quebrada. Quando se fragmenta processos em explicações de causa e efeito cria-se uma linearidade, uma simplificação que apenas açambarca fatos transformando-os em fontes mecanicistas e explicativas. Achar, por exemplo, que se é médico, engenheiro, músico ou professor por ter vocação e talento é admitir prévios, causalidades determinantes. Essas explicações baseadas em determinismo e vocação negam, cancelam toda uma vivência cultural e histórica, todo o processo relacional que configura o estar no mundo. Nos últimos dias assistimos as explicações jornalísticas sobre a guerra da Ucrânia-Russia. O que se ouve, o que se vê é a criação de referenciais valo