Postagens

Adolescência

Imagem
  Ilustração: under CC0-License   Adolescência é uma fase da vida e é o título da minissérie inglesa da Netflix. A história é sobre um assassinato cometido por um adolescente de 13 anos, que esfaqueia uma colega da escola. O que fez repercutir tanto essa série? Ela calou fundo, significou bastante para quem a assistiu por criar perplexidade diante do que é familiar, pois agora os próprios filhos passam a ser olhados de viés: com culpa ou com apreensão.   Geralmente os adultos pensam que meninas e meninos são bonzinhos. Como, então, eles estariam implicados em coisas más? As redes sociais, até mesmo as escolas, passam a merecer desconfiança. No século passado se pensava que tudo de ruim era causado pelas más companhias, os filhos eram bem criados, educados, e se surgiam desvios eram por más influências. Quanto se culpou os hippies e as drogas, quanto se criticou as influências dos movimentos de esquerda, o esquerdismo que se pensava desviar os filhos do bom camin...

“Contradição é a regra da verdade, a não contradição é a regra do falso” – Hegel

Imagem
   Um dos principais fundamentos da dialética hegeliana é: “Contradição é a regra da verdade, a não contradição é a regra do falso”   ( Contradictio est regula veri, non contradictio falsi ).   O desenvolvimento do que se evidencia implica sempre e necessariamente em sua negação, é o equivalente a pensar que está aqui porque não está além, ou ainda, é isto, pois não é aquilo, é carvão porque não é neve, por exemplo.   Ser isto ou não ser aquilo é uma maneira de definir e esgotar universos. A afirmação do que existe implica em contradição, essa é a verdade dialética do movimento, da dinâmica e da totalidade. Ao perceber o relógio no pulso são contraditas outras configurações de relógio e de pulso para que, por exemplo, se afirme o relógio no pulso, mas ao afirmar que o relógio sempre está no pulso, essa é uma afirmação falsa, pois não admite contradição.   É infinito o número de situações atingidas quando utilizados esses crité...

Educação empenhada

Imagem
De uma maneira geral somos educados para conseguir sobreviver, ter sucesso e bom desempenho. Um lugar ao sol, melhorar de vida, não repetir as histórias de pobreza e dificuldades dos antepassados, assim como manter o poder e a riqueza familiares são, geralmente, os motivantes básicos da educação. Eles nos fazem viver para depois, para conseguir. Não basta estar vivo, motivado pelo que acontece, é necessário ter planos, propósitos e metas. Nesse sentido a educação é sempre uma plataforma, um contexto de desafios geradores de competição e ansiedade. É um pódio no qual nada significa, salvo o primeiro lugar. Ser o melhor, o mais rico e poderoso é o objetivo. Nessa caçada, o indivíduo é armado com vários instrumentos: olhe para o que está no alto, fique amigo de poderosos, faça parte de instituições socialmente significativas, não perca tempo com com quem não significa e apenas vai lhe fazer perder recursos. Essas são as regras.   Assim são criados os robôs, a fileira de treinados para...

Instabilidade

Imagem
    Instabilidade é uma consequência do movimento, desde que é ele que permite considera-la, vivenciá-la ou até mesmo questioná-la. No contexto do movimento, a instabilidade é constante. Quando determinamos estabilização nos posicionamos e ao fazer isso criamos antíteses criadoras de instabilidade.   Geralmente vivenciamos a instabilidade como realização da possibilidade de superação. Estamos falando daquele momento quando pensamos: “enfim cheguei”. É o que se atinge, é a segurança. Quando atingir é assim percebido e configurado surgem avaliações, medos, desejos e ansiedade. Essas vivências geram instabilidade, levando à desestruturação, ao medo de perder o adquirido, à necessidade de organizar ameaças. São certezas e ameaças que funcionam como terremotos que desestabilizam e criam inquietações. Nesse contexto, inquietação é exatamente o que se denomina instabilidade.   A falta de certeza quanto à continuidade, o medo de perder é a insta...

Comprometimentos

Imagem
    Neste mundo, nesta sociedade pragmática e utilitária, viver sem objetivos e sonhos, sem buscar a realização de desejos é um despropósito.   Não ter propósitos e objetivos caracteriza os desocupados, os deprimidos ou os que não sabem para que viver. Aparentemente essa é uma afirmação perfeita, objetiva e esclarecedora. À primeira vista é a afirmação do óbvio e o que se pode dizer ou criticar é que a realização de desejos pertence à esfera dos sonhos e nesse sentido foge aos padrões pragmáticos. Olhando de novo e nos detendo nas implicações, percebemos que no contexto dessa afirmação, viver não basta, não é suficiente, é preciso algo que o justifique. A busca de justificativa para o óbvio e pregnante é o início da desvalorização do humano, e, então, não basta viver, é necessário funcionar e realizar objetivos e vantagens úteis, edificantes e significativas.   Essa ideia cria os céus, os deuses e também os poderes terrenos, tais como: glória, fama, suces...

O enigma do cotidiano

Imagem
    Quando tudo é entendido como dinâmica e energia não se sabe se o que acontece está apenas acontecendo, não se sabe o antes e o depois, pois não há continuidade. Para estar no mundo com o outro enquanto possibilidade relacional não é necessário arrumar e organizar para se situar, e isso é bem diferente das realizações necessárias e contingentes dos próprios desejos e necessidades.   Incerteza é o não saber. Quando o não saber é vivenciado como algo diferente de uma constatação, ele se torna incerteza. Não saber é uma certeza, mas se é continuado enquanto verificação e dúvida transforma-se em um problema. Qualquer situação que não se esgote em si mesma, que continue, encontra outros contextos de referência, de relacionamentos, e passa, desse modo, a ser uma nova situação na qual nada está definido enquanto propósitos anteriores estruturantes.   Confiar no que se acredita estrutura certezas. Vivenciar essas certezas cria continuidades,...

Mentira é a tessitura do terror

Imagem
  Enganar é sonegar, esconder fatos e negar evidências. Forjar situações é o mecanismo que constitui a manipulação do outro. Essa atitude é muito frequente quando se tem por objetivo congregar votos ou opiniões para valorizar e aprovar os próprios projetos. A vida política é um exemplo diário disso. O que assistimos nos jornais, sites , lives e TVs também são comportamentos típicos, pois eles são porta-vozes do poder econômico e político. Arregimentam opinião.   O engano na vida pública já se sabe e é mais fácil questionar, discutir, esclarecer, apesar dos vários grupos e forças antagônicas confundirem propósitos e constatações. A situação fica mais grave quando é restrita à esfera familiar, ou ainda, aos relacionamentos conjugais. Enganar, nesse contexto, é destruir confiança, é transformar mentira em verdade, ilícito em lícito. A sonegação constante da realidade é um abuso inominável. Inventa-se, constrói-se mentiras, criam-se enganos para manter perversidades, cupi...