Revelação


 


Percepções, constatações, que muito esclarecem, que abrem novos horizontes ou que abrem novos abismos, são transformadoras. A mudança do habitual, do familiar é um processo geralmente esvaziador, pois quebra crenças e verdades. O abandono, a doença, o engano exemplificam exaustivamente essas vivências. Da mesma forma, ser reconhecido, ganhar na loteria, reencontrar irmãos, pais desaparecidos ou anônimos, também criam novos processos, novas vivências que potencialmente descortinam horizontes ou ampliam abismos. Nas próprias exemplificações fica clara a existência do inesperado que frustra porque é causador do mal, enquanto o inesperado que resolve problemas e esclarece enigmas é o que amplia condições e é bom. Mas, independente de valores, a quebra de certezas, as revelações, inicialmente, precipitam o vazio. As revelações são construídas pelas contingências. É o encontro de várias palavras, contextos, histórias e narrativas, expectativas e medos que irá estruturar o que se teme e o que se almeja. Revelação é a luz que surge dos circuitos queimados, é também o espocar de fogos. É a complicação que desmonta e também reconstrói. É o testemunho da tragédia e também da alegria. Revelar é caminhar, autenticar o que se percebe, possibilitando, assim, tanto desvinculação quanto comprometimentos.

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