Monólogo e solidão





A sucessão de fatos, de acontecimentos cria esclarecimentos, cria novidades ao ratificar ou retificar crenças. Essa simplicidade processual geralmente é desconsiderada. O que é esclarecido frequentemente se transforma em letra morta urdidora do que se quer ou do que se teme. Nesse contexto, esclarecimentos que poderiam se tornar alavancas de mudança se transformam em referenciais de lamentos e queixas.

Os processos de esclarecimento permitem diálogo com o que nos circunda, com o que está diante e em nossa volta. Esse diálogo constante é o que possibilita questionamentos e consequentemente mudança. Ideias fixas, busca de realização de desejos, de superar faltas estabelecem monólogos. Rodar em torno do mesmo ponto, medir os passos não realizados, ansiar por solução é o que predomina no autorreferenciamento. O monólogo apaga o outro, apaga o mundo. É a maneira mágica e autorreferenciada de manter eterna solidão, carências e medos.

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