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Mostrando postagens de fevereiro, 2026

Instrumentos definidores

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    Perceber o outro, perceber as próprias não aceitações e limites, questionar empecilhos são fundamentais para situar o indivíduo no mundo. Esses processos sempre existem, pois sempre existe o outro, assim como as próprias não aceitações e limites. Tudo isso é percebido, mas é descartado, considerado inútil, e o indivíduo mergulha em universos mágicos na busca de soluções, ampliando, assim, seu problema. É o caso, por exemplo, daquele que se acha feio e pensa que a beleza é tudo; ele transforma sua vida, o dia a dia, em uma busca de transformações físicas que o situem em configurações desejadas. Igualmente, o que não se sente aceito por ser pobre e começa a roubar, a gastar o que não tem para conseguir sucesso. Também quem plagia, utiliza escola, clínicas, universidades, enfim, utiliza a postura científica ou política, por exemplo, para se afirmar e enriquecer.   Qualquer busca de instrumentos ou meios para realizar o que não se tem é indevida. Cria e mantém metas...

Extremos

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  Não aceitar a própria realidade é uma das questões frequentes nas vivências de problemas psicológicos. Todos os desajustes psicológicos se caracterizam por não aceitação de si, do outro, do mundo, da realidade. Quando essa situação é percebida e manejada como problema, soluções surgem. No entanto, tudo que é visualizado como crítica (não aceitação), desespero, pedido de ajuda e reclamação leva ao posicionamento de vítima. Nessa situação, o indivíduo quer ajuda, não importa de onde ela venha. Assim é criado o parasitismo, as dependências e acentuados os medos, raivas e invejas. A exacerbação desses sintomas pode evoluir para deslocamentos de busca de aplacamentos por meio de drogas lícitas ou ilícitas.   Essas vivências de não aceitação da realidade são explicitadas em expectativas de ajuda, cheias de raiva e criadoras de desespero e maldade. Frequentemente elas são cooptadas, canalizadas por grupos políticos e gangs que subvertem a sociedade, as famílias e as escolas. I...

Ter um filho, escrever um livro...

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  A ideia de ter um filho, plantar uma árvore e escrever um livro é rica em propósitos de realização, mas, por incrível que pareça, é esvaziadora e despersonalizante, pois apresenta finalidades e realizações como justificativas para a vida, esquecendo e negando o existir.   Basta existir, estar no mundo com os outros. É o processo de aceitação de limites, das possibilidades e dificuldades que realizará ou destruirá a possibilidade humana. Se o estar no mundo não é suficiente, passa a ser necessário algo que o valide, e, procedendo assim, a vida é negada.   A Igreja, durante a Idade Média, tomou a si o sentido da vida e exigia respeito a ela –   à vida – a partir de 10 mandamentos religiosos. Era o jeito de controlar e determinar o que deveria satisfazer feudos e reinados. Séculos depois, viver individualizado, personalizado por criatividade e produção – filhos, árvores e livros – é a maneira de manter as ordens protetoras do Capital, da riqu...

Disparidades

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  Achar que algo ou alguém é esquisito ou estranho, assim como, ao contrário, sentir familiaridade, são vivências que resultam de comparação nem sempre explicitada.   O que decorre de alguma situação é explicitado pela mesma, entretanto, a vivência disso é contínua, não se apresenta como situação resultante que se evidencia. As vivências, mesmo as desencadeadas por situações anteriores, são continuadas ou constantes. O antes é o depois, o que começa e o que aparece são meros rótulos, não existem enquanto vivência, pois vivência só acontece enquanto presente. Portanto, tudo pode ter suporte no antes ou no depois, mas, apenas existe, existindo. Detectar sentimentos e sensações catalogando-os como decorrentes é a ilusão de explicar e apreender. Dentro dessas distorções perceptivas, mecanismos foram criados. São as regras que definem o que é felicidade, o que é presença, separação e dinâmica, por exemplo. Dessa forma são fabricados os clichês, as regras de co...

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