Disparidades
Achar que algo ou alguém é esquisito ou estranho, assim como, ao contrário, sentir familiaridade, são vivências que resultam de comparação nem sempre explicitada.
O que decorre de alguma situação é explicitado pela mesma, entretanto, a vivência disso é contínua, não se apresenta como situação resultante que se evidencia. As vivências, mesmo as desencadeadas por situações anteriores, são continuadas ou constantes. O antes é o depois, o que começa e o que aparece são meros rótulos, não existem enquanto vivência, pois vivência só acontece enquanto presente. Portanto, tudo pode ter suporte no antes ou no depois, mas, apenas existe, existindo. Detectar sentimentos e sensações catalogando-os como decorrentes é a ilusão de explicar e apreender. Dentro dessas distorções perceptivas, mecanismos foram criados. São as regras que definem o que é felicidade, o que é presença, separação e dinâmica, por exemplo. Dessa forma são fabricados os clichês, as regras de conduta e os preconceitos. É assim que o indivíduo é despersonalizado e esvaziado em função de seus desejos e compromissos; é adaptação ou desadaptação, rótulos que tudo abrangem.
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"Para haver mudança não basta vontade e desejo de mudar, são necessárias antíteses, situações, realidades que se antagonizem" - Vera Felicidade, in: Emparedados pelo vazio - Bem-estar e mal-estar contemporâneos
"Transformar o indivíduo que está impermeabilizado em participante, via enfoque psicoterápico, é criar novos encontros, novas configurações" - Vera Felicidade, in: Autismo em perspectiva na Psicoterapia Gestaltista




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