Instrumentos definidores
Perceber o outro, perceber as próprias não aceitações e limites, questionar empecilhos são fundamentais para situar o indivíduo no mundo. Esses processos sempre existem, pois sempre existe o outro, assim como as próprias não aceitações e limites. Tudo isso é percebido, mas é descartado, considerado inútil, e o indivíduo mergulha em universos mágicos na busca de soluções, ampliando, assim, seu problema. É o caso, por exemplo, daquele que se acha feio e pensa que a beleza é tudo; ele transforma sua vida, o dia a dia, em uma busca de transformações físicas que o situem em configurações desejadas. Igualmente, o que não se sente aceito por ser pobre e começa a roubar, a gastar o que não tem para conseguir sucesso. Também quem plagia, utiliza escola, clínicas, universidades, enfim, utiliza a postura científica ou política, por exemplo, para se afirmar e enriquecer.
Qualquer busca de instrumentos ou meios para realizar o que não se tem é indevida. Cria e mantém metas de realizações devastadoras do que se vive. Negar estruturas econômicas ou afetivas, utilizando álibi, imagens e mentiras é destruidor. Situações de vícios por drogas lícitas ou ilícitas, situações de gastar o que não tem, criando dívidas ou roubando, exemplificam esse desespero configurado pela não aceitação dos limites impostos pela realidade.
Quando se percebe o outro, o limite, a possibilidade e a impossibilidade, essa percepção é o fiat lux que tudo transforma. É o questionamento do que se considera menos valia e fracasso, é o que faz tudo mudar.
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"Para haver mudança não basta vontade e desejo de mudar, são necessárias antíteses, situações, realidades que se antagonizem" - Vera Felicidade, in: Emparedados pelo vazio - Bem-estar e mal-estar contemporâneos
"Transformar o indivíduo que está impermeabilizado em participante, via enfoque psicoterápico, é criar novos encontros, novas configurações" - Vera Felicidade, in: Autismo em perspectiva na Psicoterapia Gestaltista




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