Ameaças - pânico




Medo e sensação de incapacidade transformam o dia a dia em um jogo de obstáculos. Desviar do mal, conseguir sair ileso, tanto quanto se omitir e sentir-se sem recursos é a marca de sua existência.

Por que a ameaça? Muitas vezes por ser o tempo inteiro omisso, apoiado no outro, tomando tudo de empréstimo ou de esmola. Quando sozinho, o mundo lhe cai em cima, não há como suportar. Tudo amedronta. Viver assim é angustiante. A dificuldade, o estreitamento, o aperto na garganta, a falta de ar é o pânico que obriga a tudo evitar e de tudo se proteger.

Na sequência do viver e da ameaça aumenta a necessidade de apoios e a dependência do outro enquanto segurança é uma constante. O noticiário, saber da Coréia do Norte, de seus avanços e dos mísseis, por exemplo, descobrir os surtos da febre amarela em São Paulo, tudo isso cria atmosferas nebulosas. É preciso evitar, é preciso se proteger e assim surgem as superstição, a necessidade dos talismãs, orações, amuletos e proteção.

A busca da “capa de invisibilidade”, o estar protegido contra as ameaças se torna um objetivo e quanto mais se desloca, mais aumenta a insegurança e mais se sente a ameaça. É um círculo vicioso, não tem saída, salvo ser centrifugado. Essa centrifugação é exercida pelo constante recolhimento do indivíduo em seu mundo ameaçado/ameaçador que não oferece refúgio, mas já tem indicados os caminhos de fuga.

Só por meio do questionamento se atinge a disponibilidade. É o abrir mão de metas e resultados que libera. Essa perda de apegos e garantias traz mudanças, traz liberdade. Perceber e questionar as próprias atitudes desenvolve autonomia, possibilita participação e fluidez.

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