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Mostrando postagens de junho, 2026

Magia e realidade

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   Magia e realidade, em outras palavras, desejo e evidência     É comum dizer que somos seres desejantes por sermos incompletos e finitos. A implicação disso é terrível: equivale a dizer que a falta e o limite são os destruidores da harmonia da existência. Pensar o que é completo como sendo isolado, o todo independentemente do que o estrutura e motiva, é arbitrário. É a magia que se estabelece ao imaginar que ao unir dois pontos criamos a reta. É não perceber que a reta existe e ela é apenas uma sucessão de pontos, assim como o ponto é apenas interseção de retas.   Não existe o humano sem o mundo, não existe o humano como resultado da criação divina ou simplesmente fruto da evolução biológica. Existe o humano como presença de ser com o outro. Essa interação é mágica e real. Quando negada surgem os despersonalizados transformados em objetos a serviço do sistema despersonalizador, que pode ser a família ou a escola, por exemplo. Negar o outro, achar que somos...

Discordância

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    Discordar é expressar diferença, contradição ao que se pensa e afirma, ao que acontece. Em princípio, discordar resulta, supostamente, de estabelecer uma antítese, um contrário ao que ocorre, ao que se percebe. Nesse sentido, discordar é a bola mágica que mói, é a antítese que possibilita síntese e mudança. Acontece que discordar, geralmente, é também apresentar simplesmente o contrário como exercício de contestação e de revolta. Dizer não, descobrir “cabelo em ovo”, achando que isso invalida a existência do ovo, é meramente manifestação de desagrado. Sob essa ótica a discordância é o que instala a discórdia. É discutir por discutir, negar por negar, apenas expressa incompatibilidade. Diante do outro e dos acontecimentos, das ideias e ideais, discordar significa pouco enquanto discordância, pois somente impede o fluir contínuo da comunicação.   Estabelecer a própria visão, ou seja, o próprio ponto de vista como alfa e ômega de toda explicação, é o reducionismo que ali...

Descaracterizações

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Tudo que se une ou se reúne pode se desunir ou dispersar. Dispersar, separar, é, em certo sentido, descaracterizar, principalmente quando se trata de objetos, fatos e situações. A preservação do contexto é notadamente o identificador, o organizador. Agrupamentos por semelhança podem ser quebrados e facilmente recuperados. Esse é o princípio estruturador das mais diversas situações: das meras coleções de objetos aos grupos que se manifestam em função de luta por princípios e propósitos.   Os pontos de união são como ímãs e polarizam, agrupam e unem. Dispersar é perder o ponto de união, o aglutinador.   Para nós humanos, a passagem do tempo causa dispersão, seja, por exemplo, pelo desaparecimento de pessoas, ultrapassagem de propósitos e motivações, por vencer as etapas das funções escolares, seja pelos colegas da universidade se afastarem ou os grupos de brincadeiras do bairro, do acampamento e colônia de férias, se distanciarem. Nas nossas vivências, além das compati...

Anômalos e criativos

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Anomalia é o desvio, a exceção, o não esperado, e, assim, rapidamente anômalo começa a ser sinônimo de anormal, desagradável. Nesse sentido, as conotações fogem do conceito de anomalia como “ponto fora da curva”, como fora da média de amostragens estatísticas.   É comum essa variação ou mudança de conceitos. O a priori, os preconceitos criam novas gramáticas e sintaxes. As linguagens se tornam incompreensíveis. Falar do acontecido é diferente de falar do imaginado.   No entanto, o que não é esperado, portanto anômalo, contribui para os processos dinâmicos da vida. Diversificar é uma maneira de transliterar, de mudar significados, mantendo a estrutura inicial, e nessas transformações os referenciais são alterados. Tudo que se pensa como regra, padrão e estatística, nega as dinâmicas relacionais.   Em meu livro Tudo é relacional – causalidade nada explica escrevi sobre esses processos, ressaltando que: “Viver sem impor uma direção é viver totalmente presentific...

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