Anômalos e criativos


Anomalia é o desvio, a exceção, o não esperado, e, assim, rapidamente anômalo começa a ser sinônimo de anormal, desagradável. Nesse sentido, as conotações fogem do conceito de anomalia como “ponto fora da curva”, como fora da média de amostragens estatísticas.

 

É comum essa variação ou mudança de conceitos. O a priori, os preconceitos criam novas gramáticas e sintaxes. As linguagens se tornam incompreensíveis. Falar do acontecido é diferente de falar do imaginado.

 

No entanto, o que não é esperado, portanto anômalo, contribui para os processos dinâmicos da vida. Diversificar é uma maneira de transliterar, de mudar significados, mantendo a estrutura inicial, e nessas transformações os referenciais são alterados. Tudo que se pensa como regra, padrão e estatística, nega as dinâmicas relacionais.

 

Em meu livro Tudo é relacional – causalidade nada explica escrevi sobre esses processos, ressaltando que: “Viver sem impor uma direção é viver totalmente presentificado e é exatamente aí que as direções, motivações e orientações surgem. Essa situação, viver ao acaso, viver o presente, viver sem metas é o que há de mais difícil, pois requer disponibilidade, não estar apegado a nada. Estar solto, sem apoio; lembra folha ao vento, tanto quanto lembra desapego, não compromisso, liberdade. É o estado típico do início da existência, é a fase infantil na qual se está aberto a tudo e a todos. Essa disponibilidade e ingenuidade é o que permite entrega e dedicação, tanto quanto cria compromissos quando há posicionamento e manutenção. Mesmo na infância, o sentir-se bem gera a necessidade de continuar se sentindo bem, enfim, o apego é uma possibilidade e/ou ameaça constantes.”

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