Inclusão


 

Estar incluído parece ser um elo forte, quase um processo equivalente de imantação natural. Entretanto, ser incluído sempre resulta de um dado externo, melhor dizendo, outro, diferente do que contextualmente se inclui. É sempre um motivo maior: um dogma, uma regra, uma certeza que tem que gerar inclusão. Para evitar alienação, por exemplo, como no desconhecimento de direitos, os educadores se unem na explicação dos direitos do homem ou do cidadão. Sabemos que a escola é criada para incluir os indivíduos em sua sociedade. Refletir sobre possibilidades e limites é uma maneira de gerar lucidez, de personalizar, de incluir em famílias e sociedades. Desde o estabelecimento do tabu do incesto que esses processos ocorrem. A estabilização de famílias decorre dessas constatações. Ser incluído significa fazer parte, globalizar as especificidades dos grupos. Quando esses processos são distorcidos surgem alienação e quebra de regras. As contravenções são lesivas à situação de estar junto. O outro, o grupo, a família, a sociedade são estabelecidos no diálogo, na constatação, na aceitação e rejeição de regras e tabus, e são mantidos pela persistência delas. Esse antagonismo é dissociativo.

 

Atualmente, com tudo junto e misturado, a distopia impera: o ser foi substituído pelo parecer, o limite é o obstáculo a ser camuflado, e tudo é superficial. São justaposições nas quais a cola, o que segura é a mentira, o faz de conta. Convenções e regras tentam substituir as inclusões, mas é impossível transformar aderência em imanência, embora sempre seja possível confundi-las.

 

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 "Como bem nos alerta a dialética, o homem se desenvolve mesmo na alienação" - Vera Felicidade, in: Tudo é relacional - Causalidade nada explica 

"Para haver mudança não basta vontade e desejo de mudar, são necessárias antíteses, situações, realidades que se antagonizem" - Vera Felicidade, in: Emparedados pelo vazio - Bem-estar e mal-estar contemporâneos 

 "Transformar o indivíduo que está impermeabilizado em participante,  via enfoque psicoterápico, é criar novos encontros, novas configurações" - Vera Felicidade, in: Autismo em perspectiva na Psicoterapia Gestaltista

 

 

 


 

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