Definição e conceituações




Impossível definir alguma coisa sem inseri-la em seu universo conceitual, mas essa impossibilidade é cotidianamente o mais fácil e frequente, e assim, tudo é definido, decifrado e explicado.

Vamos nos deter na questão do igual ou da igualdade. O que é igualdade enquanto relacionamento, enquanto vivência e constatação? É fácil pensar, entender e verificar os vários níveis de igualdade, mas tudo se complica ao se perceber que o igual ou a igualdade só pode existir em relação a alguma outra coisa ou a alguém, enfim, debaixo, atrás da igualdade, amparando-a e determinando-a está a comparação.

Esse processo, esse comparar, destrói ou realiza a ideia de igualdade? Percebemos uma forma, dizemos que é um triângulo, que são retas em outras posições, outras configurações, mas o plano é o mesmo, é igual. Igual a quê? Compara com o quê? Essa imprecisão e incerteza assolam o cotidiano. O outro é o semelhante que é também o diferente. Semelhante e diferente enquanto roupas que usa, posse de dinheiro, educação, ou como aspecto, como configuração humana?

Inúmeras questões absorvidas pelo sistema, pela política, pela sociedade enfim, como direitos e deveres criam novas faces para as questões comunitárias. O cosplay é o quê? O travesti é o semelhante ou é o diferente? O torturador é a exceção ou a regra em regimes totalitários e não democráticos? Difícil dizer se não houver globalização das variáveis contextuais e para tanto é necessário não esquecer que o todo não é a soma das partes e ainda que a percepção do que ocorre é estruturada por conceitos independentes de sua ocorrência, e que regularidade e frequência nada significam quando se trata da apreensão da configuração essencial do aparecer, do ocorrer.

Estar adequado e satisfeito com o que vivencia, por exemplo, pode ser apenas uma das maneiras de estar deprimido, neutralizado em suas possibilidades relacionais.

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