“Abra a porta do avião que eu quero saltar”




“Abra a porta do avião que eu quero saltar” é o que se pensa diante da dinâmica avassaladora da omissão, do medo, do pânico autorreferenciado.

Querer negar o processo, buscar apagar e transformar em irreversível tudo o que se faz, é a saída mestra do arrependido, do incapacitado pela paralisia do instante. É o desespero diante do imponderável, diante do irreversível - é o pânico.

Não aceitando a reversibilidade e continuidade dos processos, o indivíduo tem ações prepotentes e onipotentes que ele acha que o colocariam em outras dimensões. Esta atitude mágica, se persiste, cria o alienado. A alienação - o desespero diante do cotidiano - é gerada pela não aceitação dos próprios problemas, gerada também pela constatação da própria impotência e incapacidade.

O ato desesperado de buscar saída, ou não saída, resulta de oportunismo nascido da vitimização e inveja. Chamar a atenção, pedir, desesperar-se tem sido a moeda de transação. Esse se expor é o que tem dado resultado. Os gritos e berros quebram processos de impotência ao negá-los. É o faz de conta que cria mais dificuldades.

Em realidade, o indivíduo só quer saltar do avião em movimento porque sabe que a porta não abre. Jogar com possibilidades é, às vezes, uma maneira de exibir precariedades e de  tentar vencê-las. É o autorreferenciamento da não aceitação criando demandas impossíveis.

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