Rejeições sistemáticas e apropriações indébitas



Rejeições sistemáticas e apropriações indébitas - esse é o processo vivenciado por certos indivíduos em relação aos pais quando são continuamente rejeitados, nunca aceitos pelo que são e submetidos a constantes sugestões, como: “fique melhor, faça alguma coisa, deixe de ser assim, me ajude, cuide de mim”. Esse processo cria submissos, sobreviventes e insatisfeitos, dedicados a conseguir um lugar ao sol, uma mão amiga ou algo significativo que valide sua existência. Ser um grande médico, um cientista que salve a humanidade, um artista maravilhoso seria redentor. Este lugar dos sonhos, se atingido, é mais esvaziante, pois não significa enquanto o que é, significa pelo que deve ser. É mais um elo da escravidão, mais uma garantia para preencher os temores da rejeição. No entanto, na velocidade e dinâmica de novos processos, o indivíduo sucumbe ou seu trabalho, sua trajetória pode trazer outras dimensões, um novo espelho no qual se percebe. Surge mudança, ele vê sua capacidade, se vê como ser criativo e o quanto de admiração e aplausos isso gera. Não precisa mais deslocar, pode descobrir que é, aceita seus limites e quer transformá-los. Busca tratamento psicológico, percebe-se em todas as dimensões de sua despersonalização e, à medida que o processo terapêutico se realiza, se aceita e isso traz personalização. Enfrentar os despersonalizadores, e destruí-los, corta a mãe má, execra o demônio fantasiado de pai e assim inicia o processo de individualidade e aceitação.

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