Atordoar

 



A descoberta de limites sempre estabelece referenciais, sempre cria possibilidades e impossibilidades, que, por sua vez, se transformam em novos limites e também em caminhos frequentemente limitadores e/ou libertários. A circularidade de propósitos configura uma rotação em volta do mesmo ponto. A expectativa ilude e a mudança não acontece. Repetição é manutenção, tornando-se assim o "caminho da humanidade". O que faz mudar, então? - O que leva à mudança é o sair do círculo. Como ultrapassar o estabelecido, o circunscrito? - Só se descomprometendo, não buscando resultados ou soluções para o que desespera; só assim se permite a mudança. Não é renunciar, não é abrir mão ou desistir, é apenas ir além do limitante, é a quebra de compromisso com o que vai resolver, com o que vai mudar; é essa atitude que dá lugar à mudança. A mudança não é síntese, não é resultante, ela é a outra perna, o outro lado, o aspecto não vislumbrado, consequentemente, o não limitante, desde que configurado em outros contextos. Lançar-se no inédito, abraçá-lo é quase impossível, é chegar a uma outra região sem mapa, sem bússola, sem linguagem, sem chaves que quando viradas permitem começos. Não ligar pontos, não estabelecer conexão é o início não limitado da descoberta, da novidade invadindo o cotidiano. Atordoa, mas muda. A irreversibilidade das descobertas criam novos mundos, novos parâmetros. Essa é a vivência frequente na conhecida "descoberta de si mesmo" resultante de questionamentos e apreensões de problemáticas, de limites negados e criados. É atordoante, mas é um caminho régio para mudar, para desalienar.

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