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Atitude

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A psicologia do sec. XIX costumava dividir o homem em intelecto, atividade e vontade (emoção). Atividade se referia a gestos, comportamento motor, significando atitudes. Hoje em dia atitude é um comportamento que frequentemente se exerce, expressando a própria estrutura individual, psicológica, daí ela caracterizar a visão que se tem do mundo, de si mesmo e do outro. Em Psicoterapia Gestaltista, atitude é sinônimo de motivação; para nós também a motivação está sempre no contexto relacional; a motivação não é criada, construida "interiormente" e projetada "exteriormente" como pensam os psicanalistas,  os terapeutas da gestalt therapy e outros. Os gestaltistas, ao discutirem com os behavioristas, argumentavam que se aprendia independente das necessidades ( drives) estarem ou não saciadas. O requiredness , o carater de demanda explicado por Koffka, mostra como o ambiente, a realidade, cria a motivação (os publicitários bem sabem di...

Compromisso

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"Os impasses existenciais decorrentes de perceber o mundo, o outro como figura e colocar-se como fundo determinante desta percepção, este autorreferenciamento compromete a existência humana. Setoriza e maquiniza o ser humano, levando-o à corrida desenfreada da manutenção, do querer ser alguma coisa válida, aceita, reconhecida, considerada socialmente. Esta busca-luta, esta alienação, compromete. Surgem os padrões, normas e modelos de comportamento: as metas. Empenhado nesta conquista o homem desumaniza-se, passa a ser reconhecido pelo que o representa, por seus símbolos: carro, roupa, status, virórias, fracassos, sucessos, insucessos. O comprometimento com os rótulos cria a autofagia ou despersonalização, o vazio." * São vários os problemas que surgem da despersonalização, da alienação e um deles é a manutenção, o compromisso. Estar comprometido é índice de alienação, de divisão, fragmentação. Comprometer-se é estabelecer território, marcar presença e fazer acertos...

Sobrevivente não questiona

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A imanência do ser humano é biológica. " Essa estrutura biológica está em um lugar, em um tempo com outros seres. Estabelecemos relações percebendo, conhecendo. Perceber é conhecer, perceber que se percebe é categorizar. Essa categorização é o estar consciente de, é o saber que sabe ." * No mundo da sobrevivência tudo converge para a satisfação de necessidades, de desejos. Os julgamentos e valores, neste nível, são binários: bom e ruim, satisfatório e insatisfatório, lucro e prejuízo, eu e outro. A pregnância da imanência biológica desumaniza, não há antítese, consequentemente a dinâmica, a dialética do processo é transformada em paralelas: bom ou ruim, igual ou diferente. Psicologicamente, as vivências são desenvolvidas através de divisões paradoxais: o que apoia oprime, o marido que espanca é o que sustenta, o patrão que explora é o que permite a sobrevivência da família, por exemplo. Estas contradições não possibilitam antíteses, não permitem resultantes pois são med...

Adaptação e mudança - aceitação da não aceitação

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Geralmente o adaptado é o posicionado, o que renunciou a qualquer mudança para manter o que conseguiu. Assim vivendo ele é um mediano, é também o que não se aceita medíocre, adaptado. Surgem sintomas e deslocamentos a fim de criar um movimento, uma dinâmica - ainda que ilusória - diante de seus posicionamentos. Movimentos pendulares, ao longo do tempo dividem e fragmentam, estruturando não aceitação de ser o que é, de ter a vida que tem. No processo terapêutico, ao perceber a não aceitação, suas estruturas e implicações, surge a aceitação da não aceitação. É um momento muito importante, é a quebra da adaptação, do posicionamento e o início da mudança. Tudo é novo, diferente, as metas são transformadas em perspectivas, o que gerava vergonha e medo passa a ser questionante de responsabilidade, de participação; inicia-se a mudança responsável pela aceitação. Quando se está preso à idéia de que toda mudança decorre de luta, revolta e desadaptação responsáveis pela transformação social...

Por que se distorce? Por que se unilateraliza?

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Ilhados na sobrevivência os seres humanos percebem o que está em volta de si através de valores em função da satisfação ou insatisfação de suas necessidades (demandas). Uma das resultantes imediatas deste processo é a transformação do outro em instrumento, ferramenta, meio para satisfazer desejos (deseja-se o que falta) e necessidades (é o que permite sobreviver). O outro passa a ser caçado e utilizado para apoio e prazer. A distorção é resultante da manutenção de posicionamentos, da quebra da dinâmica relacional do estar no mundo. Inicia-se assim, um processo que se caracteriza por buscar metas, por autorreferenciamento etc enfim, distorção perceptiva, unilateralização. Neste contexto, tudo que se percebe, consequentemente o que se pensa - pensamento é prolongamento da percepção - é binário, mecânico, limitado: é bom? É ruim? Serve? Não serve? Este referencial, esta matriz verifica e avalia tudo que ocorre. Qualquer situação nova vai ser assim examinada. Nada é feito ao acas...

O oposto como semelhante

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O semelhante é o igual, o oposto é o diferente. Como entender oposto como semelhante, como sair deste antagonismo, desta divisão? As situações estão colocadas como paralelas, não há possibilidade de antítese, de confronto; existe assim a impossibilidade de surgir síntese, no caso, comparação dessa contradição, quase non sense . Opostos são contrários, são polos de uma mesma unidade. Só através da mediação podemos categorizar a oposição. Opostos pela condição de riqueza e pobreza, mas semelhantes enquanto seres humanos, por exemplo, é elucidativo. Quando se fala, por exemplo, em o ser e o mundo, em opostos ou antagônicos, gera-se sempre continuidade, gera-se semelhança quando é percebida a mediação que os dividiu, que os transformou em opostos. Ir além das parcializações, dos posicionamentos, possibilita perceber o outro, sua humanidade. Entrincheirados nas classificações sociais, econômicas, nos tipos físicos, nos critérios estéticos, transformamos as aparências, as r...

Interno e externo não existem

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Interno e externo são apenas indicadores semelhantes a direita e esquerda quando indicamos direção. Sempre exigem uma referência a partir da qual são estabelecidos. O uso frequente dos termos interno e externo transformou-se em metonímia, um filtro, uma lente pegajosa que atrapalha a percepção, a categorização do que é humano, do que é psicológico. Freud, por exemplo, falava em "realidade externa" e a via como projeção do inconsciente. Para ele, esse processo de projeção era gerenciado, controlado pelo próprio inconsciente e caracterizava a natureza humana. Essa dicotomia foi tão divulgada e incorporada ao pensamento ocidental de maneira geral, que atualmente, qualquer coisa diferente disto pode até ser entendida e aceita, mas sempre é vista como tradução da mesma questão. Para mim não existe interior, não existe exterior, existe uma relação.  Uma coisa "interna" a A é "externa" a B e vice-versa. Trata-se de mera sinalização. Sinais são conve...

Dividir para entender, dividir para limitar

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Dividir sempre fez parte das estratégias de vida, estratégias de guerra e organização das comunidades. Ir por etapas, seguir o passo a passo é a regra para análise e resolução de problemas. As classificações, as tipificações são fruto de divisões. Dividir é separar, fracionar, quebrar, criar classes, tipos. Separa-se para em seguida agrupar-se na tentativa de organizar e entender. Desde pequenos somos ensinados a pensar e agir a partir das divisões. Crianças aprendem a traçar, a demarcar territórios, separarando conceitos que são indissolúveis. A reta, por exemplo é uma sucessão infinita de pontos, o ponto é interseção de infinitas retas. Esta sequência de relações foi transformada na afirmação: ligando o ponto A ao ponto B, temos uma reta. Uma simplificação que leva a ignorar os infinitos pontos da reta e sua interseção com outras retas. O resultado é que se segue na vida imaginando setas ----->  interações entre pontos previamente determinados <----> pensando t...

Preconceito

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É o conceito antecipado, é o entendimento, o conhecimento independente da relação que se estabelece com o conhecido. É a cópia, a reprodução a sobreposição de conhecimentos prévios sobre situações novas. Conceitos antecipados geram cópia, genéricos usados sempre em abundância, necessitando, portanto, de catalogação e arquivamento para estar sempre prontos para o uso. A sabedoria popular, através de sua coleção de provérbios, também ajuda a incorporar experiências responsáveis por conceitos antecipados, por preconceitos. " Quem vê cara não vê coração ", " diz-me com quem andas que te direi quem és " são alguns exemplos. Segui-los, orientar-se  por este saber disseminado pela vox populi é impermeabilizar-se às próprias experiências. Estes filtros são mediações que obscurecem. Fica impossível perceber igualdade quando tudo já está carimbado e descrito como bom, ruim ou prejudicial. Na Idade Média, além de regras de conduta e geradores de advertências, os pro...

Sem saída

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Vivenciar o presente pode ser sinônimo de vivenciar o desagradável, o despropositado e ameaçador. Situações de guerra, assalto, doença, desastre deixam isso bem claro. Essas ocorrências determinam  ansiedade e medo - que é a omissão diante do que ocorre - ou determinam coragem e participação. Ter medo é se omitir, é colapsar, sumir diante do que está acontecendo. Isso se dá, muitas vezes, no desmaio, no desespero, nos gritos e nas rezas obstinadas. Havendo participação não há medo: enfrentamos ou fugimos, às vezes única maneira de enfrentar, mas ainda assim, ação. Quando não temos metas - ou seja, planos e desejos a realizar no futuro, que não têm estrutura na própria realidade - não estamos divididos ao vivenciar o presente. Essa organização nos permite não colapsar com os impactos, o caos, a desorganização que está acontecendo no presente. Essa atitude cria perspectiva de vida responsável pelo descongestionamento; " o grande horror " que acontece adquire proporções me...

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