Torre de marfim


 

Estar exilado do convívio com os outros decorre de atos diversos. Prisões e hospitais, moradias distantes e afastadas, exilam, subvertem e submergem o indivíduo em situações alheias a seus propósitos, embora elas sejam decorrentes deles. 

Viver isolado sem conviver e se identificar com ninguém é uma das características expressas pela metáfora da torre de marfim. Essa imagem é usada para resumir lugares especiais e associados à elite (pela sua raridade e riqueza) e também para destacar intolerância e desprezo pelo comum, normal ou frequentemente existente. Resume uma atitude que evidencia a vivência de não se sentir comparado, e de se sentir avatar, “gênio da raça”, impoluto, distante das experiências de mazelas e maldades que atingem os outros.

Destacar-se e isolar-se pode também ser típico comportamento de desapego, assim como de quadros nosológicos mentais, ou de desespero e carência. Não se sentir aceito gera uma série de deslocamentos, e um deles é o de perceber estar sozinho como maneira de se livrar dos próprios problemas, pois para esse indivíduo que não se aceita e não percebe os próprios problemas (autorreferenciamento gerado pela não aceitação), o problema é criado pelo outro. “Se não existe ninguém atacando e atrapalhando, tudo ok” é o que sente. Para ele esse isolamento é a salvação, pois impede questionamento e constatação. É comum pensar em torre de marfim quando se imagina situações com as quais não se consegue interferir ou participar. 

Às vezes, a vivência de torre de marfim é benéfica, uma maneira de não se corromper pelas circunstâncias. É o escudo protetor que mantém diferenciação e questionamentos. Nesses casos, ela é a torre do farol que ilumina navegadores em mares bravios. Não se envolver pode ser sinônimo de não se deixar corromper por vantagens despersonalizadoras, comprometimentos da liberdade de estar com o outro enquanto possibilidades, dizendo não às contingências aplacadoras das necessidades, que podem ser tentadoras como criadoras de sucesso e enriquecimento, por exemplo.

 

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Está à venda na Amazon e em outras livrarias o meu novo livro: Ciladas da sobrevivência - círculo vicioso abismal

Completando a duologia iniciada com Emparedados pelo vazio, nesse livro continuo com a temática psicológica e a proposta de pensarmos sobre o que nos infelicita, o que nos joga no círculo vicioso abismal da sobrevivência.

Como romper esse círculo e estruturar autonomia? São questionamentos que possibilitam entender angústia, desespero, medo, raiva e tantas outras sensações que nos paralisam.

Convido vocês para a leitura dessa obra e espero propiciar reflexões sobre velhos e novos desafios da convivência e comportamento humanos!

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