Abuso no trabalho




Abuso no trabalho é um tema recorrente hoje em dia. Situações de abuso sempre indicam autoritarismo, prepotência e utilização do outro enquanto subordinado.

Acreditar que um funcionário vai se submeter a tudo, pois não pode perder sua manutenção de vida, seu emprego, faz com que, da chefia à colegas, criem-se situações difíceis que precisam ser transformadas em fáceis através da submissão.

Fazer de conta que não há provocação, que não existe abuso é a negação que permite manter o emprego. Permitir ser abusado só é possível quando se nega a humilhação presente em função de amealhamentos futuros. Transformar o dia a dia, o trabalho, em ponte para sobreviver é negar a própria realidade, a própria identidade.

Nem sempre o que é narrado como abuso advém da exploração das autoridades estabelecidas. Às vezes o que se vivencia como abuso no trabalho é uma extrapolação mantenedora da atitude de medo, ansiedade, desejo de ser considerado e cuidado. Esses deslocamentos da não aceitação fazem descobrir adoradores e sedutores no que se sofre como massacre. É uma forma de ampliar o estrito espaço de satisfação cotidiana.

Atropelados pela insatisfação, isolados em seu autorreferenciamento, fantasmas são criados: abusadores e sedutores são vistos por toda parte, inclusive no trabalho. Da mesma forma, vivos e perigosos abusos e humilhações são transformadas em espectros, fantasmas não existentes. Nega-se a realidade, suas inconveniências, para manter as conveniências, para manter as seguranças e assim se mantêm também abusos, humilhações e subordinação.

Olhar em volta e identificar abusadores requer questionamento das próprias atitudes, seja de conveniência e submissão, seja de revolta, denúncia, medo e raiva.



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