“É melhor chorar em um Rolls-Royce que em um bonde"




É melhor chorar em um Rolls-Royce que em um bonde”, assim escreveu Françoise Sagan nos anos 1960, ou, como muitos dizem hoje, “é melhor chorar em um carro próprio, que em um ônibus”, enfim, é melhor sofrer com dinheiro, com recursos, com possibilidades de saída, que sem as mesmas.

A questão, o dilema, a frustração não deve ser colocada nessa valorização restrita: ter ou não ter dinheiro, ter ou não ter recursos. Isso não é o fundamental, não é o desesperador, o aliviante. A questão é colocar outra perspectiva, coisa impossível quando se está movido pela sobrevivência, e pelo que se acredita ser a melhor maneira de realizar desejos.

O importante é não chorar, não sofrer, é aceitar limites enfrentando-os e ultrapassando-os. Sofrimento, doenças não se destacam quando os mesmos são integrados e aceitos como continuidade do existir, como modulação e frequência do estar-no-mundo. Não existe o contínuo mal, nem o contínuo bem, muito menos o mais-ou-menos. O que existe é integração com o que está diante, assumindo-o ou explicando-o. Se algo atrapalha deve ser modificado, alijado ou integrado. Absorver o cisco que cai no olho é impossível, entretanto, aceitar a limitação do andar, a impossibilidade de voar ou sobreviver mais de dois minutos sob a água é o impedimento funcional óbvio de ser um organismo, um ser humano.

Tudo que é estranho, aderente, imposto deveria ser erradicado e tudo que decorre do viver consequente precisaria ser integrado e não ser arbitrariamente destacado.

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