Individual e coletivo




“O crescimento populacional transfere a iniciativa do indivíduo para a coletividade”, diz Ilya Prigogine.

A transferência da iniciativa do indivíduo para a sociedade não é apenas uma decorrência do aumento populacional, ela é, fundamentalmente, o resultado da alienação, da massificação necessária para suprir, prover e atingir mais-valia de todo o capital investido e propiciado pelo aumento populacional.

Controle de funcionamento, apropriação de ideias - à medida que são estabelecidas as convergências necessárias - fazem o caminho necessário para homogeneizar e massificar o homem e têm um intenso efeito no sentido de seduzir e consumir as demandas sociais. Embriões desse processo foram denunciados pelos luditas no séc.XIX, foram filmados e explicitados no Metrópolis, tanto quanto mostrados como nosso futuro próximo, no Blade Runner.

Organizar é, às vezes, uma forma de neutralizar iniciativas à medida que se cria um amplo campo para abrigá-las. Sociedade, escola, famílias que seguem esse pressuposto podem gerar cidadãos super eficientes, ultra aperfeiçoados em suas habilidades, bons seguidores de demarcações, mas que não conseguem ver além do indicado, além do demarcado - não têm iniciativa.

O agrupamento, o estabelecimento de blocos a partir dos quais a situação é ordenada para funcionar enquanto viabilidade, transforma a iniciativa individual em um mero seguir de trajetória, em mero percorrer de caminhos indicados ou caminhos sinalizados.

Não há como agrupar idiossincrasias, ainda que vistas como sinônimo de individualidades. Resta seguir. Repetir processos bem sucedidos, evitar os prejudiciais são as opções colocadas para o indivíduo. Sinalizado e traduzido pelos propósitos, pelas ações oportunas, consequentemente pelo resultado, resta apenas seguir, esperar sucesso e evitar prejuízo. Podado em suas possibilidades, dedicado a satisfazer necessidades, a agir metamorfoseado em ingrediente das questões, o ser humano consome e trabalha, assim como concorre e se angustia. 





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