A continuidade estabiliza

 

 

A continuidade estabiliza tanto para o bem como para o mal. O importante é a manutenção das estruturas configuradoras dos fenômenos que, pela permanência, podem ser questionadas, mudadas. 

A miséria sem fim que aflige um terço da humanidade pode ser mudada quando configurada como falhas de sistemas econômico/sociais. Essa percepção passa a se impor e obriga a novas políticas econômicas e sociais. Muitas vezes os problemas paralisam e parecem insolúveis. Recentemente, por exemplo, o navio encalhado no Canal de Suez desafiou todos os esforços e técnicas para desencalhá-lo, mas a continuidade do problema, da impotência, abriu novos horizontes. O navio foi desencalhado e o tráfego restituído no canal, e os especialistas passaram a questionar a fragilidade da cadeia de comercio global. 

O impasse redimensiona problemas e estabelece visões, insights criadores de solução surgidos pela impossibilidade, seja pela constatação de mediações necessárias ou pela inadequação dos sistemas. A persistência e manutenção de vícios - o filho que se droga, por exemplo - cria contextos possibilitadores de novas atitudes. Sai-se do drama, da surpresa, do desencanto e pela continuidade do problema, soluções aparecem. É assim que a humanidade evoluiu: antibióticos, vacinas, remédios, enfim, neutralizantes criados para enfrentar o que desestrutura. A neutralização que possibilita mudança é antítese que aponta novas direções em outras situações, em outras configurações, criando a continuidade que estabiliza.

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