Problemáticas humanas - questões estruturantes IV



Quando o fundamental é esconder fragilidades - não aceitações -, se busca trocar de pele, de aparência, removendo marcas ou cicatrizes. Sem certeza do sucesso começam as desistências. Os topos, cumes de montanhas, foram alcançados, mas as marés quando mudam, quando crescem, tudo submergem. Ansiedade, tensão, medo, expectativa constroem angustia e o desespero do estar no mundo sem certezas e sem garantias. A única certeza, que é a morte, o final de processo, apavora. Essa desintegração do indicado estabelece depressão, delírios, taras nas quais o outro é usado para aplacar e servir sua impotência, sua degradação enquanto indivíduo. Maldade, crueldade contra os mais fracos são constantes. Submeter e utilizar crianças para os próprios prazeres sexuais - substitutivos do não conseguir se realizar sexualmente -, maltratar e oprimir, são exemplos da incessante repetição da utilização do outro como exercício de poder, de prazer e crueldade. Quanto mais esse processo fragmenta, mais o indivíduo se acomoda à não aceitação da não aceitação, à busca do poder, e mais artifícios são criados. Grupos de extermínio, casas de prazeres raros e proibidos começam a surgir. Torturas dilaceram para destruir os restantes resíduos de humanidade. Essas são  práticas comuns em organizações terroristas, estatais, milicianas e entre bandidos das diversas sociedades, buscando apagar mínimos resíduos do que possa desestabilizá-los, ameaçando e sufocando a liberdade humana.

O querer ser aceito para vencer cria um exército de derrotados, abrigados por culturas, sociedades e sistemas nos quais quanto maior a opressão, maior o poder e o horror. Alemanha nazista no século passado, e todas as grandes metrópoles no atual século, são caracterizadas pelo extermínio de determinados grupos seja por assassinatos, seja pelo exercício da opressão democrática sem limites, no qual quem não tem dinheiro sucumbe, é morto. Lutar para viver, querer sobreviver, passa a ser o destino buscado, não importando que fantasia, que aparência tenha, contanto que vença e assim destrua tudo que atrapalha, que impede. Nesse contexto, não se aceitar, querer ser aceito, lutar por isso é gerador de calamidade, de horrores contra os outros e contra si mesmo.

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